WINTERSUN – “Time I”

[Álbum / Nuclear Blast Records / 19 Outubro 2012]

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Não, não estão a sonhar, o álbum saiu mesmo! Oito anos depois, acabaram-se as piadas em torno do Time, que acabou por ser mais célebre que o Chinese Democracy. Nunca na história do Metal se tinha assistido a um álbum rodeado por tanto mediatismo em torno de uma eterna espera e actualizações algo caricatas por parte de Jari Mäenpää, que motivaram gozo, frustração e desespero nos fãs. Praticamente toda a gente no universo metaleiro conhece os Wintersun, apesar de no seu catálogo constar apenas um álbum, o homónimo que em 2004 conquistou uma enorme legião de fãs. Verdade seja dita, Wintersun foi uma autêntica bomba e o reconhecimento foi merecido. No entanto, essa magia foi-se perdendo ao longo dos anos, sendo que era preciso agora um álbum monumental para Jari e companhia serem perdoados por completo. Foi isso que ficou prometido; foi quase isso que nos foi dado.

Pelas circunstâncias supracitadas, Time I é um álbum difícil de analisar. Imaginem que pediram num restaurante o melhor prato do mundo, mas que o empregado demorou horas a chegar com a travessa. Por melhor que seja o conteúdo, nunca vos irá satisfazer por completo, esperavam sempre mais e melhor. É isto o novo álbum de Wintersun: bom, requintado, mas com sabor a pouco. Não foram exageradas as declarações do Jari quando disse que o computador dele não aguentava o processamento de algo tão complexo. Agora compreende-se o que ele queria dizer, quando a banda nos apresenta um álbum com tantas camadas sonoras que se torna difícil discernir cada uma (apesar da produção ser excelente e de tudo encaixar na perfeição). Ao fim de algumas audições, Time I revela-se rico em detalhes interessantes, onde se destacam as excelentes vocalizações e as imponentes sinfonias que acompanham todo o álbum. Com apenas três temas (se tirarmos os dois instrumentais, que somam 7 dos 41 minutos do álbum), destaca-se a monumental Sons Of Winter And Stars, verdadeiramente impressionante. Já Land Of Snow And Sorrow e Time mantém um bom nível, mas nunca chegam a tomar proporções épicas, perdendo-se por momentos a banda na sua própria malha de complexidade sonora.

Mais do que nunca os Wintersun vão dividir opiniões. Num extremo, há quem vá considerar este o álbum de Metal mais ambicioso e bem conseguido de sempre; no outro, há quem vá dizer que isto não passa de mais um álbum genérico e aborrecido de Power Metal. A verdade é que os Wintersun tentaram criar um álbum único e de certa forma conseguiram, embora não com a consistência desejada. Dá-se o mérito à banda pelo esforço, aplaude-se o resultado final, mas espera-se que o Time II seja ainda melhor e que lime as poucas arestas que faltam.

[84/100] // David Matos
Análise submetida a novo sistema de classificações

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[/one_half] [one_half_last] País
Finlândia
Género
Extreme Power/Symphonic Metal
Membros
Jari Mäenpää – Voz, Guitarra, Teclados, Baixo
Teemu Mäntysaari – Guitarra
Jukka Koskinen – Baixo
Kai Hahto – Bateria
Alinhamento
When Time Fades Away | Sons Of Winter And Stars | Land Of Snow And Sorrow | Darkness And Frost | Time
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