A Ruído Sonoro entrevistou os Chaos In Paradise, banda em destaque nesta quinzena. Aqui ficam as palavras da vocalista Sara Valente.

RUÍDO SONORO: Sensivelmente 9 meses após o lançamento de Let The Bliss Remain, que balanço fazem deste vosso EP de estreia? Surpreendidos pelo sucesso que ele atingiu?
CHAOS IN PARADISE: Ficamos extremamente satisfeitos com toda a experiência em si e fascinados com o sucesso que conseguimos alcançar até ao momento. Posso dizer, seguramente, que atingimos grande parte dos objetivos que tínhamos em mente para o lançamento deste primeiro EP. Para nós foi uma grande surpresa a maneira como o nosso trabalho foi tão rapidamente divulgado pelo país inteiro e chegou até a locais que nem imaginávamos, sendo que recebemos encomendas de países como Alemanha, Austrália, Canadá e Japão, etc. Fomos aplaudidos pela progressão positiva no nosso som e imagem e temos sido muito felicitados pela escolha do artwork, elaborado por Augusto Peixoto, e também pela qualidade de gravação com o merecido mérito de Paulo Lopes dos Soundvision Studios. No geral, o público ficou surpreendido pela positiva com o rumo que tomamos com ‘‘Let The Bliss Remain’’.

RUÍDO SONORO: Com o 2º e o 4º lugar, respectivamente, nas categorias Banda Revelação e Melhor Banda Sem Contracto, balanço feito pelos leitores da Loud!, qual foi a vossa reacção perante este merecido reconhecimento?
CHAOS IN PARADISE: Foi uma agradável notícia para nós, visto que desconhecíamos sequer estar considerados para essas categorias na Loud!. Na verdade, soubemos através de amigos. Ficamos muito contentes, pelo voto de confiança que nos foi dado, porque no fundo, qualquer reconhecimento que nos seja atribuído dá-nos sempre mais confiança e incentivo para continuar o nosso trabalho. Aproveito a oportunidade para agradecer novamente a todos os que têm acreditado em nós, apoiado e reconhecido o nosso esforço desde início.

RUÍDO SONORO: Este vasto conjunto de reacções positivas e de diversas fontes, carrega na bagagem responsabilidade acrescida. Sentem-se à altura do desafio ou foram apanhados de surpresa?
CHAOS IN PARADISE: De início, fomos um pouco apanhados de surpresa, pois não tínhamos noção da extensão que a banda iria atingir… No entanto, estamos conscientes e preparados para os desafios que resultam do trabalho que desenvolvemos até agora. Mesmo que não estivéssemos, todos nós trabalhamos mediante as propostas que nos vão aparecendo e encaramos bem qualquer desafio. O segredo está na paixão que temos pela música que criamos e, acima de tudo, pela forte amizade que partilhamos entre todos. Fazemos tudo por nossa iniciativa e por isso é que é tão gratificante e todas as conquistas têm outro sabor…

RUÍDO SONORO: Como tem corrido a tour de promoção ao EP? Boa afluência, alguns contratempos?
CHAOS IN PARADISE: Infelizmente tivemos alguns contratempos a nível de cancelamentos de datas no sul do país, principalmente nos últimos meses e sentimos muita necessidade de nos dar a conhecer e apresentar o EP ao vivo e a cores em sítios como Leiria, Setúbal e Lisboa. Esperamos brevemente conseguir marcar novas datas nos locais que já tínhamos concertos agendados, até porque no que depende de nós estamos completamente recetivos e desejosos de levar a nossa música a todos os locais possíveis. Relativamente aos concertos de promoção do EP que demos até agora, principalmente os que demos no Porto e em Madrid, correram muito bem, tivemos uma boa afluência e conseguimos promover positivamente o nosso trabalho.

