ANGERLORD

Thrash Metal – Leiria/Pombal

O passado dia 30 de Agosto ficou marcado pelo histórico concerto de estreia dos AngerLord, um novo projecto nacional de Thrash Metal clássico sediado na zona de Leiria. O local que os acolheu foi o Texas Bar, que continua o seu louvável trabalho de aposta na promoção de bandas com menos visibilidade (praticamente o único sítio na região centro com coragem para tal). Ao Texas acorreram cerca de 70/80 pessoas nessa noite, sendo que o público superava já a meia centena quando se ouviram os primeiros acordes de Slay’em All, era já meia noite e meia (uma hora de atraso em relação ao cartaz).

Com um nervosismo em forma de excitação controlada e muita concentração, a banda mostrou boa técnica instrumental, surpreendentemente com poucas falhas visíveis, e não fugindo ao som clássico, tentou dar alguma variação aos temas originais. Prova disso foi a segunda música, Lies’ Infection, com um pequeno momento mais calmo a meio; só foi pena a banda não ter prolongado essa parte da música de forma mais gradual, num crescendo contido que culminasse numa nova explosão de Thrash, como fariam uns Voivod. Já o vocalista mostrou ainda ter que controlar melhor a voz ao vivo, tendo potencial para fazer melhor.

No entanto, melhor não poderia ter feito no que toca à interação com a plateia, tendo Mickael Corbeau apelado ao público tímido e passivo, grande parte dele ainda sentado nos primeiros temas, que se levantasse, abanasse a cabeça e fizesse uns moshes. Tal não chegou a acontecer, houve apenas alguns curtos momentos de maior euforia, mas o som da banda pareceu agradar a todos. Com seis temas originais e três covers, os AngerLord tocaram 45 minutos e terminaram o seu primeiro concerto com Warhorse, a única faixa que não gostei de toda a setlist. Fica a promessa de mais uma banda de qualidade no Metal nacional, ainda com muito para aprender e corrigir, mas certamente no bom caminho.

BRAÇODEFERRO

Rock – Leiria

O resto da noite estava entregue a mãos mais experientes, num registo sonoro bem diferente; o rock em português dos BraçoDeFerro, com temas longos e variados, alguns progressivos, desde o mais calmo Sorri ao mais agressivo Medo do Sol, este último com momentos quase a roçar o Metal. Foi a segunda vez que pude testemunhar um concerto deles, sendo que a banda voltou a impressionar pela qualidade técnica e a pecar pela duração dos temas, que ao vivo acabam por ter momentos menos algo monótonos. O público foi diminuindo ao poucos, fruto da hora tardia; foi pena os concertos não terem começado mais cedo, eu próprio tive que sair antes dos BraçoDeFerro terminarem a sua actuação.

Mais comunicativos do que no Crossover, foi um concerto agradável que teve como momento alto O Jogo: Perder ou Vencer, de longe a melhor faixa da banda. Os presentes foram ainda presenteados por uma música nova, intitulada Mais Uma Vez; e mais uma vez, um tema longo com bons pormenores, mas cuja composição no geral poderia ser mais focada no essencial. É difícil e arriscado fazer rock em português, e nisso aplaudo o esforço da banda. No entanto, têm potencial para ser mais do que são; a maior parte das músicas mostram boas ideias, que se perdem por vezes em transições menos bem conseguidas. Falta-lhes apenas um clique, um pequeno salto para estarem num patamar superior, ao nível dos melhores rockeiros lusitanos.

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