Os franceses Year Of No Light são uma das várias confirmações para a edição de 2013 do Amplifest e fizemos questão de abordar essa presença no evento portuense. Trocámos palavras com Pierre Anouilh sobre “Vampyr” e o seu envolvimento com o cinema, para além de outros assuntos relacionados com a carreira recente do sexteto.

Ruído Sonoro: Antes de mais, o Amplifest. Como se sentem com a vossa presença no alinhamento deste ano? Quais são as vossas expectativas?

Pierre Anouilh: Estamos muito contentes por estar de volta a Portugal depois da nossa presença no festival de Barroselas em 2009. O alinhamento do Amplifest é bom: há muitas bandas fantásticas! Também não conseguimos esperar para reencontrar o nosso amigo de thisquietarmy com quem estivemos em digressão no outono passado. Estamos ansiosos para conhecer pessoas porreiras, trocarmos, aprendermos, divertirmos-nos e darmos um bom espectáculo.

RS: Os Year Of No Light são uma banda que, apesar de vários lançamentos, tem apenas dois trabalhos de longa-duração até à data. Como é a vossa evolução de som tendo em conta o tempo entre os álbuns?

PA: Bem, se derem uma olhadela na discografia dos Year Of No Light, vão ver uma dúzia de splits e colaborações (Altar Of Plagues, Mars Red Sky, thisquietarmy, Rosetta…) para além de três LPs e um álbum ao vivo (“Live At Roadburn”). Portanto não somos tão inactivos como alguns podem pensar. Sobre a evolução da banda, bem… tentamos não nos repetir mas acho que estamos progressivamente a desenvolver o potencial musical da banda desde a sua criação. O alinhamento actual ajuda imenso. De facto acontece tudo de forma natural e ainda há muito trabalho pela frente.

RS: “Vampyr” não é vosso terceiro longa-duração ‘real’, mas ainda assim é memorável. Como surgiu esta ideia? Porque é que fizeram esta banda sonora ao vivo para este filme de Carl Dreyer?

PA: Obrigado! Então aqui vai a história: o nosso velho amigo e promotor Guillaume Gwardeath perguntou-nos sobre a criação e execução de uma peça original para um «filme mudo a definir». Não tínhamos ideia de onde este projecto nos poderia levar, mas dissemos que sim. Primeiro pensámos em fazer algo extremo para o “Begotten” de Elias Merhige. Primeira rejeição: demasiado hardcore, demasiado incerto… Então pensámos no trabalho de Dreyer e, depois de uma rigorosa discussão, lá começámos finalmente a trabalhar no “Vampyr” de C.T. Dreyer. Tentámos dar vida a uma reverberação sonora da obsessão de Dreyer pela beleza, a morte, o amor, a vingança, o pecado, o perdão, o mal, a redenção e a fé.

RS: Houve a necessidade de traduzir em disco a experiência que escreveram para “Vampyr”?

PA: Quando começámos a trabalhar no “Vampyr”, não tínhamos intenção de o gravar. Depois de ter tocado pela Europa durante dois anos, demos o nosso último concerto em Bordéus no inverno de 2012. Neste momento, foi-nos dada a oportunidade de o lançar como duplo LP/CD. Nós discutimos esta possibilidade. Como nós pensámos que a música que criámos atingiu uma certa soberania conceptual/artística e que também poderia ser desfrutada sem o filme, como se tratasse de uma jornada introspectiva do carácter de Dreyer, nós decidimos avançar. A nossa última performance de “Vampyr” acabou por ser gravada ao vivo. Entretanto, foi importante para nós incluir o CD no LP para oferecer a possibilidade de ouvir a «banda sonora» ininterruptamente enquanto se via o filme. Portanto este lançamento é algo peculiar, é uma espécie de entidade dupla: cabe a ti escolher em que dimensão o queres escutar – o “Vampyr” banda sonora e/ou algo imaginário.

RS: Podemos assumir que o verdadeiro sucessor de “Ausserwelt” está a caminho. Contem-nos um pouco do que está para vir.

PA: Bem… “Tocsin” é uma viagem «aventureira».  Pode soar bastante directo… e muito triste e austero… e também poderosamente melódico. Se tivesse de escolher poucas palavras para o descrever, eu diria: pesado, desesperado, furioso, de afinações graves, épico, psicadélico, abstracto, sinfónico… e um pouco retorcido, definitivamente. Tendo isto dito, estamos ainda presos à sua concepção (as feridas ainda doem) e portanto ainda não temos distância suficiente para o dissecar. Esperamos conseguir oferecer uma experiência sonora interessante. A Debemur Morti (Blut Aus Nord, Behexen…) vai lançá-lo. Provavelmente em Novembro, se tudo correr bem.

