Pela 4ª vez em Portugal e passados 3 anos depois da sua última visita, os pioneiros do metal oriental, Orphaned Land, voltam a pisar os nossos palcos para nos apresentar o mais recente álbum “All is One”.

The Mars Chronicles, banda francesa recentemente formada em Janeiro de 2012, abriu a festa logo pouco depois das portas abrirem. As suas influências são muitas, vão desde o rock alternativo e progressivo, até ao death e groove metal. E foi isso que nos mostraram durante a sua actuação, onde a atmosfera aquecia ao ritmo de agressivos riffs liderados por uns intensos vocais melódicos.

Seguidamente apresentaram-se os Klone, uma banda bastante conhecida da cena francesa. A sua energia em palco é inquestionável, raramente estavam quietos e souberam puxar bem pelo público que entre saltos e muito headbang abanava as paredes do Santiago Alquimista. A banda já conta com 5 álbuns de originais nestes seus 10 anos de carreira, e as influências de bandas como Gojira ou Tool, dão efectivamente lugar a uma sonoridade intensa e pesada, que a par dos seus riffs progressivos e do ambiente psicadélico, dão aos Klone uma identidade única.

A ansiedade para ver os Orphaned Land já era muita, mas ainda tínhamos mais uma banda pela frente, os Khalas! A banda palestina tem um som muito próprio, resultado da nova cena árabe e oriental, actualmente emergente no Médio Oriente. Depois do primeiro álbum de originais ‘Ma Adesh Feeha’ editado em 2004, a banda está correntemente a trabalhar num novo álbum, intitulado de ‘Arabic Rock Orchestra’. As sensuais influências árabes nas suas músicas instigavam à dança, facto que se podia observar no público feminino que ia mexendo o corpo ao ritmo da música. Ao mesmo tempo os riffs mais agressivos iam balanceando esta equação que unicamente junta o clássico repertório árabe à potência do metal.

E eis então que mais uma vez a sala do Santiago Alquimista se enche para receber os grandes Orphaned Land. Com mais um álbum na bagagem, os Orphaned Land são mais do que uma banda definida pelas suas raízes orientais, onde um death metal melódico se junta com influências progressivas. Eles são um ícone mundial de uma banda que luta pela igualdade entre os povos e onde as suas letras são baseadas em situações reais que acontecem aqui e agora. “All is One” é todo ele uma mensagem in-your-face, como os próprios afirmam, que querem fazer chegar a toda a gente.

«As pessoas devem ser julgadas pelos seus corações e sinceridade interior, e não pelas suas crenças religiosas.» – Este é o mote que caracteriza todo um álbum onde os temas principais são as rivalidades entre povos vizinhos, e onde o vocalista Kobi Farhi apela para que essas desavenças sejam esquecidas e que se juntem todos nesta religião comum, que é a música. Entre temas do novo álbum, como o poderoso single “All is One” que dá nome ao álbum, e ao arrepiante “Brother”, tivemos também uma viagem por temas de álbuns anteriores, como “Sapari” e “Ocean Land”, sempre acompanhados por projecções de imagens numa tela de fundo e quando possíveis, pelos respectivos videoclips. Fomos surpreendidos ainda por um show de dança do ventre pela bela bailarina Kahina Spirit. À parte do potente solo de bateria de Matan Shmuely, é de mencionar também o belíssimo momento, já no encore, com a música “The Beloved’s Cry”, e a fechar, um regresso ao primeiro álbum com a agressiva “Ornaments of Gold”.

Texto: Rute Pascoal
Fotografia: Diogo Oliveira

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