Banda: Switchtense
Álbum: Switchtense
Data de lançamento: 8 de Maio de 2011
Género: Groovy Thrash Metal
País: Portugal

Membros
Hugo Andrade – Voz
Nuno Pardal – Guitarra solo
Filipe Neto– Guitarra ritmo
Rui “Karia” Caria – Baixo
Filipe “Xinês” Caeiro – Bateria

Alinhamento

  • Concrete Walls
  • Face Off
  • Living A Lie
  • In Front Of Your Eyes
  • Unbreakable
  • Head Of State
  • This Is Only The Beginning
  • Let Them Die Alone
  • Scars Of Attitude
  • I Will Stand Stronger
  • The Legacy Of Hate
  • Awaiting The Downfall

Introdução

Com um impressionante álbum de estreia em 2009, Confrontation Of Souls, o patamar de qualidade exigido aos Switchtense neste trabalho homónimo era muito alto. A promessa de um novo ícone no Metal nacional, que representa-se no futuro o nosso país lá fora como fazem, por exemplo, os Moonspell, fez deste álbum um dos mais aguardados (senão mesmo O mais aguardado) do metal nacional em 2011. Em boa verdade, a banda não se mostrou rogada e fez aquilo que deles se esperava: Switchtense é a confirmação da qualidade demonstrada na estreia, é a consolidação de uma base estável de crescimento para umas das bandas mais promissoras no nosso país.

Review

Switchtense é um album muito directo e, à primeira vista, simples de ouvir. Uma sonoridade Thrash Metal, com uns toques de Groove, intenso, pesado e muito agressivo, tem tudo aquilo que se pode pedir de uma banda do género. É uma boa companhia para ouvir em casa ou no carro, mas os temas têm especial impacto ao vivo, devido à sua natureza claramente a puxar para o headbanging e para levar multidões ao êxtase (só é pena que cá em Portugal sejam poucos os públicos com a envergadura que seria de desejar). No entanto, o álbum não é, de todo, simples. Na verdade, é bastante complexo, muito mais que o Confrontation Of Souls. O trabalho instrumental é irrepreensível do princípio ao fim, com riffs muito variados, diversas mudanças de ritmo (mas sempre a uma velocidade alucinante) e vários solos a rasgar pelo meio. Já o vocal é um gutural seco e bastante poderoso, um dos melhores guturais que podemos encontrar por cá, e destaque também para o facto de se perceber nitidamente as letras (com uma ou duas excepções em que o Hugo puxa mais pela voz).

No seu conjunto, o álbum é sólido e mantém uma qualidade muito semelhante na maioria dos temas. Se tivesse que destacar algo, talvez referisse os temas Unbreakable e Living A Lie, mas sinceramente a sua superioridade em relação aos demais é relativa e pouco evidente. Por isso mesmo, Switchtense merece ser ouvido enquanto álbum ou concerto, e não como temas individuais, porque o destaque é mesmo no colectivo. O único senão neste colectivo é a semelhança de algumas faixas, que podem tornar o álbum algo monótono para quem não estiver dentro de Thrash, mas honestamente acho que a diversidade de elementos é mais que suficiente para essa monotonia não existir.

Quanto ao que transmite, estamos perante uma ode à raiva, à agressividade e ao ódio. A energia transmitida é muito intensa, ficando o ouvinte com vontade de “partir a loiça toda” depois de ouvir o álbum. Como já referi, esta energia funciona na perfeição ao vivo, onde os temas causam sucessivas explosões na plateia. Para esta sonoridade poderosa contribuem todos os instrumentos em dose semelhante. Desde o baixo às guitarras ritmo e solo, à bateria electrizante, tudo é conjugado da melhor forma e é impossível apontar um papel mais fraco a qualquer destes instrumentos. A isso ajuda também a excelente produção, que torna nitído o mais ínfimo pormenor, mesmo quando a amálgama sonora é intensa e se sobrepõe em muitas camadas.

Apesar de tudo isto, e como em quase todos os álbuns, existem diversas arestas a limar. A começar pela voz. Não na qualidade, que já referi ser de topo, mas sim na forma como esta encaixa na música. Apesar da sua enorme energia, o complexo pano musical de fundo por vezes ofusca o gutural. Existem também algumas passagens em que parece que o ritmo da voz não é o mais indicado ao instrumental, mas isso talvez já seja perfeccionismo meu. Outro ponto a registar é a dificuldade que uma banda de Thrash Metal tem em se distanciar daquilo que já foi feito, sendo este um género musical com menos margem para manobra do que a maioria dos outros.

Para terminar, a diversidade na composição. Apesar de todos os temas serem complexos, ouvir o álbum de uma ponta à outra deixa-nos uma sensação no fim que deixámos escapar algo, que alguns temas soaram muito semelhantes. Faltava substituir aqui uma ou duas faixas mais genéricas por algo menos fora do vulgar, nem que fosse uma passagem instrumental ou um ou dois interlúdios que quebrassem o ritmo para o deixar de novo explodir na máxima força.

Conclusão

Verdade seja dita, os Switchtense com este disco homónimo consolidaram o seu nome nos grandes do Metal nacional. Sendo-se ou não fã, a qualidade técnica é inegável neste trabalho, e a vontade e profissionalismo da banda mostram uma promessa de algo de muito positivo no seu futuro. A sua ambição de levar a sua música além fronteiras e conquistar grandes públicos, aliada à sua dedicação a 100% à música, é uma mistura explosiva que merece respeito. É verdade que ainda existe muito a corrigir, muitas arestas a limar e muitas metas a atingir, mas poucas bandas se podem gabar de uma ascensão tão rápida com apenas 2 álbuns e 10 anos de carreira!

Saudações metaleiras,
David Dark Forever Matos

Classificação

Vocal: 8/10
Instrumental: 9/10
Escrita: 7,75/10
Originalidade: 7/10
Produção: 9,5/10
Impressão pessoal: 8/10
TOTAL: 81,8%

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