O Sol que ia brilhando sobre o Monte Alentejano, no Rossio de São Brás, não dava para antever a adesão negra que este espaço iria receber. Com um cariz solidário e com uma mostra de trabalhos de vários artistas, os copos iam-se enchendo (e vazando), as bifanas já circulavam pela audiência e a música não tardou a chegar para completar o Évora Metal Fest.

Em meia-hora, os Gennoma tiveram a responsabilidade de abrir um dia de peso. Já os Innersight tinham feito mover as primeiras cabeças, os Hate Disposal descarregado o seu death metal e, em menos de nada, já Last One Standing estavam no fim de uma primeira parte a compor consideravelmente a sala. As quatro bandas referidas conseguiram aquecer e fertilizar um terreno sedento de metal. A pausa para jantar não arrefeceu os ânimos, nem os Primal Attack quiseram tirar o pé do acelerador. Com um bom conjunto de riffs e temas que antecipam o lançamento do seu álbum de estreia, mereceram toda a recepção calorosa dos presentes. De forma a variar as sonoridades, os A Thousand Words levaram o seu hardcore para um nível extremo, onde as suas músicas curtas do EP “Sinners” resultaram em pleno. Destaque também para um novo tema, que irá fazer de um novo split da banda. Ainda com menos piedade e misericórdia estiveram os Besta que apesar de ser um projecto relativamente recente, tem um conjunto de músicos bastante competentes e experientes de outras rodagens. “Ajoelha-te Perante A Besta” é a base de um puro frenesim a roçar o caos, levando o quarteto a aproveitar cada minuto (ou até segundo) de que foram disponibilizados a actuar.

Já quase no virar do dia, os Revolution Within mostraram aquilo que são: uma máquina oleada de alta produção. A resposta do público é um reflexo justo ao trabalho dos gaienses, não impedindo de referir que a banda dá o que tem para dar em qualquer palco que actue. Seja no Vagos Open Air, num esgotado Paradise Garage (este a antever Trivium) ou na sua estreia em Évora, a cilindrada assume os mesmos valores. Os temas de “Straight From Within” foram bombardeados no Monte Alentejano, com destaque para ‘Pull The Trigger’ com o convidado Hugo, dos Switchtense, a repartir as responsabilidades vocais com Raça. Para fechar e a jogar em casa, os Process Of Guilt dispuseram de tempo suficiente para atirar “FÆMIN” na íntegra e ainda ‘Lava’, do anterior “Erosion”. Quase pouco importante é o alinhamento quando se trata de um concerto destes, sendo efectivamente arrepiante a forma como a musicalidade se conjuga com as sombras de Hugo, Nuno, Custódio e Gonçalo. Um vozeirão, duas guitarras em erupção, um baixo de encher a sala e um polvo a distribuir os seus tentáculos na bateria revelam que a natureza de Process Of Guilt é única.

Tudo somado resulta numa segunda edição do Évora Metal Fest com selo de qualidade a nível musical, de ambiente e de espírito. Dificilmente não se quererá regressar ao Monte Alentejano para repetir a fórmula, daqui a um ano. E o Sol que tanto brilhava virou chuva e trovão no final da noite, tal foi o impacto.

Fotos e texto  por: Nuno Bernardo

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