Black Star Riders é o novo nome de uma das mais icónicas e marcantes bandas do hard rock. Para o lançamento do seu novo álbum intitulado All Hell Breaks Loose (que pode ser ouvido na integra no fim deste artigo) lançado a 27 de Maio de 2013, os membros decidiram mudar o nome da banda, em honra ao lendário frontman Phil Lynott, e instituíram em Dezembro de 2012 um novo grupo.

No entanto, este especial presta homenagem ao “velho grupo” que esteve em actividade entre 1969 e 1983 liderados pelo lendário Phil Lynott. Na semana em que Black Star Riders (ex-Thin Lizzy) lançaram um novo álbum de estúdio, a Ruído Sonoro preparou mais esta revisão discográfica para lhe dar a conhecer com maior profundidade a história de uma das mais lendárias bandas do hard rock.

Thin Lizzy – 1971

Nota: 7,5/10

4443É muito provavelmente um dos mais subvalorizados álbuns da discografia dos Thin Lizzy, talvez porque a direcção musical não estava inteiramente definida ou pura simplesmente porque é um álbum realmente diferente do que mais tarde a banda vinha a compor. É com certeza um álbum mais emocional e mais sentido, pelo menos por parte do grupo irlandês. Faixas como: “Honesty Is No Excuse”, “Diddy Levine”, “Remembering”, “Dublin” ou “Things Ain’t Working Out Down At The Farm” têm elementos bastante sentimentais, e muitas delas, verdadeiramente nostálgicos para a banda, seja como for as guitarras ainda se conseguem evidenciar em alguns dos melhores momentos deste álbum. Talvez o parâmetro menos trabalhado é a produção do disco que deixa um pouco a desejar, independentemente da produção, Thin Lizzy parece-me um álbum bastante credível e apesar de não ser um início fulgurante e poderoso, foi um início mais emocional e com claros sinais do que os fãs poderiam esperar no álbuns seguintes.

Destaques: “Honesty Is No Excuse”, “Ray-Gun”, “Diddy Levine”, “Remembering”, “Dublin” e “Things Ain’t Working Out Down At The Farm”.

Thin Lizzy – Thin Lizzy (álbum na integra)


Shades of a Blue Orphanage – 1972

Nota: 6,5/10

220px-Thin_Lizzy_-_Shades_of_a_Blue_OrphanageEste é o meu álbum menos preferido, é o disco em que a banda parece não só se ter desligado do que tinha conseguido fazer no disco de estreia, mas também é o disco em que fez algo completamente diferente dos futuros álbuns da banda. A vertente mais emocionante e nostálgica presente no primeiro álbum não está presente neste lançamento de 1972, nem a vertente mais espectacular e “rockeira” também presente em Thin Lizzy está presente neste álbum. Dá a sensação de ser um disco com pouca personalidade e com pouca força, apesar disso a sua produção melhorou um pouco e consegue ter ainda duas ou três músicas dignas de destaque.

Destaques: “The Raise And Dear Demise Of The Funky Normadic Tribes”, “Sarah“, “Call the Police” e “Shades of a Blue Orphanage”.


Vagabonds of the Western World – 1973

Nota: 7,5/10

jim-fitzpatrick-vagabondsAgora sim! Neste álbum já se nota a vertente mais hard rock, pelo qual a banda ficou tão conhecida. São claramente mais atrevidos em quase todas as faixas, tanto em termos das letras das músicas como instrumentalmente. Qual o verdadeiro fã de rock que não aprecia faixas como “The Rocker” ou “The Hero and Madman”? É neste disco, o seu terceiro, em que a banda consegue uma maior projecção comercial e consegue com este disco uma maior apreciação por parte dos críticos profissionais que até então pareciam estar a ignorar o grupo irlandês. A produção, performance dos membros do grupo, conceito e arranjos instrumentais têm uma evolução francamente positiva em comparação com os anteriores álbuns.

Destaques: “Mama Nature Said”, “The Hero and Madman”, “The Rocker”, “Vagabond of the Western World” e “A Song for While I’m Away“.


