A Ruído Sonoro esteve à conversa com Pedro Remiz, a mente por detrás dos Darkside Of Innocence. Aqui fica a entrevista:

RUÍDO SONORO: Do álbum de estreia para este, os Darkside Of Innocence deixaram de ser uma banda de vários elementos para ser um projecto a solo. Porquê esta decisão?
DARKSIDE OF INNOCENCE: Actualmente sim. Não é uma escolha consciente de como as coisas deveriam ser para os Darkside of Innocence, da parte que me toca. Prefiro trabalhar com um colectivo de pessoas porque para além de ser um adepto exímio da partilha, o fluxo de composição é muito mais fluido e inspira-me imenso. Deve-se simplesmente ao facto dos vários membros que integraram o projecto sentirem necessidade de se dedicarem a outras prioridades. É importante frisar que, a inexistência de membros que sejam enquanto músicos aquilo que eu exijo, não tem ajudado. De qualquer das formas, posso adiantar que já estou a tratar de colmatar essa lacuna.

RUÍDO SONORO: Que impacto tem essa mudança? Novas possibilidades, novas dificuldades?
DARKSIDE OF INNOCENCE: Foi o melhor que poderia ter acontecido a este projecto. Antes do colapso que originou esta situação e este renascer emergente, os Darkside of Innocence quase que estagnaram – não tanto musicalmente mas pessoalmente – e vi o trabalho de uma vida quase que desabar como consequência desse estado crítico em que nos encontrávamos. Abriram-se tantas portas e um mundo novo para pintar com a criatividade, que voltei a ganhar a ânsia que há muito já não tinha. A liberdade sabe bem. Quero voltar a pisar os palcos e fazer um registo dos novos temas – que estão a ficar deliciosos a meu ver.

RUÍDO SONORO: Foram também feitas mudanças significativas no som. De onde veio esta nova direcção?
DARKSIDE OF INNOCENCE: Essa nova direcção é a conjuntura de influências que vamos recebendo todos os dias – das mais variadas formas. Enquanto me continuar a adaptar ao universo e a mudar a minha visão do mundo constantemente, a música como um reflexo daquilo que sinto, vai naturalmente ganhar sempre outros contornos diferentes dos registos que compus e vou compondo actualmente.

RUÍDO SONORO: Os Darkside Of Innocence desde o início que são uma banda bastante conceptual, com cada trabalho a ter o seu significado. Do que nos fala este Xenogenesis?
DARKSIDE OF INNOCENCE: Sim é verdade. A temática na sua essência mais elementar, aborda hipoteticamente a transcendência do ser humano a um estado espiritual mais puro. Xenogenesis refere essa transformação de uma forma alegórica, em que Sophia – uma entidade abstracta – se apodera como um vírus do nosso inconsciente colectivo e nos faz ascender a este estado de singularidade que há muito desejamos ver imposto no cosmos. Depois temos cada um dos temas a relatar várias alusões filosóficas ao que posso depreender do que me rodeia. Desde a temática do existencialismo e niilismo, às motivações do ser animal para sobreviver.

RUÍDO SONORO: Este álbum é marcadamente mais complexo que os trabalhos anteriores. O processo de composição foi fácil e natural ou houve muito trabalho e tempo despendido para afinar os detalhes?
DARKSIDE OF INNOCENCE: Sim, denota a evolução que ocorreu ao longo destes sete anos com os Darkside of Innocence. Digamos que teve as suas fases e contornos distintos. Posso dizer que a primeira tirou-nos do sério mais uma vez pois havia uma responsabilidade enorme na concepção dos vários arranjos que a música pudesse vir a ter e foram duros momentos a ter completar cada articulação com algo que fizesse a música soar – arrisco ser pretensioso – perfeita. Já a segunda foi muito mais tranquila e straight to the point. Foi um alivio poder compor de uma forma tão intuitiva, livre e desprovida de preconceitos que me agarrassem ao ter que pegar em cada parte da música para a tentar melhorar.

RUÍDO SONORO: Em estúdio, o álbum foi gravado todo por ti ou houve músicos convidados?
DARKSIDE OF INNOCENCE: Eu compus grande parte do álbum, mas tivemos muitos e importantes convidados a participar na gravação e composição do registo. Alguns deles foram inclusive membros da banda.

RUÍDO SONORO: Haverá promoção do Xenogenesis ao vivo?
DARKSIDE OF INNOCENCE: Muito provavelmente só se for daqui a algum tempo longínquo. Agora é tempo para apagar o passado e renascer das cinzas. Xenogenesis não é mais que a passagem e a transcendência para um estado muito mais profundo e sólido. É tempo de trazer o derradeiro mundo de Sophia aos que podemos fazer ouvir-nos, numa nova fantástica era que vai emergindo aos poucos.

RUÍDO SONORO: Por onde passa o futuro do projecto?
DARKSIDE OF INNOCENCE: Por agora vai passar pelo estúdio onde nos encontramos já a compor o próximo álbum. A longo prazo, quero voltar aos palcos e promover essas novidades como se não houvesse amanhã.

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