A Ruído Sonoro entrevistou os ALL SPLINTERED MEMORIES. Aqui ficam as palavras da banda.

RUÍDO SONORO: Os All Splintered Memories reúnem uma enorme diversidade de influências. Como foi conciliar os gostos e preferências de todos e como definem a sonoridade resultante?
ALL SPLINTERED MEMORIES: As nossas preferências e gostos musicais foram fáceis de se misturar e conciliar dado que não existem elitismos dentro da banda. Cada um entrou neste projecto de mente aberta e pronto a criar algo novo, e desta forma pudemos misturar diversos estilos e criar algo que achamos ser único neste país. A sonoridade que daqui resultou, gostamos de a definir como Post-Hardcore, essencialmente, mas com vertentes electrónicas e Pop-Punk à mistura.

RUÍDO SONORO: Passou 1 anos e 5 meses desde a criação da banda ao lançamento do EP. Podem dar-nos um resumo do vosso percurso durante esse período?
ALL SPLINTERED MEMORIES: No início da banda, a prioridade passava essencialmente por prepararmos covers para podermos tocar ao vivo, dado que a nossa experiência de palco era muito limitada. A partir da segunda metade de 2011, já tínhamos alguns originais e o nosso objectivo passou a ser a gravação do nosso EP de estreia. De momento só queremos é oportunidades para tocar ao vivo e apresentar este novo trabalho. Traçámos ainda para um futuro próximo os objectivos de ter merchandise disponível e conseguirmos tocar em diferentes pontos do país.

RUÍDO SONORO: Como surgiram os nomes All Splintered Memories e Love In The Animal Kingdom?
ALL SPLINTERED MEMORIES: All Splintered Memories surgiu após um brainstorming de ideias entre todos nós e acabou por ser o nome que achámos que mais prendia a atenção e se enquadrava no projecto que queríamos fazer. Quanto ao nome do nosso EP, este simboliza o contraste entre a agressividade do Post-Hardcore e do Metalcore com a electrónica e o Pop-Punk na nossa música. No reino animal predomina essencialmente o velho lema do “sobrevivência dos mais aptos”, o amor é o contraste suave a essa realidade.

RUÍDO SONORO: Do que nos fala este EP e o que acham que ele traz de novo ao panorama musical nacional?
ALL SPLINTERED MEMORIES: Este EP refere-se essencialmente a vivências e problemas do dia-a-dia que afectam qualquer pessoa, principalmente para o público mais jovem, e tentámos ao máximo que estes se possam identificar com, pelo menos, uma situação descrita no EP. Queríamos tentar fazer com que o mais comum ouvinte se pudesse identificar e reconhecer na nossa música. Relativamente ao que este trás de novo no panorama musical nacional, estamos a fazer uma mistura de estilos que não é essencialmente pioneira lá fora, mas que se revela inédita aqui em Portugal. O próprio Post-Hardcore é ainda um género quase inóspito no nosso país, e nós queríamos essencialmente demonstrar com este trabalho que existe mais do que os estilos tradicionais a que tanto já nos habituámos por aqui.

RUÍDO SONORO: Como foi o processo de gravação e produção?
ALL SPLINTERED MEMORIES: Foi bastante bom e correu sem problemas. O EP foi gravado e produzido ao longo de alguns meses até ao início de 2012 com o Tiago Mesquita. Ao longo deste mesmo processo, tivémos ainda a oportunidade de evoluir as nossas músicas.

RUÍDO SONORO: Tem sido boa a recepção do público dos temas ao vivo?
ALL SPLINTERED MEMORIES: Somos uma banda num estilo completamente novo em Portugal, e as oportunidades de concertos que vamos tendo são com bandas de estilos e com públicos que às vezes não entendem bem o que fazemos. Mas não é por isso que pretendemos desistir, adoramos muito sinceramente a música que fazemos e vamos atingindo os nossos objectivos um passo de cada vez. Grande parte do que conseguimos alcançar deve-se a revistas tais como a Ruído Sonoro, que se interessam em saber mais sobre nós, a rádios online que querem passar a nossa música e claro, aos ouvintes que mostram o seu apoio incondicional por nós e nos ajudam a divulgar o nosso trabalho.

RUÍDO SONORO: Próximo lançamento, um álbum de longa duração? Já têm ideias?
ALL SPLINTERED MEMORIES: Temos andado a compor e a passar algumas ideias para o papel, mas para já estamos focados apenas no EP e em promovê-lo. Talvez mais para o final deste ano tenhamos novidades mais concretas.

RUÍDO SONORO: A vossa orientação continuará neste tipo de som ou fazem questão de experimentar novas sonoridades?
ALL SPLINTERED MEMORIES: Dado que estamos a fazer algo de certa forma diferente em Portugal, penso que este é o caminho que mais nos interessa continuar, portanto podemos garantir a quem gostou do nosso som que este Post-Hardcore Pop-Punkalhado veio para ficar! Ainda assim o experimentalismo faz parte de nós enquanto músicos, logo podem também contar com influências de diferentes estilos musicais e novas formas de transmitir arte.

RUÍDO SONORO: Com que banda nacional gostariam de partilhar o palco?
ALL SPLINTERED MEMORIES: Seria óptimo partilhar o palco com bandas que nos influênciaram e são grandes referências para nós, e as que saltam logo à vista são os óbvios More Than a Thousand e Hills Have Eyes. Mas também existem bandas que consideramos de enorme qualidade e com quem gostariamos de poder um dia tocar, tais como My Cubic Emotion, Ella Palmer ou Apply Zii.

RUÍDO SONORO: Para aqueles que querem começar uma banda mas têm medo de não ter sucesso nestes tempos de crise, que palavras de incentivo lhes dão?
ALL SPLINTERED MEMORIES: Se vão começar um projecto musical, não o façam a pensar na fama ou estatuto que hipoteticamente possam vir a atingir, descobrimos muito rapidamente que numa banda a maior parte do tempo é gasto a lidar com o presente do que propriamente a sonhar com o futuro. A melhor razão pela qual alguém pode começar uma banda é a mesma porque nós começámos esta, pelo simples amor à música. Obviamente que a indústria musical se ressente de forma grave nesta crise, mas enquanto existirem pessoas que pagam bilhetes para ir a concertos, enquanto existirem iniciativas que visam ajudar bandas novas e emergentes, existe sempre esperança e um incentivo para começar novos projectos musicais. Mesmo que se vejam desapoiados, ou que a recepção ao vosso trabalho não seja aquela que esperavam, é importante não desistir. Na musica, a persistência recompensa.

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