ALTAR OF PLAGUES – “Teethed Glory And Injury”

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Altar Of Plagues“White Tomb”, “Mammal” e agora “Teethed Glory And Injury”. Este é o terceiro álbum dos irlandeses Altar Of Plagues, que trazem de Cork uma das mais notáveis bandeiras ostentadas na nova onda de black metal. Se “White Tomb” tem uma força bruta de origens desconhecidas e “Mammal” resulta de um cruzamento espiritual entre a fauna, a flora e o fantástico, este sucessor é ainda mais complicado de se justificar.Este álbum deve ser tocado com um elevado volume de som, antes de mais. Os seus graves são como facas nos pulmões e a dor de respirar é intrínseca ao longo do disco.

Dói, pesa e causa desconforto e angústia. Não se deixem enganar pela calma que o abre, nem pela incomum duração das músicas (tendo em conta o resto da discografia): ‘Mills’ enevoa para uma ‘God Alone’ agressiva e trituradora. E vá lá, incomodem os vizinhos ao som de ‘Burnt Year’, pois é tão demoníaca como tem de divertida. Ou então esperem pelo ponto mais alto, e mais duradouro, do registo – ‘A Remedy And A Fever’. Aí tem-se noção do que está a chegar aos ouvidos. A voz chora com o seu desespero máximo, a guitarra tem um dos tons mais apocalípticos de que há memória,  o baixo faz-se ruir e a bateria marca o ritmo do coração. As proporções a que “Teethed Glory And Injury” se desmarca são inacreditáveis e este pode ser escutado vezes sem conta sem cair no facilitismo, nem na vulgaridade. Ainda que com passagens tanto relaxantes como asfixiantes, o álbum nunca descola e toma posse da nossa massa encefálica – a maturidade a que o trio irlandês chegou coloca-os no topo da hierarquia das novas sonoridades do género, sem margem para dúvidas. Os tons neutros do álbum até podem invocar a escuridão e jogos de sombras, mas a estética aqui apresentada contém mais mistério e medo do que melancolia. E a sua filosofia envolvida eleva a experiência a um contorcionista zénite da expressão musical.

Um altar, despido de glória, é injuriado pelas pragas que gritam pela elasticidade da compreensão da alma humana. Palavras caras para um disco muito feio.

// Nuno Bernardo

[one_half] Teethed Glory And Injury
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País
Irlanda

Membros
Dave Condon – Voz, Baixo
James Kelly – Guitarra, Teclados, Voz, Bateria
Johnny King – Bateria

Alinhamento
Mills | God Alone | A Body Shrouded | Burnt Year | A Remedy And A Fever | Twelve Was Ruin | Scald Scar Of Water | Found, Oval And Final | Reflection Pulse Remains

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