Em prol da notícia da gravação do primeiro álbum de DRAKKAR, banda que já celebrou duas décadas, a Ruído Sonoro esteve à conversa com o guitarrista fundador, Nelson Silva.

Ruído Sonoro: Drakkar é um nome com mais de 20 anos. Olhando para trás, que balanço fazem da vossa carreira?
Nelson Silva:
A questão do balanço tem sempre a ver com os objectivos e as expectativas inicialmente traçadas. E estas sempre foram algo realistas. Nunca pensamos que iríamos viver da música ou ser profissionais do ramo ou qualquer coisa similar, mas sim que iríamos procurar divertir-nos e sobretudo tocar ao vivo (que é sem dúvida aquilo que nos dá mais prazer). Nesse sentido devo dizer que o balanço é francamente positivo. Presentemente já conseguimos receber telefonemas ou e-mails com convites para tocar ao vivo. E esse sempre foi um dos grandes objectivos da banda, pois há 10 ou 15 anos atrás tínhamos que andar a bater a muitas portas para o conseguir… E nem sempre era possível. Por isso olhando para trás, poderei dizer que de certa forma conseguimos conquistar o nosso espaço no panorama do Heavy Metal Nacional. E estamos muito satisfeitos com isso.

RS: Sabemos que são inspirados pelas clássicas bandas de heavy metal. Como conseguem transformar as vossas influências no vosso próprio som?
NS: Parecendo que não, essa é uma pergunta difícil de responder, pois de certa forma implica procurar explicar um pouco como se compõe um tema. E isso não é fácil de explicar. Evidentemente que as influências estão sempre presentes, mesmo inconscientemente, mas estão. Depois na prática é pegar num ou mais instrumentos, aproveitar alguma inspiração e materializar as ideias que vão surgindo. Algumas são rejeitadas, outras aproveitadas, e depois mais ou menos trabalhadas. Evidentemente que há uma linha ou tendência musical que se segue e que tem a ver com o gosto pessoal dos elementos que constituem a banda, mas procuramos sempre que mostre algo nosso, algo pessoal, algo que seja característico da banda. Nesse sentido acho que temos conseguido alguma coisa uma vez que primamos sobretudo por composições com muita melodia que facilmente “fiquem no ouvido” de quem as ouve.

RS: Há a informação de que a banda encontra-se finalmente a preparar o primeiro álbum. Porquê só ao fim de tantos anos?
NS: Pois…Parte da explicação prende-se com aquilo que respondi na vossa primeira questão. Nunca tivemos aquela obsessão em gravar álbuns. Tanto que nunca o fizemos. Procurámos sempre divulgar o nosso trabalho junto das pessoas através dos concertos ao vivo. Mais recentemente essa divulgação tornou-se mais facilitada com a internet. Acho que de certa forma conseguimos chegar tão junto dos fãs como aquelas bandas que têm álbuns gravados. Infelizmente maior parte dos mesmos são gravados, gasta-se dinheiro (e muito…) e depois os álbuns ficam “na prateleira”. Mas isso tem a ver com o país onde vivemos e cuja discussão pode ser deixada para outra oportunidade.
No entanto uma das principais razões prendeu-se sempre com a enorme dificuldade em conseguir manter a formação da banda por períodos suficientemente longos que permitissem a estabilidade necessária para se proceder à gravação de um álbum. Normais vicissitudes da vida pessoal de cada um bem como algumas limitações em conseguir gerir gostos, opiniões e personalidades de diferentes pessoas determinaram que assim fosse. Enfim, acho que são coisas normais da convivência em grupo onde por vezes não se consegue uma convergência absoluta em relação a determinado fim.
A questão financeira também sempre pesou bastante, uma vez que para se gravar qualquer coisa com o mínimo de condições tem, e sempre teve, de se investir consideravelmente. Hoje em dia com um computador e um bom software de gravação a situação está um pouco mais facilitada. Mas mesmo assim…
Presentemente estamos de facto a preparar a gravação de um álbum, ou se preferirem de um conjunto de músicas. No entanto esta gravação tem sobretudo como principal objectivo o registo de alguns temas para os nossos fãs e amigos que há muito acompanham a banda e que são merecedores de tal registo.
Por outro lado se houver possibilidade de a banda se projectar um pouco mais através da divulgação do álbum, será algo que não rejeitaremos e que nos deixará certamente bastante satisfeitos.

RS: E já há data de lançamento prevista ou outras informações que possam ser reveladas?
NS: Para já prefiro não adiantar muito sobre o assunto. Aquilo que posso dizer é que estamos 100% focados no trabalho que visa a gravação do nosso 1º álbum, não estando inclusivamente a assumir compromissos para tocar ao vivo. O álbum será praticamente todo composto por temas novos, havendo sempre lugar para 1 ou 2 “clássicos” da banda.

RS: Com o lançamento do álbum, a banda irá apostar em vários concertos de apresentação do mesmo?
NS: Sem dúvida. Contamos organizar uma festa de lançamento do mesmo e depois partir para uma série de concertos de divulgação.

RS: Certamente já partilharam o palco com nomes que apreciam. De que concertos guardam melhores recordações? E com que outras bandas gostariam de poder partilhar o palco?
NS: Na realidade, tirando uma ou outra situação pontual (que em 21 anos de carreira acaba por acontecer), guardamos boas recordações de quase todos os concertos. Uns mais peculiares que outros, mas isso também é normal.
Talvez um digno de registo tenha sido um concerto comemorativo do 5º aniversário de uma das melhores bandas de rock que já existiu em Portugal, e que, por diversas razões, cessaram, infelizmente, a sua actividade. Refiro-me ao aniversário dos Tropa de Choque onde tocamos com a Incrível Almadense a abarrotar pelas costuras, e onde partilhamos o palco com pessoas espectaculares. Foi um concerto para lembrar para o resto da vida. Mas isso já foi há… hummmm, nem me lembro bem. Por outro lado e em termos gerais encontramos sempre boa gente, bons músicos, boas organizações. Enfim, com boa vontade tudo se faz…
Bandas com quem gostaríamos de partilhar o palco… Internacionais sem dúvida os Maiden, pois são de facto uma das nossas grandes referências, senão mesmo a mais importante. Internamente ainda não tivemos o prazer de partilhar o palco com uma banda que muito consideramos. Refiro-me aos Tarântula, que em Portugal são a banda com quem mais nos identificamos.

RS: Em 2009 lançaram em DVD um concerto realizado em Corroios. Era algo que queria oferecer aos fãs que foram encontrando nos vossos concertos?
NS: A questão do DVD foi mais para consumo interno. Não é propriamente um DVD oficial ou editado, mas sim uma gravação de um concerto com algum cuidado e/ou tratamento na sua apresentação. De qualquer modo seria apenas para amigos e familiares. Acabou por se difundir um pouco mais e enfim…acabou por servir justamente esse propósito, o de ajudar na divulgação do trabalho da banda.

RS: Que expectativas têm para o futuro?
NS: As mesmas que tínhamos há 21 anos. Andar por cá mais 21 essencialmente a tocar ao vivo (e muito)…

Nélson Silva acrescentou também uma nota:
Se me é permitido não podia deixar de terminar esta entrevista agradecendo a todos os fãs e amigos que ao longo de todo este tempo têm acompanhado a banda. É por eles, e para eles, que cá estamos ainda ao fim de 21 anos e que contamos estar por muitos mais.
Um abraço muito especial a todos os músicos que já fizeram parte dos Drakkar e em especial ao nosso manager Hugo Fernandes, um elemento fundamental desta banda.

Agradecimentos a Nelson Silva e aos Drakkar.

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