SECRET LIE

Gothic Metal/Pop/Rock – Portugal

Nunca a confirmação de uma banda para o Vagos causou tanta polémica. Os Secret Lie, originalmente para ser um projecto a solo do Pedro Teixeira da Silva dos Corvos, acabaram por se transformar numa banda cujos contornos sonoros são vastos, indo do Pop ao Metal, passando pelo Rock e Rap e ainda com um toque clássico. Exigia-se neste festival um actuação focada no mais pesado que a banda tinha para oferecer, e foi precisamente a isso a que assistimos.

Começando às 17 horas em ponto, com uma pequena introdução, a banda abriu com o tema Sweet Sadness, numa performance gótica e pesada que surpreendeu certamente muitos dos presentes. Segui-se Purify, um bom tema cuja influência Rap fez engelhar alguns narizes do pessoal da pesada. Mas logo se seguiu um majestoso solo do Tó Pica, o membro da banda mais habituado a este tipo de públicos e que soube entreter o pessoal com uma boa disposição invejável; infelizmente, ao invés do tão desejado pedido “faz-me um filho” do público feminino, o pobre coitado apenas teve direito a um “dá-me a tua palheta” da plateia masculina!

Depois da guitarra, foi a vez do violino do Pedro brilhar numa interpretação do Presto das Quatro Estações de Vivaldi simplesmente deliciosa. Voltando depois aos originais com Blackout, tema mais experimental muito bem executado, a banda terminou o concerto com um tema inédito original para o próximo álbum, intitulado Little Taste of Fun. Houve ainda tempo no final para o Tó Pica atirar a guitarra para o meio do público, bem como a prometida palheta. Uma actuação surpreendentemente pesada de uma banda que justificou bem a sua presença num festival de Metal.

Setlist: Intro | Sweet Sadness | Purify | Solo de Guitarra (Tó Pica) | Presto (Vivaldi) | Blackout | Little Taste of Fun

 

BIZARRA LOCOMOTIVA

Industrial Metal – Portugal

O que se seguiu foi absolutamente demolidor. Iguais a si próprios, numa performance teatral, visceral e louca, os Bizarra abriram com o épico A Procissão dos Édipos, com o vocalista Rui Sidónio a entrar em palco arrastando-se pelo chão, como mandava a letra da música. Ainda neste primeiro tema, o vocalista saltou para o meio da multidão (com uma pequena queda), conquistou o seu espaço e actuou ali mesmo, numa manifestação de loucura controlada, curtindo o som com os fãs em seu redor.

Tocando uma setlist obrigatoriamente curta, a banda conseguiu concentrar nesta meia hora toda a sua essência e conquistaram inequivocamente o público, que vibrou sobretudo em temas como Egodescentralizado e O Anjo Exilado. Este último teve ainda em palco como convidado especial o nosso já conhecido Tó Pica, em grande estilo com o cigarro na boca e trajado a rigor, que mostrou estar à altura de se encaixar em bandas com perfis bastante diferentes. Terminando com O Escaravelho, esta foi para mim uma das melhores actuações do dia, batendo a presença em palco das bandas internacionais.

Setlist: A Procissão dos Édipos | Egodescentralizado | Desgraçado de Bordo | Gatos do Asfalto | Engodo | O Anjo Exilado | O Escaravelho

 

MOONSORROW

Folk/Viking Metal – Finlândia

A primeira banda internacional a tocar no palco do Vagos Open Air 2013 foram os finlandeses Moonsorrow, de longe a banda mais pesada do dia. Faltavam 10 minutos para as 19 horas quando os guerreiros viking do norte, como sempre devidamente manchados do sangue e suor das batalhas, travaram a sua guerra de conquistar o público, tendo para isso apostado em dois temas de abertura que não têm normalmente constado nas suas últimas actuações, presenteando assim os fãs com músicas icónicas mais antigas. Do álbum mais recente só mesmo o último tema, Kuolleiden Maa, a terra dos mortos.

Num concerto sólido, intenso e com uma boa interacção com o público, foi sobretudo quando tocaram a Sankaritarina que os presentes se manifestaram mais efusivamente. Não tendo atraído tanto público quanto seria de esperar, provavelmente por serem uma banda um pouco deslocada do resto do cartaz do dia 9, foi um espectáculo ao nível da reputação da banda que pecou apenas por não terem tocado mais. Faltaram pelo menos as faixas Huuto e Pimeä para, pelo menos eu, me sentir completamente satisfeito. Aguarda-se que regressem a Portugal para um concerto mais longo!

Setlist: Unohduksen Lapsi | Köyliönjärven Jäällä | Taistelu Pohjolasta | Sankaritarina | Kuolleiden Maa

 

EVERGREY

Power/Progressive Metal – Suécia

Depois da uma pausa que muitos aproveitaram para jantar, foi a vez dos suecos Evergrey subirem a palco, por volta das oito e vinte. Com a longa introdução de mais de 5 minutos When the Walls Go Down, um spoken word hipnotizante, a plateia foi-se compondo. A banda liderada por Tom Englund partiu então para um concerto com uma setlist muito bem composta, onde não faltaram clássicos como Monday Morning Apocalypse, Rulers Of The Mind, The Masterplan, A Touch Of Blessing e a balada I’m Sorry, intercalados pelos êxitos mais recentes.