RUÍDO SONORO: Onde é que ainda não tocaram e gostariam de o fazer num futuro próximo?
CHAOS IN PARADISE: Para nós seria uma alegria enorme conseguir tocar mais pela Europa e poder divulgar mais o nosso trabalho em países como a Alemanha, França e Reino Unido. Hipóteses que temos de considerar bem, por querermos consolidar todo o trabalho que desenvolvemos e tendo em conta que, de momento, não estamos oficialmente associados a qualquer promotora ou empresa de agenciamento.

RUÍDO SONORO: Abril marca o lançamento do vosso primeiro videoclip. Porquê essa necessidade e porquê a faixa Sanzu River?
CHAOS IN PARADISE: Queríamos ter algo visual para mostrar ao público, principalmente às pessoas que não nos conhecem e que pudesse ser usado como um meio extra de divulgação. Contactamos o Herlander e a Ana dos 2SPOT que fizeram com que esta ideia fosse automaticamente concretizável e decidimos avançar com as filmagens. A escolha da faixa não é nenhum segredo, apenas achamos que é a música do EP que melhor nos identifica e por isso a decisão foi unanime.

RUÍDO SONORO: Como foi a experiência de gravação do videoclip?
CHAOS IN PARADISE: Em duas palavras: frio agonizante! Apesar do frio que se fez sentir em todos os cenários escolhidos para a gravação, foi uma experiência incrível. Tivemos de estar extremamente atentos a tudo o que se passava e abertos às adversidades que foram surgindo, como por exemplo, ficar sem luz a meio das gravações no cenário da casa, ter de suportar temperaturas na ordem dos -2ºC quando filmamos as cenas da banda, e ainda enfrentar a escuridão da serra de Valongo e entrar no rio gelado. Foi uma experiência repleta de aventura, da qual retiramos uma preciosa lição: por mais espetacular que seja o resultado final, não voltar a gravar um videoclip no Inverno, a não ser completamente agasalhados!

RUÍDO SONORO: Vocês encontram-se já a compôr para o vosso 1º álbum, com lançamento previsto para o início de 2013. O que nos podem dizer sobre o novo material e as vossas expectativas?
CHAOS IN PARADISE: É verdade, já nos encontramos em fase de composição do nosso primeiro álbum, e já temos algumas músicas completamente delineadas. Tendo em conta novas influências de bandas que vamos descobrindo diariamente, neste álbum vamos explorar melhor o que temos vindo a desenvolver até agora sem fugir à sonoridade que adotamos. Vamos trabalhar bem a parte instrumental, as linhas vocais e os sons de fundo. As partes pesadas vão soar mais pesadas e as partes melódicas vão soar mais melódicas.

RUÍDO SONORO: A vós são associadas as etiquetas Melodic Metalcore e vocal feminino, algo que faz muitos engelhar o nariz. Já alguma vez sentiram ser “deixados de lado” porque se enquadram num género algo infame no seio da comunidade metaleira?
CHAOS IN PARADISE: Não nos sentimos deixados de lado por essas etiquetas que nos são associadas, vemos isso como algo irreverente, que de certa forma nos trás alguma diferença e distinção. O que realmente importa é que as pessoas oiçam o que fazemos e não se deixem levar pelas etiquetas pré-definidas. É necessário que as pessoas descolem um pouco disso e estejam abertas a novos horizontes.

RUÍDO SONORO: De toda a gente com quem já partilharam o palco, há alguma banda que queiram destacar por alguma razão especial?
CHAOS IN PARADISE: Tocar ao vivo é algo que adoramos fazer e é sempre bom conhecer as bandas com quem partilhamos o palco. Não querendo deixar de parte nenhuma banda com quem tenhamos tocado anteriormente, pois todas as experiências que trocamos nos ajudam a crescer de alguma forma, queria deixar o nosso contentamento por termos tocado recentemente com Crushing Sun e Echidna, bandas cujo trabalho temos apreciado desde sempre e com Kells, em 2010, pois fizeram nos ver que na altura precisávamos de trabalhar muito mais e de assumir uma identidade mais própria.

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