RS: O cinema é algo que inspira o processo de composição da banda? Estão definidos alguns pilares onde a banda se possa influenciar?

PA: Claro! Mas não só: a literatura, a pintura, a natureza, as drogas, o pecado original e a angústia metafísica nutrem a banda. É um processo em constante movimento e sem fim. Estamos condenados.

RS: Há algo novo para o Amplifest que nos possam revelar?

PA: Vai ser o meu aniversário e vamos tocar algumas faixas do próximo álbum.

Entrevista por Nuno Bernardo.
Fotografias de Jean-Philippe Bidegain.

YONL

The french Year Of No Light are one of the several lineup confirmations for Amplifest 2013 and we intended to talk about their presence on the event. We exchanged some words with Pierre Anouilh about “Vampyr” and their involviment with cinema beyond other subjects related to the recent career of the sextet.

Ruido Sonoro: First of all, about Amplifest. How do you feel about being present on this year lineup? What are your expectations?

Pierre Anouilh: We’re very happy to be back in Portugal since our appearance at Barosselas Festival in 2009. The Amplifest lineup rocks: so many amazing bands! We also can’t wait to meet again our friend of thisquietarmy with whom we toured last autumn. We are eager to meet cool people, exchange, learn, party and play a good show.

RS: Year Of No Light is a band that, despite several releases, has only two full-lengths up to date. How is your sound evolution with such time between albuns?

PA: Well, if you take a look at YONL discography, you’ll see a dozen of splits and collabs (Altar of Plagues, Mars Red Sky, thisquietarmy, Rosetta…) alongside three LPs and a live album (“Live at Roadburn”). So we’re not so inactive as people may think. About the band’s evolution, well… we try to avoid repetition but I think we’re just progressively developing the musical potential of the band since its inception. The actual line up helps a lot. It happens quite naturally indeed and there is still a lot of work ahead.

RS: “Vampyr” is not your ‘real’ third full-length, however it’s still remarkable. How did this idea show up? Why did you do a live soundtrack for this Carl Dreyer film?

PA: Thanks! So here is the story: old time friend and promoter Guillaume Gwardeath asked us about creating and performing an original piece for a “to be defined silent film”. We had no idea where this project would lead us but we said yes. At first, we thought to set up an extreme performance on Elias Merhige’s “Begotten”. First refusal: too hardcore, too borderline… Then we thought of Dreyer’s work and, after some harsh bargaining, we finally started to work on C.T. Dreyer’s “Vampyr”. We tried to give life to a sonic reverberation of Dreyer’s obsession for beauty, death, love, vengeance, sin, forgiveness, evil, redemption and faith.

RS: Was there a need to release into disc the experience you wrote for “Vampyr”?

PA: When we started to work on “Vampyr”, we did not intend to record it. After touring Europe for two years, we gave our last performance in Bordeaux during Winter 2012. At this moment, we had the opportunity of releasing it as a double LP/CD. We discussed this possibility. Because we thought the music we created reached a sort of conceptual/artistic sovereignty and could also be enjoyed without the movie, like an introspective journey inspired by Dreyer ethos, we decided to do so. Our last “Vampyr” performance was then recorded live. In the meantime, it was important for us to include a CD in the LP in order to offer the possibility to listen to the “score” without interruption while watching the movie. So this release is quite peculiar, it’s a kind of dual entity: you choose which dimension you want to listen to: “Vampyr” soundtrack and/or imaginary score.

RS: We can assume then the real successor of “Ausserwelt” is on the way. Tell us a bit of what is to come.

PA: Well…“Tocsin” is an “adventurous” trip. It can sound very straightforward… and also very moody, very austere…and also powerfully melodic. If I had to choose a few words to describe it, I’d say: heavy, desperate, angry, down tuned, epic, psychedelic, abstract, symphonic…and a bit twisted, definitely. Having said that, we’re still stuck in its conception (the wounds are still hurting) and therefore do not have enough distance to dissect it. Hope it will offer an interesting sonic experience. Debemur Morti (Blut Aus Nord, Behexen…) will release it. Probably in November if all goes well.

RS: The cinema is something that inspire the band’s songwriting process? Are there some pillars set where the band can be influenced?

PA: For sure!  But not only: literature, painting, nature, drugs, original sin and metaphysical anguish nurture the band. It’s a moving and never ending process. We’re doomed.

RS: There will be something new for Amplifest you can reveal?

PA: It’s gonna be my birthday and we gonna play some tracks from the next album.

Interview by Nuno Bernardo.
Photos from Jean-Philippe Bidegain.

YONL

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