Eram cerca das 16h do dia 9 de Novembro, quando a Avenida dos Aliados, no Porto, se enchia de uma negra maré de pessoas, pronta para mais uma viagem. O seu destino? Pontevedra, onde se previa uma noite agressiva, onde se juntariam grandes nomes do Metal extremo. E, de facto, foi decerto para todos os fãs do thrash e death metal uma experiência única ver Fueled By Fire, Nile e Morbid Angel, encabeçados pelos germânicos Kreator, todos juntos no mesmo cartaz. Uma pena que esta tour não tivesse passado por Portugal, tal como Mille Petrozza anunciará durante a sua última aparição no Rock in Rio Lisboa. Porém, se a música não vem até nós, vamos nós até à música.

E foi num clube de strippers/discoteca que a música nos recebeu nesta sexta-feira de Outono  Uma sala não muito usual hoje em dia para este tipo de eventos, mas que, apesar de tudo, reuniu mais do que as condições mínimas em termos de som e espaço. Já que estamos a falar de espaço, é de bem referir que, apesar de não estar cheia, a sala encontrava-se bastante bem composta em termos de público, naturalmente mais ansioso pelos cabeças-de-cartaz, o que justifica o pouco movimento que pareceu haver durante o concerto de Nile. Dizemos aparente porque, devido a um atraso na viagem, foi-nos completamente impossível acompanhar o concerto de Fueled By Fire e grande parte do de Nile. O que pudemos assistir, no entanto, foi à destruição que se lhes seguiu.

Com uma aparência algo hard rock dos anos 80, eis que os Morbid Angel, banda mítica de death metal da cena da Florida, entram em palco. E se existiam dúvidas sobre se a banda iria realmente dar um concerto de acordo com os padrões exigidos pelos fãs, bastou ouvir os primeiros riffs da Immortal Rites para perceber que estes podiam ficar descansados. Foi um concerto recheado de clássicos, na veia do que aconteceu no Vagos Open Air 2011. Talvez as únicas diferenças a notar em relação à setlist tenham sido um foco menor no Altars Of Madness, bem como o facto de só tocarem duas músicas do mais recente e controverso álbum. De resto, é de destacar a enorme qualidade técnica do mítico Trey Azagthoth, sem dúvida um dos melhores guitarristas de death metal.

Após o final do concerto dos norte-americanos, estava agora na altura de passarmos aos cabeças-de cartaz da noite, os sempre intensos Kreator. Como era sabido, nesta tour a banda faria uso de elementos de palco mais arrojados, de forma a proporcionar uma experiência diferente do habitual no thrash metal. Assim, o início do concerto foi marcado por um vídeo representativo da carreira da banda, acompanhado do mítico tema “Personal Jesus”, dos Depeche Mode. Finda esta introdução, a banda iniciou o seu concerto de forma explosiva, com Phantom Antichrist tema que dá o nome ao seu último álbum. Como é natural, este registo foi o foco do concerto, sendo uma parte considerável da setlist dedicado ao mesmo. Obviamente que os clássicos não foram esquecidos, mas era evidente que o foco esteve sempre centrado nos temas mais recentes da banda. Tudo isto resultou num mosh pit também ele explosivo, que decerto deixou marcas em todos aqueles que nele participaram.

E foi assim. A Galiza assistiu a uma noite de metal devastadora, sendo palco de momentos que qualquer fã da onda mais agressiva do metal certamente apreciaria.

Reportagem: João Vinagre
Fotografia: Rita Mota

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