AMENRA – “Mass V”

[Álbum / Neurot Recordings / 26 Novembro 2012]

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Se os Neurosis nos fizeram esperar cinco anos por um álbum novo, estes Amenra imitam-lhes e lançam também pela Neurot Recordings o seu novo trabalho. “Mass V” é o sucessor natural de “Mass IIII” na sua procura de um interior mais tenebroso e a própria banda já havia assumido que este seria «o álbum mais lento e pesado que alguma vez escreveram». Dito e feito. Atmosférico e cada vez mais solto das raízes do hardcore do quinteto belga, “Mass V” é um poema gravado na pedra. Escrito a preto em fundo preto. Algo que Billy Anderson sabe captar como ninguém e que resulta numa profana e massiva parede de som com algumas brechas de alívio ao ouvinte. Seja pelo drone efémero, pelos etéreos acordes repetitivos ou pela angústia reflectida na voz de Colin, não se imaginava outro tipo de potência de um nome que formula a sua própria igreja e sistema de crenças – Church Of Ra.

Esta referida seita já deve contar agora com milhares de seguidores depois da série de concertos dados pela banda por conta própria ou acompanhados pelos Neurosis, ainda que tal tenha acontecido com modestos e discretos passos. Pouco discreta é, no entanto, ‘Dearborn and Buried’. A velocidade, os tempos e os riffs são os típicos de Amenra. Convincentes na invocação de claustrofóbicos cenários, o quinteto belga prefere guardar os seus trunfos para as jogadas que se seguem. As passagens entre músicas são longas, sofridas. Colocam-nos o coração na boca à espera que o tal riff esmagador chegue e o processo de espera revela uns Amenra maduros e conscientes de que a viagem faz parte da qualidade do destino. As emoções eloquentes de ‘Boden’, que variam entre a auto-destruição e a tranquilidade, não poderiam deleitar mais quem esperava um equilíbrio entre os riffs de “Mass IIII” e a melancolia do EP “Afterlife”. ‘À Mon Âme’ é a mais longa faixa alguma vez lançada nos seus trabalhos de longa-duração e o adágio introdutório não faz adivinhar os contra-balanços dos seus treze minutos. Numa ascendência qualitativa, os Amenra guardam para os últimos minutos do disco as secções mais entusiastas e sufocantes. O que se poderia prever quando Colin H. van Eeckhout partilha a responsabilidades vocais de ‘Nowena I 9.10’ com Scott Kelly?

A abordagem sumptuosa de “Mass V” faz dos Amenra uma referência intimidadora da música pós-moderna. Esta dissertação pautada é uma aglutinante e temível obra de arte.

[93/100] // Nuno Bernardo
Análise submetida a novo sistema de classificações

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[/one_half] [one_half_last] País
Bélgica

Membros
Colin H. van Eeckhout – Voz
Mathieu J. Vandekerckhove – Guitarra
Lennart Bossu – Guitarra
Levy Seynaeve – Baixo
Bjorn J. Lebon – Bateria

Alinhamento
Dearborn and Buried | Boden | À Mon Âme | Nowena I 9.10

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