Nightlife – 1974

Nota: 7,5/10

Thin-Lizzy-Nightlife---Space-62818Nesta altura a banda já não era nova e inexperiente, a banda já tinha um historial a proteger e neste álbum joga um pouco pelo seguro. A direcção musical é muito na linha do anterior, o que é uma boa notícia, no entanto ainda se sente que o grupo não deu o salto necessário para atingir o nível lendário que mais tarde atingiu. O álbum acaba por ser relativamente inconstante com o humor das faixas a variar, quase de faixa em faixa. O sucesso que “She Knows” teve ajudou a banda a ter uma maior visibilidade comercial e a espectacular e emocionante “Still in Love With You” conseguiu demonstrar a polivalência musical do grupo. Já desde Vagabonds of the Western World que a produção não era problema e assim continuou em Nightlife. A alegre e quase jovial “Sha-la-la” dão ao álbum uma face mais descontraída em oposição com a muito sentimental “Philomena” dedicada à Mãe de Phil Lynott. Seja como for consegue-se verificar o gosto que o grupo irlandês tem em compor músicas bastante emocionais e quase depressivas com “Frankie Caroll”, “Dear Heart” e até posso mencionar a séria “It’s Only Money”. Não quero dizer que é um álbum subvalorizado, mas é com certeza um álbum que muitas das vezes é esquecido pelos fãs dos Thin Lizzy.

Destaques: “She Knows“, “Night Life“, “Showdown”, “Still In Love With You“, “It’s Only Money“, “Dear Heart” e “Sha-la-la“.


Fighting – 1975

Nota: 7,3/10

4445Apesar de ter músicas bastante reconhecidas como “Wild One”, “Suicide” ou “Fighting My Way Back”, as pontuações são dadas aos álbuns e não a faixas específicas. Como o anterior, este lançamento de 1975 é mais um disco relativamente inconstante com faixas espectaculares, como as mencionadas acima, mas também com músicas pobres em termos gerais. Por exemplo, “King’s Revenge” deveria estar noutro álbum e não neste, não diz com a personalidade “rockeira” do disco, tal posso dizer de “Silver Dollar” ou “For Those Who Love to Live” que estão claramente a mais neste disco. Seja como for é um dos discos mais pesados da banda, sem dúvida alguma. No entanto, sofre pela falta de seguimento lógico com faixas que poderiam estar mais bem definidas e pensadas.

Destaques: “Suicide”, “Wild One”, “Fighting My Way Back”, “Spirit Slips Away” e “Ballad of a Hard Man”.

Thin Lizzy – Fighting


Jailbreak – 1976

Nota: 9/10

thin_lizzy-jailbreak_60589994É claramente um dos mais reconhecidos álbuns de todos os tempos e um dos melhores da banda irlandesa. Uma das razões para uma fama tão duradoura é a constante preocupação que a banda tem em manter uma direcção muito hard rock e por vezes heavy metal, deixando as baladas que até então eram tão frequentes. Desde as pesadas “Jailbreak”, “Emerald” ou “Angel from the Coast” até à lenta e melancólica “Fight or Fall” ou até à comercial “The Boys Are Back In Town”, este álbum consegue ter um pouco de tudo mas a preocupação essencial é em manter uma toada pesada e muitas vezes heavy metal. É neste álbum que o grupo faz a sua melhor exibição e é neste disco que a banda apresenta um dos melhores trabalhos ao nível da produção. É a partir desta data que os Thin Lizzy começam a apresentar uma maior robustez e regularidade ao nível da qualidade dos seus discos.

Destaques: “Jailbreak”, “Angel from the Coast”, “The Boys Are Back In Town”, “Fight or Fall”, “Emerald” e “Cowboy Song”.

Thin Lizzy – Jailbreak (álbum na integra)


Johnny The Fox – 1976

Nota: 8,5/10

220px-Thin_Lizzy_-_Johnny_the_FoxLançado no mesmo ano que o fantástico Jailbreak, Johnny The Fox tem o intuito de ser uma continuação do seu predecessor, seguindo a forma de um álbum conceptual. É outro dos excelentes lançamentos da banda mas quando comparado com o anterior dá a sensação de não ter a mesma qualidade global. A produção não é tão “limpa” como poderia ser e apesar da banda se apresentar com o mesmo nível de empenhamento e de qualidade, as suas composições não conseguem ser tão inspiradoras. De mencionar que este álbum foi composto numa altura muito difícil para o grupo e que pode até servir de atenuante, seja como for, quando criticado objectivamente é óbvio que este álbum acaba por ser relativamente pior que o anterior, mesmo apresentando as violentas “Johnny” e “Rocky” , a pesada “Massacre”, a lenta “Borderline” e a curta mas muito boa “Don’t Believe a Word”.

