José Cid é reconhecido como um dos mais conceituados artistas pop do nosso país. Autor de êxitos como “20 anos”, “Como o Macaco Gosta de Banana”, “Na Cabana Junto à Praia”, “A Pouco a Pouco” ou “Um Grande, Grande Amor”. Apesar de ser conhecido e apreciado no seu próprio país, muitos poucos são aqueles que conhecem o seu melhor trabalho. É um trabalho bastante inovador e claramente “à frente” do seu tempo, pelo menos, aqui em Portugal.

480px-Cid1977 A 15 de Maio de 1978 lança um álbum único na sua discografia e interrompe a tendência pop/rock da sua música. Juntamente com Ramon Galarza (bateria), Zé Nabo (baixo, guitarra elétrica, guitarra de 12 cordas e guitarra acústica) e Mike Sargeant (guitarra elétrica) lança uma verdadeira obra-prima de nome 10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte. Apesar de não ser subvalorizado internacionalmente, é bastante subvalorizado ou desconhecido no nosso país. 10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte recebeu internacionalmente diversas condecorações: considerado como um dos 100 melhores álbuns de rock progressivo de todos os tempos pela revista Billboard; reconhecimento constante no site Progarchives.com como um “disco essencial e uma obra-prima do rock progressivo” e ocupando a quarta posição dos melhores álbuns de 1978 do site.

Um disco com base em ficção científica, o conceito é que, 10000 anos depois da auto destruição da humanidade, um homem e uma mulher viajam de regresso para a Terra para a repovoar novamente. O tom das músicas é de contemplação sobre os erros do passado da humanidade e de esperanças futuras. A maioria das canções é influenciada por bandas como Moody Blues ou Pink Floyd. O álbum foi composto por Cid, com colaboração do guitarrista Mike Sergeant e baterista Ramon Galarza. É um disco principalmente dominado pelo Mellotron, baixo e a guitarra.

Alinhamento de 10000 Anos Depois entre Vénus e Marte:
01.O Último Dia na TerraJose_Cid-10_000_Anos_Depois_Entre_Venus_E_Marte
02.O Caos
03.Fuga Para o Espaço
04.Mellotron, o Planeta Fantástico
05.10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte
06.A Partir do Zero
07.Memos

É claramente uma das mais completas viagens espaciais, sendo um álbum essencial para qualquer fã do bom rock progressivo com especial incidência no cósmico e espacial. São sete faixas do mais puro e complexo rock e apesar de lançado em 1978, é claramente inovador na sua essência. A performance dos artistas é de classe mundial e está ao nível de qualquer banda internacional do género. A produção está na lista das melhores alguma vez realizadas em Portugal. São quase 40 minutos de composições fantásticas com destaque para todo o álbum. É o único álbum verdadeiramente progressivo e conceptual alguma vez composto em Portugal, nem actualmente se faz nada remotamente parecido com algo do género. Numa escala de 0 a 10 daria sem hesitar um 10!! É inovador, diferente, pesado, tecnicamente perfeito e a sua produção é de mestre. Para além disso foi um lançamento arriscado já que o público português na altura (e actualmente…) não era propriamente muito apreciador do género e ignorou por completo este álbum. Contém a mestria de The Lamb Lies Down on Broadway dos Genesis; o génio de 2112 e A Farewell To Kings dos Rush; a criatividade do Dark Side Of The Moon  e The Wall dos Pink Floyd; a emoção do In the Court of the Crimson King dos King Crimson e por vezes a suavidade de Emerson, Lake & Palmer.

Apesar de ser uma obra realizada por José Cid, o público português do rock e do metal não o deve discriminar mas sim prestar atenção a uma das mais inovadoras e completas composições alguma vez realizadas.

 

É um disco obrigatório para qualquer apreciador de boa música!!

José Cid – 10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte

José Cid – Vida (Sons do Quotidiano)  <- EP lançado em 1977, pode ser considerado uma prequela de 10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte

Quarteto 1111 – Onde Quando Como Porquê, Cantamos Pessoas Vivas – Obra Ensaio de José Cid <- último álbum dos Quarteto 1111 lançado em 1975

// João Braga

3 Responses

  1. Gui777

    concordo com tudo o que escreveu sobre o álbum e discordo de quase tudo, nas comparações. Atenção que há aqui uma grosseiro erro,este é um álbum único, mas neste ano de 78 saiu o excelente álbum conceptual ” Ascenção e queda” dos Petrus Castrus e o Grande “Mistérios e Maravilhas” dos Grandes do Rock Progressivo Português TANTRA, Três pérolas do prog rock Português.
    O Rock progressivo esteve em alta nessa época no nosso país (país pequeno) se calhar este álbum não teve sucesso por causa de ser impensável que o sr. Cid que cantava musica pirosa (assim se achava) pudesse fazer algo assim.

    Pessoal que escreve, informem se melhor das coisas, pois têm a responsabilidade de não induzir em erro as pessoas..

    Responder
    • João Braga

      Essa frase não foi dita com intenção de induzir ninguém em erro, apenas tenta glorificar o álbum, colocando-o numa posição superior face aos álbuns conceptuais e progressivos existentes em Portugal. Eu, João Braga, falo a nível pessoal quando afirmo que não considero “Mistérios e Maravilhas” totalmente conceptual, sim é verdade que contém 4 a 5 faixas conceptuais e que todo o álbum tem um tema comum, mas ainda assim não o considero como conceptual. Mas aceito que poderá haver outras opiniões. Já agora, “Mistérios e Maravilhas” foi mencionado na nossa rúbrica FUNDAMENTAIS DO PROGRESSIVO juntamente com “Onde, Quando, Como e Porquê – Cantamos Pessoas Vivas”, basta procurar e verá que os grandes álbuns progressivos portugueses não foram, de todo, esquecidos.

      Obrigado por ler e por dar a sua opinião

      João Braga,
      Colaborador/Colunista Ruído Sonoro

      Responder
    • João Braga

      Essa frase não foi dita com intenção de induzir ninguém em erro, apenas tenta glorificar o álbum, colocando-o numa posição superior face aos álbuns conceptuais e progressivos existentes em Portugal. Eu, João Braga, falo a nível pessoal quando afirmo que não considero “Mistérios e Maravilhas” totalmente conceptual, sim é verdade que contém 4 a 5 faixas conceptuais e que todo o álbum tem um tema comum, mas ainda assim não o considero como conceptual. Mas aceito que poderá haver outras opiniões. Já agora, “Mistérios e Maravilhas” foi mencionado na nossa rúbrica FUNDAMENTAIS DO PROGRESSIVO juntamente com “Onde, Quando, Como e Porquê – Cantamos Pessoas Vivas”, basta procurar e verá que os grandes álbuns progressivos portugueses não foram, de todo, esquecidos.

      Obrigado por ler e por dar a sua opinião

      João Braga,
      Colaborador/Colunista Ruído Sonoro

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