Dez anos de WAKO são dez anos de essência que sobrepõem a natureza humana à sua desordem psicológica. Dois discos, “Deconstructive Essence” e “The Road Of Awareness”, depois de uma demo e um EP de estreia que fizeram soar os primeiros alarmes. A qualidade dos dois referidos álbuns centralizaram a banda oriunda de Almeirim, fazendo-a a chegar a vários pontos do país antes de se expandir para o mercado americano e europeu (com foco nas suas ‘expedições’ ao Reino Unido). Mas a 15 de Junho, foi Lisboa e a sua República da Música que acolheram o décimo aniversário de actuações de WAKO.

A cargo da primeira parte estiveram os Primal Attack, banda recente em ascensão, embora já um pouco rodada, que aproveitou a ocasião para revelar o seu breve lançamento de álbum de estreia, intitulado “Humans” para o mês seguinte. Foi, obviamente, com temas desse trabalho que o quinteto vocalizado por Pica se mostrou e aqueceu quem se deslocou à sala nesse sábado. Miguel e Tiago continuam a esbanjar riffs orelhudos com qualidade, à medida que o baixista Miranda se chega à frente para se fazer ouvir. Um som coeso de uma banda que já parece ter anos disto. Se a fórmula do seu thrash/groove se mantiver, a banda irá crescer com uma velocidade recorde em solo nacional.

Mas a noite era dos WAKO e ficou dos WAKO. Com um ecrã a ilustrar projecções ao fundo do palco, ‘The Shape Of Perfection’ foi mote para a primeira explosão, seguindo-se a visita ao primeiro disco para puxar pelas primeiras vozes do público ao microfone de Nuno Rodrigues, esteve ‘Eternal Spiral’. Um som elevado, robusto e pesado, assim como uma presença inesgotável do próprio Nuno, foram suficientes para fazer suar a audiência, cada vez mais entusiasmada em temas como ‘Dissonant Dark Dance’, que terminou com um «Parabéns a você…» em uníssono. A voltar ao passado estiveram temas como ‘My Misery’ ou a potente ‘Temple Of The Sick Degenerated Beast’, ainda antes de Tiago Mesquita, fã da banda, subir ao palco para tocar na guitarra ‘Drifting Beyond Reality’ no lugar de Johnny, numa noite em que também Daniel Cardoso, baterista que gravou o álbum “The Road Of Awareness” e actual membro dos britânicos Anathema, subiu ao palco para dar o seu contributo. Até ao final do concerto, a a suspeita confirmou-se: os WAKO são uma máquina devoradora de concertos, cada vez mais oleada e preparada para mais dez anos. E esperamos que ainda melhores.

Para as costas ficaram alguns momentos memoráveis na sua carreira, como as suas digressões fora de portas ou a partilha de palco com Soulfly no Coliseu de Lisboa, que justificam os seus famosos wall-of-death e afastam alguns episódios de azar de que a banda tem sido alvo ao longo dos anos – quem não se recorda do dia em que a banda iria subir ao palco do Pavilhão Atlântico para abrir Megadeth e Slayer? Seja como for, a banda teima em prevalecer forte, fria e digna para com a sua carreira, deixando para trás dez anos. Para a frente, esperemos pelo menos mais dez… mas essa história ainda não podemos contar.

Fotografia por Nuno Bernardo e Diogo Oliveira
Texto por Nuno Bernardo

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