O segundo dia do Jurassic Club Fest foi dividido em duas partes. Na primeira, com a abertura de portas marcadas para as 15h, o palco denominava-se de Monster Stage e faziam partes do cartaz a duas bandas vencedoras do concurso realizado pela Xuxa Jurássica e pela Vans (Borderlands e Ash is a Robot), os franceses Vera Cruz e ainda a banda portuguesa Hills Have Eyes. Já na segunda parte, na qual o palco voltava a ter o nome Vans Stage, actuaram bandas como X-Cons, Nations Afire, Bury Tomorrow e Strife.

MONSTER STAGE

Por volta das 16h20 os Borderlands começaram o seu set de cerca de 20 minutos. Durante o mesmo os rapazes demonstraram ter um som sólido e coerente, com licks de guitarra desenvolvidos (incorporando tappings, por exemplo) e uma voz potente.

De seguida foi a vez dos Ash is a Robot subirem ao palco da República da Música. A única coisa que se pode concluir de um espectáculo destes (e não estando a diminuir a primeira banda que também deu um excelente concerto) é : os Ash is a Robot ainda vão dar muito que falar. A sua presença em palco é irrepreensível, o as guitarras lembram um Omar Rodríguez-López inspirado, e a bateria é cavalgante. É seguro dizer que no fim do concerto todos estavam boquiabertos, é normal não se esperar uma performance de um patamar tão alto de uma “banda de concurso” como muitos rotulam as bandas vencedoras de concursos.

Pouco depois os “novos” Vera Cruz (“novos” na medida em que o vocalista, Flav, deixou a banda há alguns meses) deram início a mais um concerto nesta tarde quente de sábado. O novo vocalista, após 2 temas, pediu à plateia para lhe ensinar expressões em português, acabando depois por revelar que “também (era) tuga” e descer do palco para ordenar um circle-pit à sua volta. É difícil comparar os “novos” Vera Cruz com os “antigos”, na medida em que pelo menos na sua performance se notam grandes diferenças, tanto na forma de interagir com o público como na postura (falando como alguém que viu aqui os Vera Cruz por uma terceira vez). No entanto, o novo vocalista de Vera Cruz parece ser perfeito para o lugar.  Resta esperar que gravem algo de novo mas temas como “Liar Liar” serão smepre inesquecíveis.

Com a entrada dos Hills Have Eyes em palco deu rapidamente para ver a experiência da banda e dominaram o palco e agarraram a plateia desde o início. Apesar de alguns incidentes como o pontapé na cara do vocalista e um pequeno choque entre o guitarrista e o vocalista, nada atrapalhou o colectivo setubalense que teve uma grande prestação. Com sing-alongs e stage-dives constantes, ouviram-se temas como ‘Hold Your Breath’, ‘Pinpoint’, ‘Anyway, It’s Gone’, ‘All at once‘, (tiveram que encurtar o set devido à hora que já ia adiantada) sendo a última música ‘Strangers’ que contou com a participação de Fábio Fiúza (um fã que pediu via twitter para tocar a música com a banda).

VANS STAGE

Após a hora de jantar o punk rock cru dos X-Cons invadiu a República da Música. Os músicos portuenses deram um concerto divertido e cheio de energia, que até direito a circle-pit teve, algo excelente para a primeira banda a tocar, quando os presentes na sala ainda são poucos. A banda apresentou temas como “Run For Your Life” e “Manifest”, terminando o set com “1998”.

De seguida os canadianos Nations Afire subiram ao palco. A banda, que conta com ex-membros de bandas como Rise Against, Ignite, Death by Stereo e Reach the Sky, toca também punk rock embora ligeiramente diferente da banda anterior, talvez menos cru. No entanto, a este concerto também não faltou energia, especialmente por parte do vocalista Nick Hill, que nunca parou de incentivar o público. As suas faixas mais conhecidas (“I am an Army” e “The Ghosts We Will Become”, por exemplo) foram executadas na perfeição, demonstrando as capacidades dos 4 músicos.

Depois do concerto de Nations Afire, estranhamente uma vaga (jovem) juntou-se nas primeiras filas à espera do próximo concerto. A surpresa passou quando vimos que foram os Bury Tomorrow a banda seguinte a tomar o palco. O metalcore é um género amado por uns e odiado por outros, mas como pudemos observar é bastante popular nas camadas mais jovens (temos como exemplo bandas como Bring Me The Horizon ou Parkway Drive). Os britânicos interagiram bastante com a devota plateia, que não parou de cantar por um segundo. O concerto terminou com o vocalista, Dani Winter-Bates , a mandar um mortal de uma das colunas para o público!

E entretanto chegou a hora de mais um concerto clássico como o de H2O no dia anterior, Strife. A banda californiana, fundada em 1991 chegou cá para mostrar  o que é o hardcore. Os Strife tocaram todos os clássicos, temas como  “Waiting”, “Torn Apart” e “Blistered” e ainda um cover de Black Flag, a enorme “Rise Above”. A banda dedicou ainda uma faixa a todas as novas bandas de hardcore, “Carry the Torch”. Resumindo, foi tudo o que se poderia esperar de um concerto de Strife: os sing-alongs, a dedicação, a emoção, o suor, o moche, os dives, a intensidade.

A Xuxa Jurássica fez um excelente trabalho na organização deste festival que este ano evoluiu em todos os aspectos, pensando bem não há absolutamente nada de que nos possamos queixar! Agora resta nos esperar pelo próximo fim-de-semana de punk-hardcore a 4 e 5 de Maio com o 10º aniversário do primeiro albúm dos Comeback Kid (que contará com Scott Wade na voz, vocalista original) e A Wilhelm Scream!

Texto : Manuel Casanova
Foto : Tomás Lisboa

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