RUÍDO SONORONascidos em 2009, os Dream Circus apresentam no final de 2012 o seu álbum de estreia, Land Of Make Believe. Querem falar-nos um pouco do percurso da banda, desde a sua génese até ao lançamento deste registo?
Gonçalo Silva (Dream Circus): Os Dream Circus passaram por algumas transformações até chegar à formação actual, como acontece com tantas bandas pelas mais variadas razões. No entanto, penso que a intenção original sempre foi apresentar um rock directo e incisivo, e esse espírito mantém-se presente ao longo de todo o nosso percurso. A sonoridade que praticamos agora é também mais trabalhada, mais cuidada, o que reflecte uma maior experiência de todos os membros da banda.

RSA vossa sonoridade é assumidamente influenciada pelo rock alternativo do início da década de 90. Quais os vossos ídolos dessa época? Existem outras influências que tenham contribuído para o vosso som?
GS: Sim, ouvimos muitas horas de Alice In Chains, Soundgarden, Nirvana, Helmet, Faith No More, coisas com bastante groove. Mas desde os 90’s até agora passámos todos por estilos muito diversos, que vão desde o Drum’N’Bass ao Techno, Metal ou World mMsic, vale tudo. Agora em que medida isso influencia a nossa musica, é difícil dizer… Acho que com diferentes tipos de música aprendem-se estados de espírito diferentes que depois aqui tentamos traduzir para o Rock, com guitarras e isso.

RSHouve muita preocupação em tentar fazer algo original e que não soasse a uma cópia do que já foi feito?
GS: Acho que a maior preocupação ao compor é fazer com que as coisas funcionem como um todo, com uma sequência lógica. Sem dúvida que aparecem riffs que nos lembram isto ou aquilo, mas tentamos transformar essas ideias em algo mais refinado, mais “nosso”. Utilizar os “ingredientes” da forma que nós achamos mais correcta.

A intenção original sempre foi apresentar um rock directo e incisivo, e esse espírito mantém-se presente ao longo de todo o nosso percurso

RSExiste algum conceito ou mensagem associados ao álbum? Que emoções e estados de espírito pretendem despertar no ouvinte?
GS: O tema que está presente ao longo do álbum em geral é a exploração do conflito interior na transição da nossa fantasia pessoal para a realidade, ou a manipulação da realidade de forma a criar fantasias. São coisas que estão latentes na cultura dos nossos dias, coisas que estão lá mas não se vêem, coisas que parecem mas não são. O estado de espírito é um bocado bipolar, vai desde a depressão profunda ao estado maníaco tipo louco suicida, que se vê em temas como a Going Down. Mas o que despertará no ouvinte no fundo depende da loucura de cada um, digamos que pode ser um catalisador…

RSQuem é a convidada que canta em Criminal? De onde surgiu a ideia de dar este toque feminino e porque a escolheram?
GS: É a Ana Costa. Este tema foi escrito pelo James já há uns anos, e inicialmente foi cantado em dueto com uma rapariga. Ele sempre quis ter uma segunda voz neste tema e quando decidimos gravar o álbum foi uma das ideias que surgiu. A escolha da Ana deve-se a uma referência do nosso produtor Pedro Mendes, pelo trabalho de qualidade com os “Frequency” de Braga.

RSQuerem destacar algum tema ou temas que tenham algum significado especial para a banda, ou que simplesmente estejam mais satisfeitos com o resultado final?
GS: Tenho de dizer a Desire, porque marca uma fase mais recente na composição, em que todos contribuímos igualmente e utilizámos algumas técnicas diferentes, com um resultado que nos agradou mesmo muito.

O tema que está presente ao longo do álbum em geral é a exploração do conflito interior na transição da nossa fantasia pessoal para a realidade, ou a manipulação da realidade de forma a criar fantasias.

RSOnde vamos poder ver os Dream Circus ao vivo em 2013? Está planeada alguma tour nacional?
GS: Vamos estar pela capital nos próximos tempos, no Roterdão dia 14 de Fevereiro, no dia 9 de Março vamos gravar um vídeo na Balcony TV e em Março também vamos estar na Associação Fantasma Lusitano no Bairro Alto, penso que dia 15.

RSEm relação ao futuro, já há ideias para novas músicas? Já identificaram alguns elementos do vosso som que precisem de ser afinados e melhorados em trabalhos posteriores?
GS: Ya, o Lopes encomendou uma guitarra nova, e eu um Minitaur 🙂

RSExiste muito boa música em Portugal, mas infelizmente a maior parte das bandas não consegue ter visibilidade suficiente. Querem destacar algumas bandas nacionais que admirem particularmente mas que não tenham ainda o reconhecimento merecido?
GS: Bem, graças à conjuntura sócio-económica e cultural do nosso país, muitas das bandas que nos influenciaram e que seguíamos há uns anos atrás já se reformaram, como os Thormenthor, Mosh, Anger, Zen, Sonic Flower, Primitive Reason… Actualmente acreditamos no trabalho de projectos como a Playground, Neurotoxin, YLS, Embaixada, Mais Baixo, Warface, Purusha, Sathya, entre outros.

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