«Parabéns a você / Nesta data querida / Muitas felicidades/ Muitos anos de vida». Foi com estas palavras que a praticamente cheia Sala 1 do Hard Club congratulou a baixista Cláudia Guerreiro pelo seu aniversário neste 5 de Outubro de 2013. Foram estas, também, as palavras que deram início ao concerto desse dia dos cada vez mais renomeados Linda Martini, naquela que seria a primeira apresentação oficial do seu mais recente álbum, “Turbo Lento”. Com a óptima recepção que este trabalho tem tido (algo que pode ser confirmado aqui), era de prever que banda e público se unissem de forma intensa sob as frequências, notas e melodias que pairariam no ar. Como se verificou, nem o calor intenso que se sentia na sala foi motivo para que tal deixasse de acontecer.

Dispondo-se em palco da sua forma já habitual, mas não menos ortodoxa, a banda foi desfilando tema atrás de tema, pertencendo a maioria, naturalmente, ao álbum que era «motivo de festa». Ao longo desta constante sucessão de novas adições e velhas conhecidas, a banda mostrava, com a sua postura relaxada, que estava honestamente feliz em estar presente em tudo aquilo que estava a acontecer, algo que, de resto, cada um dos integrantes fez questão de mencionar nas muitas vezes em que interagiam com o público. E por falar em público, nunca é demais relembrar a forma como este retribuía aos ritmos, aos acordes e às vozes que se faziam ouvir. Ora com moshes e saltos nas partes que se revelavam mais agressivas, ora com afinados sing-alongs quando surgiam as letras, ou ainda com simples sinais de imersão nas diversas atmosferas distantes criadas, este revelou-se sempre contemplador e atento, tendo demonstrado a apoteose deste sua actuação no single ‘Ratos’ lançado este ano.

Com isto, e já depois de também tocar o seu mais recente single ‘Volta’, a banda despediu-se e saiu do palco. Porém, o público queria mais. Seguiram-se coros ruidosos a pedir o regresso, coros esses que só cessaram quando André, Cláudia, Pedro e Hélio voltaram para o desejado encore. ‘Este Mar’ e ‘100 Metros Sereia’ foram, então, as músicas escolhidas para terminar o concerto e que marcaram, em definitivo, a despedida da banda do palco do Hard Club. Uma despedida que não aconteceu sem que Hélio Morais se lançasse num crowdsurf sob os presentes, como sinal de agradecimento ao público de um concerto intenso.

Foram praticamente duas horas em que se presenciou um concerto que teve tanto de calma como de adrenalina. Um concerto em que a energia fluía entre a banda e o público de forma cíclica. Um concerto que andou depressa e devagar ao mesmo tempo. Um concerto que passou à velocidade de.. Turbo Lento.

Texto: João Vinagre
Fotografia: Carolina Neves

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