CRADLE OF FILTH – The Manticore and Other Horrors

Com o novo “The Manticore and Other Horrors”, os COF parecem emergir de um conflito interno ao nível da orientação musical da banda. Para entendermos os meandros tortuosos desse conflito há que confrontar o novo trabalho com o anterior, “Darkly, Darkly, Venus Aversa” (2010), que parecia direcionar o som dos COF para uma importância crescente da componente orquestral, sinfónica e épica, no entanto, essa presença tornou-se de tal forma avassaladora que parecia garrotear a dimensão heavy que caraterizara os primórdios da banda e que os guindara aos pináculos com o celebrado “Dusk… and Her Embrace” (1996).

A génese de “The Manticore and Other Horrors” antecipava uma cisão com essa linha mais gótica e “mainstream”, prometendo sublimar a adjetivação “extremo” no metal dos COF. O título e a temática adotados pareciam algo deslocados dessa vocação, visto que, apontavam para o mesmo universo referencial de sempre, mas só a primeira audição poderia revelar a substância musical do novo trabalho destes decanos do metal extremo. Aberta a caixa de Pandora, os tímpanos acusam o peso e natureza mais crua da música, por exemplo, em “The Abhorrent”, “Manticore”, “Siding With The Titans” ou, no ponto mais alto e fulgurante, na trepidante “For Your Vulgar Delectation”, no entanto, esquecendo este último tema, os momentos mais relevantes do álbum acabam por ser a sepulcral e majestosa serenata gótica: “Frost on Her Pillow” e a mais experimental “Huge Onyx Wings Behind Despair”.

Assim, é indiscutível que “The Manticore and Other Horrors” denuncia um recrudescimento na identidade heavy da banda. Com efeito, desde o início foi essa a designação que mais agradou aos músicos dos COF. A voz de Dani parece não esmorecer com o tempo e, ainda que as vocalizações mais extremas não tenham a mesma predominância, o vocalista parece adotar um registo bastante performativo. Allender coloca mais peso e distorção nas guitarras e Marthus torna-se peça chave do novo álbum, assumindo, para além da percussão, as despesas da orquestração. Delapidado por este tríptico infernal, o som dos COF apresenta-se mais cru, abrasivo e brutal do que nos últimos trabalhos. Mas, atualmente, isso não basta para surpreender um auditório que acompanhou o processo evolutivo da banda e que aguarda sempre com as mais elevadas expectativas cada novo lançamento.

[78/100] // Miguel Gião

País
Inglaterra
Membros
Dani Filth – vocalista
Paul Allender – guitarra
Daniel Firth – baixo
James McIlroy – guitarra
Martin Skaroupka – bateria
Caroline Campbell – teclados
Alinhamento
The Unveiling of O. (Instrumental) | The Abhorrent | For Your Vulgar Delectation | Illicitus | Manticore | Frost on Her Pillow | Huge Onyx Wings Behind Despair | Pallid Reflection | Siding with the Titans | Succumb to This | Sinfonia (Instrumental)

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