WEB

Thrash Metal – Portugal

Com a pontualidade que caracteriza o Vagos, a primeira banda do segundo dia subiu a palco às 17 em ponto, para tocar o seu maduro Thrash, cheio de técnica e riffs demolidores. Infelizmente, devido a alguns problemas para entrar no recinto, dada a falta de informação sobre o que realmente se poderia levar lá para dentro, quando finalmente consegui chegar ao palco já os Web iam a meio, no final do tema Awake.

Relativamente aos outros três temas que tive oportunidade de assistir, fica a nota para um banda bastante profissional em palco, com garra e ambição que fizeram o público reagir bem com mosh pit e muito headbanging. A (In)Sanity foi brutal, bem como o habitual final com a If Only There Was Light. Sem dúvida uma das bandas nacionais mais adequadas para abrir um dia que fecharia com Testament.

Setlist: Life Aggression | Mortal Soul | Awake | (In)Sanity | Beautiful Obsession | If Only There Was Light

 

TARANTULA

Heavy/Power Metal – Portugal

Num dia em que a pontualidade foi quase sempre ao minuto, foi às 17:45 que se ouviram os primeiros acordes dos experientes Tarantula, uma das mais antigas bandas de Metal nacional, com uma reputação que fala por si. Certo é que tantos anos de existência conceberam uma banda que sabe estar em palco e dar um bom espectáculo, com a energia do seu Heavy/Power Metal mais melódico a saltar à vista logo nos primeiros três temas, todos eles retirados do seu último álbum de originais, o Spiral of Fear de 2010.

Sempre com o apoio do público, composto por muita gente da velha guarda, a banda partiu depois para uma deambulação entre temas mais antigos, quatro faixas escolhidas a dedo acompanhadas de uma performance técnica e vocal digna para a dimensão do festival. Embora conhecesse bem a sua discografia, nunca tinha visto Tarantula ao vivo, revelando-se a banda uma surpresa agradável e um exemplo de profissionalismo.

Setlist: Spiral of Fear | Afterlife | Dark Age | The Nature of Sin | You Can Always Touch the Sky | Changes Coming | Face the Mirror

 

ROTTING CHRIST

Black/Extreme Metal – Grécia

Um ritual funesto de furiosa possessão demoníaca, importado directamente da Grécia, não aquela que hoje está morta pelo FMI, mas aquela que outrora resplandecia numa imagem de glória e esplendor. Os Rotting Christ protagonizaram um dos momentos mais altos de todo o festival, ao invocar os deuses inferiores numa actuação hipnotizante, louca, intemporal. Abrindo com a antiga The Forest of N’Gai, foi ao terceiro tema, o primeiro dos dois do novo álbum que a banda tocou em Vagos, que as coisas realmente começaram a aquecer na plateia, com o público a delirar nas filas da frente.

Seguiu-se a épica King of a Stellar War, tema menos agressivo que deu uma pequena pausa para respirar. A cover Societas Satanas dos Thou Art Lord foi muito bem conseguida, abrindo para aquele que seria o auge do concerto. In Yumen-Xibalba possuí as almas dos presentes, com um dos mosh pits e momentos de headbanging mais furiosos e rápidos de todo o festival. Sem dúvida uma banda imperdível ao vivo, com uma boa interacção com o público e perfeita para libertar energia. Pecou apenas por curto, uma hora é pouco!

Setlist: The Forest of N’Gai | Athanati Este | Kata ton Demona Eautou | King of a Stellar War | The Sign of Evil Existence | Transform All Suffering Into Plagues | Societas Satanas (Thou Art Lord cover) | In Yumen-Xibalba | Chaos Geneto (The Sign of Prime Creation) | Non Serviam | Noctis Era

 

ICED EARTH

Heavy/Power Metal – E.U.A.

O primeiro dos dois gigantes norte-americanos do dia 10 subiu a palco mais uma vez à hora marcada, destacando-se desde logo o facto de todos os elementos da banda usarem os clássicos casacos de ganga azul. Abrindo com o single mais badalado do último álbum, Dystopia, os Iced Earth começaram a todo o gás, com três temas demolidores a abrir. O concerto acabou por perder algum gás quando se seguiram alguns temas mais calmos e melódicos, mas muito bem executados, com a voz do Stu perfeita ao vivo.

Destaque nesta fase a meio do concerto para o tema mais revolucionário V, onde se ergueu nas mãos do vocalista a famosa máscara dos Anonymous, o V de Vendetta que esteve sempre presente em palco em frente à bateria. Sempre comunicativo e com um público a responder da melhor forma, Stu e companhia voltaram a algo mais agressivo com o tema do último álbum Boiling Point. Depois da balada mais sentida Watching Over Me, o final do concerto foi como começou, furioso e enérgico, com os clássicos Iced Earth e o encore com The Hunter a darem o final adequado a um concerto memorável. Espera-se que dia 18 de Janeiro no Paradise Garage seja ainda melhor!

