PIG DESTROYER – “Book Burner”

[Álbum / Relapse Records / 22 Outubro 2012]

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Há álbuns mais fáceis de escrever do que outros. E bandas também. Os Pig Destroyer e o seu “Book Burner” não se encontram nesse dócil lote. O termo grind é um dos géneros que caminha lado a lado com o death metal e muitas vezes cruzam os seus trilhos. É, no entanto e por norma, mais intenso, violento, caótico, rápido, destruidor e ruidoso. E porque se haveria de definir o grindcore no início de uma análise regular? Porque os próprios Pig Destroyer fazem o mesmo. Antes de entrar em detalhes sobre “Book Burner”, pode-se já avançar que este álbum tem todas as condições reunidas para se tornar um marco na história do género.

O que tem este registo que o anterior “Phantom Limb” não tinha? Primeiro, os Pig Destroyer revelam-se uma entidade muito mais confiante, madura e determinada. Existe um fenomenal conforto nas suas ideias, riffs e caos por si provocado. Muito se progrediu desde o tempo das demos de Napalm Death ou Carcass e os horizontes da música do género já são receptivos a inúmeras influências para além do punk e do crust. Os poli-ritmos de Adam Jarvis (novo baterista da banda e notável pelo seu trabalho em Misery Index) contrastam e encaixam com o sistema stop & start dos riffs de Scott Hull, enquanto que as samples de Blake Harrison dão uma projecção maior de intelectualidade à música do quarteto. Hayes tem aqui também sua melhor prestação de sempre nas lides vocais, contando com três convidados para partilhar o microfone em distintas faixas: os Misery Index emprestam Jason Netherton em ‘The Diplomat’, enquanto que Richard Johnson (em ‘The Underground Man’) e Katherine Katz (em ‘The Bug’ e ‘Eve’) representam a contribuição de Agoraphobic Nosebleed em “Book Burner”. No entanto, não se trata apenas de musicalidade. Algumas edições deste registo contarão com uma shortstory escrita pelo próprio J.R. Hayes com o título “The Atheist”. A história de uma América que elege um presidente cristão de extrema-direita, num futuro próximo, e que persegue um ateu aos mais longínquos contornos do deserto revela quão multi-facetados são estes Pig Destroyer e como são capazes de aliar a sua cena musical a questões sociais e ético-individuais sem ter de estampar o rótulo de concept album na capa.

Curioso é que o seu número de audições está proporcionalmente ligado à revelação da sua qualidade. Como tal, foi necessário uma extensa rotação de “Book Burner” para que estas palavras que o descrevem obtivessem algum nexo. Esperam-se quatro anos por pouco mais de meia hora de música… e fazer melhor que isto é difícil.

[92/100] // Nuno Bernardo
Análise submetida a novo sistema de classificações

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EUA

Membros
J. R. Hayes – Voz
Scott Hull – Guitarra
Blake Harrison – Electrónicos
Adam Jarvis – Bateria

Alinhamento
Sis | The American’s Head | The Underground Man | Eve | The Diplomat | All Seeing Eye | Valley Of The Geysers | Book Burner | Machiavellian | Baltimore Strangler | White Lady | The Bug | Iron Drunk | Burning Palm | Dirty Knife | Totaled | Kamikaze Heart | King Of Clubs | Permanent Funeral

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One Response

  1. Tiago Rocha

    Ouvir Terrifyer do principio ao fim revela de forma chocante a pouca brutalidade deste registo em comparação a edições anteriores da banda. Também pela primeira vez, a produção deixa notar a ausência do baixo, que aliado a essa leveza de som, fazem com que Book Burner perca impacto. Exemplo disso é a inclusão, pela primeira vez num longa duração (excluindo Pixie do Explosions In Ward 6), de uma faixa a mid-tempo. Book Burner é bonzinho por si só, mas a léguas do fundo de catalogo da banda, e longe de valer um 92/100.

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