No geral foi uma actuação bastante profissional, irrepreensível a nível técnico e vocal. No entanto, faltou alguma empatia com o público, tornando o concerto algo morno nalguns momentos. Os Evergrey parecem mais talhados para o estúdio do que propriamente para um concerto ao vivo, ou então foi apenas um dia em que faltou à banda mais uma pontinha de energia. Decerto não decepcionou os fãs, uma vez que não faltou nenhuma música icónica e a voz do Tom ao vivo é espectacular, mas não foi dos melhores momentos da noite.

Setlist: When the Walls Go Down | Recreation Day | Frozen | Monday Morning Apocalypse | Soaked | As I Lie Here Bleeding | Wrong | Leave It Behind Us | I’m Sorry (Dilba cover) | Blinded | Rulers of the Mind | The Masterplan | Broken Wings | A Touch of Blessing

 

SONATA ARCTICA

Power Metal – Finlândia

Um espectáculo sinfónico, ultra melódico e teatral, de irrepreensível qualidade técnica e com muito romantismo. Assim pode ser descrita a actuação da segunda e última banda finlandesa da noite (praticamente o oposto visual e sonoro dos Moonsorrow), que começou menos de 10 minutos depois da hora marcada. Os Sonata Arctica sabem por certo dar espectáculo, sobretudo pela presença em palco do vocalista Tony Kakko, irrequieto e cheio de malabarismos teatrais.

No momento mais melódico de todo o Vagos 2013, foi com uma energia impressionante que a banda conquistou o público, num concerto que só pecou por a voz parecer um bocadinho baixa demais, nem sempre audível na perfeição. Este concerto foi o momento mais alto da noite, num crescendo que teve especial emoção e adesão por parte do público na parte final, a partir da faixa I Have a Right. Seguiram-se temas marcantes como The Last Amazing Grays, Paid in Full, FullMoon e Replica, alguns dos momentos mais brilhantes desta impecável actuação.

Fechando como sempre com o bem disposto Vodka, a banda despediu-se com algum excesso de emoção, parecia quase que estávamos a assistir à própria ascensão triunfal da banda aos paraíso. Certo é que foi um concerto que deliciou os fãs e que justifica a banda ter o estatuto que tem dentro do Power Metal.

Setlist: Intro (Wildfire, Part: III – Wildfire Town, Population: 0) | Only the Broken Hearts (Make You Beautiful) | Black Sheep | Shitload of Money | Alone In Heaven | Losing My Insanity | The Day | I Have a Right | The Last Amazing Grays | Broken | Paid in Full | Tallulah | FullMoon | Replica | Cinderblox | Don’t Say a Word | Vodka (Hava Naguila)

 

LACUNA COIL

Alternative/Gothic Metal – Itália

O primeiro dia fechou com aqueles que foram, a par dos The Gathering na primeira edição, os únicos cabeças de cartaz da história do Vagos a gerar uma onda de contestação. Ambas as bandas foram precursoras do movimento female fronted Gothic Metal na década de 90, tendo dado um contributo de qualidade inegável para o mesmo. No entanto, os tempos de glória já lá vão, e isso viu-se com a pouca adesão de público, tendo estado menos gente para Lacuna Coil do que tinha estado para Sonata Arctica.

Praticamente à meia noite em ponto subiu a palco o carismático duo de vocalistas Cristina Scabbia e Andrea Ferro, ela bela e afinada como sempre e ele enérgico e vibrante. A presença em palco da banda é incrível e vê-se que gostam mesmo daquilo que fazem. No entanto, parece também que os temas que a banda mais gosta de tocar são os que menos cativam o público, tendo sido os mais antigos Heaven’s a Lie, Swamped e a cover dos Depeche Mode Enjoy The Silence os momentos mais altos do concerto.

Dos temas mais recentes, destaques para o excelente desempenho em Kill the Light, End of Time, Trip the Darkness e Spellbound, bem recebidos pelo público e contrastando com a monotonia dos temas que não referi. Se a voz da Cristina foi cristalina do princípio ao fim, melhor ao vivo ainda do que em estúdio, o mesmo não se pode dizer do Andrea, que para o final já berrava mais do que cantava. Foi um bom espectáculo, de uma banda que sabe tocar ao vivo, mas de longe o headliner que menos gostei de ver (mesmo sendo fã incondicional dos primeiros trabalhos da banda) de todas as edições do Vagos.

 

Setlist: Intro | I Don’t Believe in Tomorrow | I Won’t Tell You | Kill the Light | Heaven’s a Lie | Fragments of Faith | To the Edge | Swamped | Fragile | End of Time | Survive | Intoxicated | Enjoy the Silence (Depeche Mode cover) | Our Truth | Upsidedown | Trip the Darkness | Spellbound

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