Anathema + Astra @ Paradise Garage, Lisboa, 20/10/2012

Os britânicos Anathema regressaram ao nosso país, neste que é o quarto ano consecutivo a pisar palcos nacionais, trazendo na bagagem álbum novo, ‘Weather Systems‘, que apresentaram com data dupla, no Hard Club no Porto (19) e no Paradise Garage em Lisboa (20). Como banda de abertura estiveram os Californianos Astra, pela primeira vez em Portugal.

ASTRA

A banda natural de San Diego, entrou em palco antes da hora prevista, ainda a sala se ia compondo. Estes americanos depressa começaram a ‘destilar’ todo o seu espírito progressivo / psicadélico e ‘flower power’, bem ao estilo dos anos 70, com acordes intermináveis acompanhados de teclados estridentes. A banda trazia álbum novo mas o repertório baseou-se em ambos os álbuns da banda.

O som não esteve muito bem concebido, a guitarra soava estranho e baixa durante as fases em dupla com os pianos, em que tornava muito confuso perceber qualquer instrumento. Diga-se que pouco entusiasmaram os presentes (principalmente os que iam chegando e vendo que o concerto já se desenrolava), o som pouco ou nada tem de relevante para o estilo musical apresentado e executado pela banda, os ritmos não soam muito diferente de dezenas de artistas que marcaram a época que o estilo representa. Foi apenas uma actuação competente, curta em faixas, mas à boa onda progressiva / psicadélica, com músicas intermináveis. Não desiludiram, até bem longe disso, mas também não convenceram. Foi entusiasmante q.b., talvez numa outra perspectiva e combinação musical seja um concerto interessante de seguir com mais atenção.

Setlist – Cocoon | The River Under | The Black Chord | The Weirding

ANATHEMA

Depois de todos os problemas técnicos que a banda teve no Vagos Open Air na edição de 2011, os irmãos Cavanagh voltaram a Portugal mais uma vez, e para quem assistiu ao concerto na Lagoa do Calvão ficou sempre aquele nó na garganta da relembrança, pedindo assim que a história fosse reescrita com mais um episódio, para gáudio de todos os fãs da banda em terras lusas. A promessa era apresentar o novo álbum ‘Weather Systems’, este que parece mesmo ser mais um grande êxito, nos mais de 20 anos da banda britânica.

O início do concerto dá-se com o single de apresentação do novo álbum e o complemento, ‘Untouchable, Part 1&2’, se a primeira tem uma pujança incrível na sua abertura e toda uma excelente e poderosa componente rítmica, a segunda parte é arrepiante tal a subtileza que transmite, executada brilhantemente a trio, entre o Daniel Cardoso, o Vincent e a Lee Douglas. Foi simplesmente um deslumbrante prólogo para o que a noite prometia. Rodando temas de álbuns anteriores, indo da ‘Thin Air’ à ‘Dreaming Light’, foi neste segundo tema que o público voltou a vibrar intensamente cantando em coro perfeito a excelente faixa do álbum anterior ‘Here Because We’re Here’. Outro momento estonteante estava marcado para ‘Deep’, do álbum ‘Judgement’, música cantada e ‘curtida’ em plena forma pelos presentes. Muitos outros êxitos foram rodando e o público tal como a banda nunca esmoreceram, a intensidade manteve-se em todas as fases do espectáculo. Chegados à segunda parte do concerto voltam os temas do último álbum, e provado ficou que estes temas ao vivo soam perfeitamente, ganhando sempre pontos para todo o desenrolar. Os momentos mais intimistas estavam guardados para perto do final, ‘Flying’ foi um brinde do público à banda, chegando a arrepiar de tantas vezes que em uníssono brindavam a banda, não ficando a história por aqui, após o encore foi a vez da banda fazer o brinde ao público com ‘One Last Goodbye’, que levou os presentes ao rubro. O concerto ia longo mas nada que demovesse quer público quer banda, por muito longa que a próximo faixa fosse, o sentimento de estar a assistir a um excelente espectáculo fazia esquecer tudo o resto. Estupendo, no mínimo. Foram duas horas emocionalmente muito bem passadas.

Em jeito de notas finais, fica a ressalva para o excelente som apresentado, se no início o som ambiente parecia algo desfasado, a rápida correcção fez com que tudo se tornasse muito mais límpido. Em termos instrumentais os executantes presentes não desiludiram nem por um singelo momento, tudo soou perfeito nesta noite, e nota de registo para a interacção com o público que ao ser de salutar, foram sempre momentos de entusiasmo para com os presentes. Pena apenas para o espaço, diga-se que até muito bem apresentado após ter sido renovado, mas não parece ter as melhores condições para concertos deste calibre, tornando o ambiente por demais abafado, e que a mão cheia de pessoas que se sentiram mal durante aquelas horas tenha sido apenas pura coincidência, ou então fiquemos pela ideia que seria apenas… emoção!

Setlist – Intro (A New Machine (Part 1) Pink Floyd) | Untouchable, Part 1 | Untouchable, Part 2 | Thin Air | Dreaming Light | Everything | Deep | Emotional Winter | Wings of God | A Simple Mistake | Lightning Song | The Storm Before the Calm | The Beginning and the End | Universal | Closer | A Natural Disaster | Flying [encore] One Last Goodbye | Fragile Dreams

Reportagem por Ricardo Raimundo
Fotografia por Diogo Oliveira
Agradecimentos – Prime Artists

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