Talvez possa ser considerada como a hora do jantar para muitos, mas o que é certo é que às 20 horas do primeiro dia de Novembro a música já se fazia sentir na sala 1 do Hard Club. Afinal, começava aqui uma noite de metal na cidade do Porto, que seria encabeçada pelos finlandeses Children Of Bodom, banda cuja popularidade é impossível de se ignorar. A expectativa para este concerto era bastante alta, já que este serviria para “Halo Of Blood”, álbum que, de resto, foi extremamente bem recebido pela crítica e fãs da banda, ser apresentado pela primeira vez ao vivo em Portugal. Mas a seu tempo lá iremos. É que haviam, entretanto, boas formas de entreter os ouvidos até que chegassem os cabeças-de-cartaz.

E coube aos também finlandeses Medeia darem o pontapé de saída para os concertos da noite. Não se vestindo no seu tom habitual mais descontraído, como é habitual nos seus vídeos, a banda acabou por dar um concerto empolgante, fazendo a que o ainda (muito) pouco público presente se começasse desde logo a mexer. É de notar a atitude da banda que, apesar de traída pela hora que se pode chamar madrugadora a que tocou, nunca se demoveu, demonstrando sempre muita entrega e vontade em dar o melhor concerto possível. Posto isto, e após um rápido soundcheck, era agora altura dos Decapitated pisarem o palco portuense. Depois do trágico acidente que motivou a profundas alterações no line-up da banda, não se podia esperar que surgissem em palco uns Decapitated iguais aos que surgiram na sua formação. Assim, foi com menos técnica e com muito mais groove que a banda se apresentou no Porto, perante, agora sim, uma casa bem mais composta. Esta acabou por se revelar uma sonoridade muito mais adequada ao público presente, que reagiu com mosh e headbang quase constante à música tocada. Como também seria de esperar, a setlist incidiu mais sobre os trabalhos recentes da banda, com especial destaque, ainda assim, para a música escolhida para o final do concerto, a já clássica ‘Spheres Of Madness’.

Estava então na altura de assistir ao concerto mais esperado da noite – Children Of Bodom. A antecipação crescia à medida que se montava o palco, palco esse que incluía os mais diversos tipos de luzes e feitos, 3 ecrãs e, desde logo, uma bandeira portuguesa. Foi, por isso, neste cenário que se ouviram os primeiros segundos de ‘Transference’, primeiro single do novo álbum e música que deu início ao concerto propriamente dito. Este foi, previsivelmente, um sinal do que estava para vir, já que a setlist versava essencialmente sobre os temas do álbum recentemente lançado. Porém, foi também com surpresa que houve tempo para alguns clássicos mais remotos da banda, retirados de álbuns como “Hatebreeder” ou “Follow the Reaper”. E se algum receio havia quanto à qualidade da performance das ditas músicas, o facto de Alexi Laiho não ter entrado numa das suas conhecidas «aventuras» com o álcool deve ser suficiente para justificar o preciosismo e profissionalismo com que as notas atacavam todos os presentes. Os presentes? Esses nunca estavam parados perante o espectáculo sónico e de iluminação a que assistiam.

Esta revelou-se, assim, como uma das melhores oportunidades para ver Children Of Bodom em Portugal. Depois de uma fase em que a banda mostrava um crescente desleixo, Alexi e companhia procuram agora voltar a cimentar a sua posição no panorama do metal mundial. Resta saber se os próximos álbuns e concertos conseguem confirmar tal intenção.

Texto: João Vinagre
Fotografia: Rita Mota

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