Destaques: “Johnny”, “Rocky”, “Massacre”, “Don’t Believe a Word”, “Borderline”, “Boogie Woogie Dance” e “Sweet Marie”.

Thin Lizzy – Johnny The Fox (álbum na integra)


Bad Reputation – 1977

Nota: 9,4/10

thin_lizzy-bad_reputationÉ um dos quatro álbuns quase perfeitos que a banda tem na sua discografia. Todo o álbum é digno de destaque e é muito difícil escolher músicas individualmente. Desde as fortes e impactantes “Bad Reputation” ou “Dear Lord” até à alegre “Dancing in the Moonlight”, o grupo irlandês consegue mais uma vez demonstrar uma polivalência musical que se consegue apenas em bandas do calibre lendário que Thin Lizzy tem. A única razão que não dou a nota perfeita é porque em comparação com outros álbuns da época com nota 10, se verifica uma diferença não só ao nível de conceito como de importância para a indústria musical. Apesar da banda ter conseguido lançar álbuns, de facto, espectaculares não parece ter atingido a perfeição que outros álbuns como Machine Head, 2112 ou A Trick of the Tail conseguiram atingir. Seja como for, é muito difícil escolher destaques individuais, já que o álbum consegue ter uma consistência incrível e ter composições excelentes e seria uma pena escolher músicas individuais num álbum que se complementa tão bem.

Thin Lizzy – Bad Reputation


Black Rose: A Rock Legend – 1979

Nota: 9,5/10

220px-Thin_Lizzy_-_Black_Rose_A_Rock_LegendUm ano após o perfeito álbum ao vivo intitulado Live And Dangerous Thin Lizzy lança o que, juntamente com o lançamento de 1983, é o seu melhor trabalho e um dos mais importantes na discografia dos Thin Lizzy. É claramente um dos mais importantes para o grupo não só a nível pessoal como artístico. Contém o som clássico da banda, que foi principalmente implementado desde Vagabonds of the Western World, com principal destaque para o cavalgante som do baixo de Phil Lynott e as guitarras de Gary Moore e Scott Gorham. O grupo funciona novamente na perfeição com uma solidez que deve ser atribuída à poderosa bateria de Brian Downey e às inteligentes composições de Phil Lynott. Novamente, este é mais álbum que prima pela polivalência musical, à semelhança de quase todos os discos da banda. É um dos mais respeitados álbuns por parte dos fãs e pela crítica que considera este como o “último álbum com o clássico som dos Thin Lizzy”. Tal como em Bad Reputation existe, para mim, uma certa dificuldade em escolher faixas individuais dum álbum que se complementa tão eficazmente.

Thin Lizzy – Black Rose (álbum na integra)


Chinatown – 1980

Nota: 8/10

thin-lizzy-chinatownApós um álbum quase perfeito, é difícil compor algo que esteja ao nível desse patamar, foi tal e qual o que aconteceu com Chinatown que apesar de não ser um mau álbum, bem pelo contrário, é um disco que deixa um pouco a desejar. Apesar de conter músicas muito importantes e reconhecidas, não contém a mesma inteligência e atrevimento presentes em Black Rose: A Rock Legend. Não foi propriamente bem recebido pelos fãs, mas foi ainda pior recebido pela crítica profissional que o considerou “uma desilusão”. Apesar de tudo, gostaria salientar a importância de “We Will Be Strong”, “Chinatown” ou “Killer On the Loose” que são claramente as melhores faixas do álbum e que apresentam o fervor de Lynott e do resto da armada.

Destaques: “We Will Be Strong“, “Chinatown“, “Killer On the Loose“, “Sweet Heart” e “Hey You


Renegade – 1981

Nota: 7/10

4452Esta é a prova que apesar de muitos dos álbuns dos Thin Lizzy não serem verdadeiras obras-primas também nunca eram maus. A banda tinha a capacidade de lançar álbuns relativamente credíveis mesmo quando o trabalho final não é exactamente espectacular. Renegade lançado em 1981 não é propriamente adorado pelos fãs ou crítica mas mesmo assim contém duas ou três faixas que tiveram algum impacto comercial e é um álbum relativamente subvalorizado por uma boa parte dos fãs.

Destaques: “Angel of Death”, “Renegade”, “Hollywood (Down on your Luck)”, “Leave This Town” e “It’s Getting Dangerous”.


