Em festa e para apresentar o seu álbum de estreia, os Ash Is A Robot contaram na República da Música, na chuvosa tarde de Lisboa, com a presença de bandas de abertura com elos de amizade – Ella Palmer, Borderlands e The Year.

Estes The Year, versão evoluída e mais violenta dos extintos My Cubic Emotion, entraram a rasgar para arrancar os primeiros aplausos entre os presentes. ‘Suck My Teeth’, música com direito a videoclip, e ‘Prostitunes’ foram duas das faixas tocadas do álbum de estreia da banda, deixando então uma boa fasquia para o resto da tarde.

Os Borderlands deram continuação ao desfile de breakdowns com uma abordagem mais agressiva, de modo a proporcionar umas manifestações mais intensas na frente do palco. A apresentar temas do EP de estreia, “Awaken Dreams”, a banda mostrou-se sempre capaz de arrancar aplausos mesmo sofrendo de um som mais embrulhado que as restantes bandas. O vocalista Nuno Silva aproveitou para dar o microfone ao público uma dúzia de vezes até anunciar a despedida do baixista Yuri, que efectuou o seu último concerto pelos Borderlands. Como forma de adeus, uma invasão de palco foi mote para crowdsurfing do próprio Yuri na faixa final.

De regresso aos palcos, os setubalenses Ella Palmer fizeram recordar os presentes o seu rock multi-facetado cantado em português e em inglês. As músicas ‘clássicas’ da carreira da banda foram entoadas, sendo então alternadas por faixas novas, sem o seu nome revelado, e que serão lançadas no próximo álbum da banda. Os Ella Palmer não só deram mais espaço às capacidades vocais da audiência, como deram uma ponte perfeita para o frenesim que se seguia, tendo até como convidado no final o próprio Cláudio, de Ash Is A Robot, para ajudar na voz. É bom ter uma banda destas de volta.

A abrir ou a fechar, os Ash Is A Robot seriam a banda do dia. Em poucos minutos já demos por todos os cinco membros fora de si para conquistar o público, abrindo o concerto com a introdução electrónica de ‘Moravia’. O carismático vocalista, Cláudio Aníbal, muitas vezes requisitado a apresentar-se em tronco nu, desfilou várias coreografias com o fio do microfone, fazendo-o voar até aos tectos da República da Música. Ora em palco, ou fora dele, Cláudio liderou uma energia única e positiva, dando a combinação perfeita para o potente instrumental que ia desmontando o palco – em dada altura até a bateria de Gonçalo se desfez, fazendo o próprio aparecer caído em frente ao público. Os Ash Is A Robot tocaram quase todas as faixas do seu álbum, fazendo surgir as faixas entre humor, encores e teasers de Bon Jovi, Whitney Houston ou Tool. Houve também espaço para Dado, voz de Ella Palmer, retribuir e dar voz num tema. Uma banda anti-gravidade e que contou com uma nova invasão de palco a fechar, levando quase todos os membros para um crowdsurfing enquanto tocavam ‘Mark My Words’. Ainda houve tempo para uma ‘Cellar Door’, mais contida, mas a ser alvo dos últimos aplausos da sala. Ficou apresentado um grande disco com um grande concerto, dado por uma banda que tem tudo para ser igualmente grande.

Texto: Nuno Bernardo
Fotografia: Tomás Lisboa

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