Duas ‘eras’ de Marillion diferentes e de diferentes décadas, a primeira comandada pela fantástica voz de Fish e a outra pela espirituosa voz de Steve ‘h’ Hogarth. Após a saída de Fish, o grupo adoptou um rock progressivo mais trabalhado em termos líricos e instrumentais e com um grau de sofisticação bem mais apurado. Muitos foram os fãs que abandonaram a banda após a saída do icónico frontman, mas também muitos foram os fãs que continuaram a seguir a banda e a adorar ambas as ‘eras’. Independentemente dos gostos musicais de cada um, Marillion sempre se destacou por compor e apresentar nos seus discos o que sempre quis, sem nunca se “vender” a uma espécie de “público da rádio e mainstream”.

Marillion – 1985 – Misplaced Childhood

É a única obra-prima discográfica dos Marillion, é um álbum conceptual que aborda temas como amor, traição, perda e infância. Apesar de não conter uma personagem principal, como acontece em Brave de 1994, este disco segue um argumento lógico com faixas conceptuais como é o caso de “Pseudo Silk Kimono/Kayleigh/Lavender”, “Bitter Suite”, “Blind Curve” ou “Heart of Lothian”.

Lista de faixas para Misplaced Childhood:
01. Pseudo Silk Kimono220px-Marillion_misplacedchildhood
02. Kayleigh
03. Lavender
04. Bitter Suite
05. Heart of Lothian
06. Waterhole (Expresso Bongo)
07. Lords of the Backstage
08. Blind Curve
09. Childhoods End?
10. White Feather

Misplaced Childhood contém elementos autobiográficos de Fish, o principal compositor deste álbum, com a referência a Lothian (uma região escocesa em que Fish nasceu) ou “Kayleigh” (referência aos amores falhados do passado de Fish) são as principais tiradas autobiográficas do disco. É dos poucos discos absolutamente perfeitos da história da música, o nível de emoção e empenhamento na composição do álbum é simplesmente fantástico. É daqueles álbuns que pode impulsionar uma banda para uma posição de lenda no mundo da música mas que também pode arruinar o futuro de uma banda, felizmente este foi daqueles casos em que a banda foi impulsionada para uma posição de lenda muito graças aos discos de elevada qualidade que a banda conseguiu continuar a compor.

Marillion – Misplaced Childhood (álbum na integra)

Marillion – 2004 – Marbles

Um dos poucos álbuns, após o ano 2001, que pode ser destacado como essencial para o progressivo. É novamente um dos discos mais bem trabalhados por parte de Steve Rothery e companhia. Marbles é composto por dois discos, e apesar de não ser um álbum conceptual, muitas das emoções e sentimentos expressos em grande parte dos álbuns conceptuais dos Marillion estão aqui presentes.

Seja como for, não deixo de considerar que certas faixas presentes neste álbum estão claramente ligadas e podem funcionar como um estranho puzzle conceptual, basta atentar em faixas como “The Invisible Man”, “Ocean Cloud” e “Neverland” que retratam “à maneira de Marillion” problemas como conformação, libertação espiritual ou desejo.

Lista de faixas para Marbles:

CD 1220px-Marillion-Marbles
01. The Invisible Man
02. Marbles I
03. Genie
04. Fantastic Place
05. The Only Unforgivable Thing
06. Marbles II
07. Ocean Cloud

Cd 2
01. Marbles III
02. The Damage
03. Don’t Hurt Yourself
04. You’re Gone
05. Angelina
06. Drilling Holes
07. Marbles IV
08. Neverland

Tem mais de hora e meia de música, pelo que pode por vezes ser difícil de ouvir todo o álbum de uma só vez, mas cheios de qualidade e com muita dedicação e complexidade instrumental à mistura. Novamente este lançamento não foi recebido da mesma maneira por toda a crítica profissional ou pelos fãs da banda.

Um Fundamentais do Progressivo inteiramente dedicado aos britânicos Marillion, que já aqui foram apresentados com o álbum Clutching At Straws de 1987 da era-Fish. Não os considero subvalorizados, eles fazem questão de apresentar um rock progressivo diferente do que era apresentado pela banda nos tempos áureos do grupo com Fish e continuam a fazer questão de estar próximos dos fãs mantendo uma forte componente de interactividade nos concertos ou na composição dos seus discos.

Marillion – Marbles (álbum na integra)

// João Braga

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