Thunder And Lightning – 1983

Nota: 9,5/10

4453É o último trabalho do grupo irlandês e é um dos mais importantes na discografia da banda mas também para a indústria musical. É o disco mais violento e pesado do grupo, o título é perfeito para o disco que produziram, é uma referência ao impacto e à força de um trovão. Thunder And Lightning é uma expressão de força e um grito de revolta, desde a fortíssima “Thunder And Lightning” até à melódica e inteligente “Heart Attack”, é mais um álbum em que tenho dificuldade em escolher destaques individuais. A produção do álbum está ao nível do Jailbreak ou Bad Reputation e o seu conceito é dos mais atrevidos e ousados conceitos alguma vez concebidos no mundo do hard rock. O grupo irlandês consegue compor um disco raivoso, pesado, rápido e cheio de personalidade com destaque para a polivalência de Phil Lynott e a guitarra de Scott Gorham. O som deste disco já não se assemelha tanto ao hard rock mas sim ao heavy metal numa década de 80 em que o heavy metal já não dominava assim tanto. Dá a sensação que o álbum soa a premonição do que aí vinha para o futuro da banda com a morte de um dos carismáticos vocalistas/baixistas alguma vez existentes, Phil Lynott.

Thin Lizzy – Thunder And Lightning Tour (concerto na integra)

Apesar de não ter tido um dos inícios mais fulgurantes no hard rock, a banda começou a acordar e a acertar a sua identidade. Rapidamente, a banda que não era valorizada pela crítica passou do papel secundário para o principal numa questão de anos. Principalmente desde Jailbreak que lhe permitiu ter um maior fulgor comercial e maior apreciação por parte da crítica. Phil Lynott ganhou maior destaque e tornou-se num dos mais carismáticos vocalistas/baixistas de todos os tempos tendo falecido em 1986. Mesmo com a morte do amigo, o resto da banda e futuros membros decidiram continuar o legado tocando nos mais diversos concertos e festivais pelo mundo fora, o nome Thin Lizzy continuou a sobreviver activamente graças às excelentes exibições ao vivo da banda. Seja como for em 2012, Scott Gorham e restantes membros decidiram mudar o rumo e seguir em frente, continuando o legado da banda de uma forma diferente. Em Dezembro de 2012 foi oficialmente instituído o grupo Black Star Riders que lançou o seu primeiro álbum a 27 de Maio de 2013.

Apesar deste artigo ser inteiramente dedicado aos Thin Lizzy antigos, gostaria também de lhe dar a oportunidade de ouvir o novo álbum da banda intitulado All Hell Breaks Loose, e devo desde já dizer que é um bom álbum, não é propriamente um clássico dos Thin Lizzy mas contém excelentes momentos de hard rock e com ligeiras parecenças com o som clássico da banda com “Bound For Glory”, mas também contém elementos da nova direcção musical que a banda quer ter daqui adiante com faixas como “All Hell Breaks Loose” ou “Kingdom of the Lost”, por exemplo. Black Star Riders são formados por Ricky Warwick (voz e guitarra), Scott Gorham (guitarra), Damon Johnson (guitarra), Marco Mendoza (baixo) e Jimmy DeGrasso (bateria).

Normalmente este tipo de artigos não têm aquilo que os leitores mais querem, que é um belo conjunto de vídeos sejam eles concertos ou apenas videoclips. Abaixo podem ser verificados alguns vídeos que penso serem do mais profundo interesse para qualquer fã da banda, ou para aqueles que querem conhecer melhor o grupo irlandês, principalmente considerando que Thin Lizzy já não existem.

Thin Lizzy – “Whiskey in the Jar” (video)

Thin Lizzy – “Rosalie” (vídeo)

Thin Lizzy – “Little Darling” (vídeo)

Thin Lizzy – “Dedication” (vídeo)

Thin Lizzy – “Broken Dreams” (vídeo)

Thin Lizzy – Live in Philadelphia (álbum na integra)

Thin Lizzy – Live And Dangerous (álbum na integra)

Thin Lizzy – Live in Sydney Opera House 1978 (concerto na integra)

Thin Lizzy – Live RockPalast 1981 (concerto na integra)

Gary Moore – One Night in Dublin: A Tribute to Phil Lynott (concerto na integra)

Especial BBC4: Thin Lizzy1/4, 2/4, 3/4, 4/4 (documentário)

Black Star Riders – All Hell Breaks Loose (streaming: álbum na integra)

// João Braga

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