Setlist: Dystopia | Dark Saga | Pure Evil | Burning Times | I Died for You | V | A Question of Heaven | Anthem | In Sacred Flames | Boiling Point | Watching Over Me | Iced Earth | The Hunter

 

GAMMA RAY

Power Metal – Alemanha

A notícia do cancelamento dos Saxon ensombrou o primeiro dia, mas foi com um respiro de alívio que alguns acolheram a notícia daquela que seria a banda de substituição. Numa operação relâmpago, a organização do Vagos conseguiu sacar nada mais nada menos que os Gamma Ray de Kai Hansen, um grande nome que, estranhamente, muitos pareciam não conhecer, ouvindo-se até algumas vozes de revolta dos que só tinham comprado bilhete para ver Saxon.

Qualquer dúvida que houvesse em relação à competência dos Gamma Ray para os substituírem dissipou-se rapidamente. A banda teve uma prestação surpreendentemente brilhante, conseguindo ser, discutivelmente, a melhor banda do dia. Foram recebidos efusivamente pelo público, contagiado pela enorme energia e qualidade técnica demonstrada em palco pelos alemães. Tocando uma setlist improvisada semelhante às suas últimas datas na Ásia, acrescentando alguns temas para chegarem à hora e meia, a banda visitou um pouco de toda a sua discografia e apresentou ainda dois temas a constar no novo álbum, Master of Confusion e Empire of the Undead.

O momento alto da noite começou com um solo de guitarra de Henjo Richter, que abriu para dois temas de Helloween, com destaque para a adesão no público no épico I Want Out. O concerto fechou com dois dos maiores clássicos da banda, To the Metal e Send Me a Sign, com a banda rendida ao público e vice-versa.

Setlist: Welcome | Anywhere in the Galaxy | Men, Martians and Machines | The Spirit | New World Order | Introduction | Dethrone Tyranny | Master of Confusion | Empire of the Undead | Empathy | Rise | Rebellion in Dreamland | Guitar Solo | Future World (Helloween cover) | I Want Out (Helloween cover) | To the Metal | Send Me a Sign

 

TESTAMENT

Thrash Metal – E.U.A.

Uma rapidinha. Este ano, os cabeças de cartaz mais aguardados fizeram rolar cabeças de frustração. Os míticos Testament foram a única das 12 bandas do Vagos 2013 a começar o concerto com um atraso significativo, de quase 20 minutos, devido a um soundcheck extremamente prolongado. Após o público aquecer cá em baixo com uns bem dispostos temas de Comme Restus, Chuck Billy e companhia lá subiram então a palco, para uma entrada demolidora com Rise Up. A multidão foi à loucura com as sucessivas malhas, num início de concerto quase maioritariamente composto por temas do último álbum da banda.

A verdadeira bomba explodiu quando os Testament começaram a tocar os clássicos, com o Chuck a incentivar o público do mosh antes da Into the Pit. A partir daí e até ao final, foram só clássicos. No entanto, a banda parecia que não estava ali. Tudo era automático, a interacção com o público era quase robótica, aquilo que se vê em todo o lado. O Chuck aldrabava as letras, parecendo aborrecido e cansado, mas a plateia lá foi saltando em êxtase. Afinal de contas, era Testament!

O momento mais alto e o momento mais baixo desta edição do Vagos ficaram reservados para o final. A música que o público pedia quase desde o início finalmente veio, toda a gente explodindo em loucura com a Over the Wall. Com pouca cerimónia a banda saiu de palco, ficando o público uns bons 10 minutos a pedir para um encore que nunca chegou. A música ambiente foi ligada e o DJ começou a tocar. Os Testament saíram de palco uma hora após terem começado, sem despedida, sem encore. Uma balde de água fria ainda maior que o cancelamento dos Saxon

Setlist: The Star-Spangled Banner (John Stafford Smith song) | Rise Up | More Than Meets the Eye | Native Blood | True American Hate | Dark Roots of Earth | Into the Pit | Practice What You Preach | The New Order | The Preacher | Alone in the Dark | D.N.R. (Do Not Resuscitate) | 3 Days in Darkness | Over the Wall

3 Responses

  1. João Jordão

    Alguns reparos. No texto de Gamma Ray há alguns erros, nomeadamente o solo do guitarrista Henjo Richter (não Dirk Schlachter, esse é o baixista). A banda apresentou dois temas do novo álbum, e não um. E o To The Metal está longe de ser um clássico, para mim é até uma das músicas menos conseguidas destes génios (mas isso já fica para a opinião de cada um :))

    De resto, também senti que alguma coisa de esquisito se passou com Testament.

    Um obrigado pelo artigo, cheers m/

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  2. Andre Figueiredo

    Viva, excelente reportagem.
    Concordo perfeitamente com o que dizes sobre os Testament. Tinham tudo para ser o melhor da noite e terminaram em desilusão. Fiquei com a sensação que o Chuck estava com problemas na voz.

    Gamma Ray foi fantástico e a prova que a este nivel não é por falta de tempo que não se dão grandes concertos (testament….)
    Só uma nota, “I want out” e “Future world” não são covers dos Helloween. São musicas escritas pelo Kai Hansen, nos tempos em que era membro (e mentor) dos Helloween.
    Obrigado pela reportagem!

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