SIGUR RÓS – “Valtari”

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Metal. Pode ser o tema central do nosso sítio, mas toda a música tem uma palavra a dizer. Os Sigur Rós são importantes e metediços demais para não serem mencionados sempre que possível e a análise a “Valtari” não nos passaria ao lado. A sonoridade pós-rock ambiental e experimental (e um pouco festiva, no caso de “Takk…” e “Með suð í eyrum við spilum endalaust”) conquistou um público sensível às bonitas e delicadas melodias que dispensam uma língua e um contexto comum. Os islandeses sublinham o seu idioma nas suas canções e às vezes riscam-no até para criar a sua própria língua – o «Vonlenska» (em Português, o Vonlandês) – dialecto que apresentaram pela primeira vez ao mundo na faixa ‘Von’ desse mesmo álbum. Depois de alguns rumores que davam conta do fim da banda e do confirmado hiato que os afastou dos lançamentos e dos palcos durante uns anos, os Sigur Rós não se conseguem manter mais longe do reconhecimento que lhes foi dado e “Valtari” acaba por ser um natural lançamento do minimalismo no seu processo de composição.

Aquelas guitarras mais ruidosas de “Ágætis byrjun” e o folk orientado pelas malhas de “Takk…” e “Með suð í eyrum við spilum endalaust” pouco ou nada se manifestam neste sexto álbum de originais. Jónsi, Goggi, Orri e Kjartan apostam num conjunto de temas mais ambientais que nunca, revelando uma camada fina de instrumentos de uma complexa e cuidada estruturação. Mas se os álbuns mais antigos de Sigur Rós apelavam a um ambiente mais cinzento e chuvoso, este “Valtari” revela-se ideal para qualquer tipo de ambientes. ‘Ekki Múkk’ faz o Sol brilhar, ‘Fjögur Píanó’ parece trazer alguma precipitação e “Dauðalogn” é um belo equilíbrio entre as paisagens captadas pelas duas referências anteriores. O falsetto de Jónsi é – verdade seja dita – e sempre será um ponto a favor da banda, mas sem dúvida que os constituintes sabem muito bem o que fazer com a imensidão de instrumentos que lhes aparecem pelo estúdio. Sejam instrumentos de brincar ou a sério. A sua capacidade de escrever memoráveis melodias vão além das suas influências na música clássica e fazem questão de obter todos os meios necessários para os transcrever em estúdio. Para isso, os Sigur Rós contam com um autêntico exército de convidados para arranjos, coros e cordas adicionais, onde se destacam as talentosas Amiina e o coro britânico The Sixteen.

A criatividade e o resultado são imensos, seja em que língua e registo que for,  e as emoções transmitidas por “Valtari” são maiores que a distância que Reykjavík está do resto do mundo.

[91/100] // Nuno Bernardo
Análise submetida a novo sistema de classificações

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[/one_half] [one_half_last] País
Islândia

Membros
Jón Þór “Jónsi” Birgisson – Voz principal, Guitarra, Teclados, Harmónica, Banjo, Baixo
Georg “Goggi” Hólm – Voz de suporte, Baixo, Glockenspiel, “Toy Piano”, Teclados
Kjartan “Kjarri” Sveinsson – Sintetizadores, Teclados, Piano, Órgão, Programação, Guitarra, Flauta, Oboé, Banjo
Orri Páll Dýrason – Bateria, Percussão, Teclados

Alinhamento
Ég anda | Ekki Múkk | Varúð | Rembihnútur | Dauðalogn | Varðeldur | Valtari | Fjögur Píanó

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