Passados dois anos, o Rock In Rio volta a Lisboa com um cartaz que pouco variou em comparação com os anos passados mas com horários que permitiam ver um pouco de tudo. A organização não teve muitos precalços neste primeiro dia de espectáculos que contou com 42 mil espectadores.

Abriram-se hostilidades com os MÃO MORTA a pisar o palco Sunset, que ofereceram os temas mais apetecidos ao público antes de contarem com Pedro Laginha, numa recriação de MUNDO CÃO, em temas como “Morfina” e “Cão da Morte”. Subiu ao palco ainda com o escritor Valter Hugo Mãe para participar na interpretação de “Ordena Que Te Ame”, cuja letra lhe pertence.

Neste palco seguiram-se ainda os RAMP que contaram com a participação especial dos TERATRON, dando um toque electrónico à sonoridade já conhecida destes dinossauros do metal nacional, que não dispensou conhecidas faixas como “Black Tie” e “Hallellujah”.

Seguiam-se actuações na Rock Street, uma das inovações desta edição do festival, um espaço com atenções viradas para a Street Dance. Enquanto isso, os nacionais WE ARE THE DAMNED subiam ao palco da Vodafone Showcases e faziam as delícias de um público que, ainda que pequeno, ofereceu moshes e crowdsurfs aos mais arrojados. Mais tarde haveriam de passar também por este palco bandas como O BISONTE, MISS LAVA e DEVIL IN ME, na qual a nossa equipa não pôde estar presente.

Por volta das 19h deu-se então início aos concertos do Palco Mundo com os SEPULTURA que contaram com a presença dos TAMBOURS DU BRONX. Temas como “Refuse/Resist”, “Territory” e “Roots, Bloody Roots” fizeram as delícias de quem há tanto guardava lugar, ignorando pó, ignorando calor.

Findado o primeiro concerto do Palco Mundo, era altura de subir até ao palco Sunset de novo para um concerto old-school. Os KREATOR pisaram o acelerador e debitaram o seu thrash para uma legião de fãs que se mostrou fiel aos alemães. Apelaram aos circle-pits, abriram uma wall-of-death, aplaudiu-se a presença de Andreas Kisser (acabado de actuar com os seus SEPULTURA) e superaram expectativas.

Era altura de seguir para o Palco Mundo e assistir a MASTODON, que terá tido menor afluência devido a trocas nos horários, sendo que o suposto era EVANESCENCE ser o segundo concerto da noite. Ainda assim, a plateia mostrou-se conhecedora dos temas e o “Fuck Yeah, obrigado!” de Troy Sanders mostrou que os americanos ficaram felizes pela prestação e pela resposta do público num concerto quase totalmente dedicado ao seu último álbum, “The Hunter”. Uma apoteótica “Blood And Thunder” é sempre bom fecho para uma banda que teima em convencer os presentes.

Os EVANESCENCE causaram então a primeira grande enchente da noite. Temas como “Going Under”, “Call Me When You’re Sober” ou “Bring Me To Life” puseram alguns braços no ar mas, ainda assim, a qualidade da voz de Amy Lee não podia ter sido pior. Existiram alguns apupos por parte de fãs menos tolerantes, mas o concerto deverá ter correspondido às expectativas dos fãs que esperaram oito anos para um regresso a Portugal.

Chegamos então ao pico da noite. Os METALLICA tomaram o palco de assalto com o tema “Hit The Lights” seguido da mítica “Master Of Puppets”. Entre palavras de carinho pelo público português e mais alguns temas, presentearam-nos com um vídeo introdutório ao cerne desta tour: o álbum homónimo (ou Black Album, como se preferir). Sem muitas surpresas seguiram pela noite dentro com fogo de artifício, bolas insufláveis com a marca da banda e até cuspidelas de Lars para o público. Após as já tão esperadas “One” e “Seek and Destroy”, despediram-se com “tasse bem??” e “Abrigados” (entenda-se “obrigado”) fechando assim o rol de espectáculos no Palco Mundo.

O destino a seguir dividia-se entre casa e o palco Electrónica Heineken, onde contou com um DJ Set dos britânicos Chase & Status e permitiu aos resistentes descarregar as últimas baterias. Fora do festival uma das observações deve incidir sobre a enorme movimentação policial e de voluntários que iam encaminhando e informando as pessoas sobre a melhor maneira de abandonar o recinto.

O primeiro dia encerrou-se assim, sem defeitos a apontar e deixando, certamente, óptimas recordações.

Texto por Diogo Oliveira.
Fotografias por Nuno Bernardo.

Agradecimentos: Rock In Rio.

 

Leave a Reply

Your email address will not be published.