A RUÍDO SONORO, apoiante na divulgação do ascendente festival de metal de Beja desde a sua terceira edição, trocou algumas palavras com a organização de modo a esclarecer e clarificar as tendências e as intenções de oferecer um cartaz elaborado e livre de custos, assim como o seu impacto na cidade. Para 2013 há nomes como Doom – sim, os britânicos – Ibéria, Process Of Guilt, Grog, Sacred Sin, Holocausto Canibal, Gwydion, Crise Total, Midnight Priest, entre outros. Segue-se então a entrevista, em que Vítor Paixão (pai) e Vítor Domingos (filho) não se contiveram em responder a várias perguntas do “nosso” Nuno Bernardo.

RUÍDO SONORO: Como surgiu o Santa Maria Summer Fest?
Vitor Paixão: Surgiu de uma forma bastante engraçada; passados 6 meses sobre a minha eleição como presidente da junta de freguesia de Santa Maria – Beja, recebi um formulário da Câmara para, de entre diversos artistas escolher 4 espectáculos para realizar no verão, na minha freguesia, no âmbito de uma iniciativa denominada ANIBEJA; ao olhar para tal lista reparei que se tratava sempre de música popular (uma na sua versão tradicional, outra na sua versão pimba); depois, um desses espectáculos seria pago pela Câmara e os restantes três pela Junta, ao que pensei: então tenho que pagar 3 espectáculos e fazer o que outros querem? Foi então que resolvi fazer algo diferente e pelos €600 que a Câmara nos disponibilizava para um dos espectáculos resolvi então fazer um de Heavy Metal, com os Prayers of Sanity, Adamantine, Sordid Sight e Inquisitor, isto em Agosto de 2009; tinha sido dado o tiro de partida para o SMSF (que se chamou na altura ANIBEJA Metal Fest).

RS: Existe a intenção de ir sempre aumentando a aposta na sua divulgação e no seu crescimento ano após ano?
Vitor Domingos: Claro, e é o que tem acontecido. Inicialmente (nas duas primeiras edições), pouco nos preocupávamos com a divulgação, pois pensávamos que o que fazíamos era suficiente, mas depressa concluímos que assim de facto não era. Hoje em dia temos muitos mais canais, meios e ideias para anunciar o festival pelo pais fora (inclusive fora do pais). Em relação ao crescimento, a cada ano isso tem-se verificado e são mais as entidades privadas a apostar no nosso festival, pois de facto tem-se provado como um potencial meio de crescimento momentâneo para o comercio local, nomeadamente na área da restauração e da hotelaria (este ano é o primeiro que conta com apoios privados).

RS: De alguma maneira, acredita-se que Beja se torne num local importante na cena da música extrema em Portugal devido a este evento?
Vitor Paixão: O objectivo é esse. Sendo presidente de uma Junta de Freguesia, apreciador de Metal, porque não utilizar alguma influência em prol de todo um conjunto de pessoas que se vê privado de assistir a concertos, quer por razões económicas, quer pela distância. Assim, não só satisfaço a população da minha cidade (alguma dela), como a coloco na rota da música extrema underground, sem contudo descurar as principais competências e objectivos que cabem à Junta. Para além disso, irrita-me profundamente que a oferta cultural da cidade ande sempre à volta do mesmo; não que não seja de qualidade, mas invariavelmente somos e seremos sempre os esquecidos, assim porque não tentar mudar isso?

RS: Reparámos que existe um cuidado especial na confirmação das bandas a cada ano. Há algum motivo forte para que não se repitam bandas?
Vitor Domingos: Este é o único festival do género desta zona, e como tal, não nos faz muito sentido repetir bandas de um ano para outro, e esta é também uma forma de promover o underground nacional, dando oportunidades ao maior número possível de bandas. Isto também se deve a gostos pessoais, pois eu pessoalmente não gosto de ver bandas repetidas num festival de ano para ano, e ao fim ao cabo o SMSF é um festival feito às nossas medidas.. do género: “Se eu fosse a um festival nacional, o que gostaria de ver? Em que tipo de ambiente gostaria de estar envolvido?”. O SMSF é a nossa resposta a isso.

RS: Para 2013 a aposta no festival parece ter impressionado o país, especialmente quando foi anunciada a presença dos britânicos Doom.. A ideia era mesmo invocar um nome desta dimensão para esta edição?
Vitor Paixão: Claro que sim, temos essa noção, a ideia foi de facto contactar 4 grandes nomes do grindcore/crust internacional e esperar para ver o que acontecia (devo acrescentar que não sou promotor nem pouco mais ou menos). Com a ajuda do meu filho (esse sim um aspirante a promotor [risos]), lançámos o anzol e após muita persistência foram os Doom a “morder o isco”. Nem queiras saber como ficámos contentes em conseguir trazer cá uma banda mítica como eles.

RS: Para além de Doom, os austríacos VxPxOxAxAxWxAxMxC também vêm de fora para dar um sotaque diferente ao evento. A tendência é continuar a apostar em alguns nomes estrangeiros?
Vitor Domingos: Sem dúvida, contudo a base do festival será sempre o underground nacional. Porém, é óbvio que o próprio crescimento do festival obriga-nos a ter cá bandas com outro nome e outra dimensão, e aí teremos de cair na realidade: Portugal é um país pequeno. Porém, garantiremos que haverá sempre uma mão cheia de bandas portuguesas nas nossas futuras edições!

RS: Dificilmente se encontram cartazes tão diversificados e fortes dentro do underground nacional como o deste IV Santa Maria Summer Fest e, ainda assim, a entrada é livre. Como sobrevive a organização para aumentar as suas apostas?
Vitor Paixão: Com muita imaginação e boa vontade, posso acrescentar que o orçamento do festival assenta em 3 bases de apoio, públicas e privadas. Essas bases resultam de muito esforço e trabalho, que passam por negociação e inclusivamente “bater de porta em porta” à procura de patrocínios (este ano até temos ajuda de uma agência funerária!!). Contudo, gostaria de deixar bem claro que a Junta de Freguesia não deu nem nunca dará o passo maior do que a perna, ou seja, existe naturalmente uma verba prevista em orçamento para a sua vertente cultural e por outro lado decidimos associar ao festival um objectivo de cariz social (recolha de bens alimentares e não-alimentares para a Cruz Vermelha Portuguesa e para a Loja Social de Beja), pois dessa forma não só temos mais possibilidades em obter apoios, como de facto ajudamos os mais necessitados.

RS: Para terminar, que expectativas guardam para esta edição?
Vitor Domingos: Muita diversão, grandes espectáculos, muito stage-dive, muito moshpit, muita cerveja, muito convívio.. enfim, terão de vir para ver! E claro, para nós, muito trabalho! [risos]

Santa Maria Summer Fest

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