A Ruído Sonoro esteve à conversa com os Dreadfire, banda em destaque desta quinzena. Aqui ficam as palavras da banda.

RUÍDO SONORO: Dreadfire, mais uma aposta de metal nacional a estrear-se em 2012. Como descrevem a vossa sonoridade e quais as vossas principais influências?
DREADFIRE: Descrevemos a nossa sonoridade como tendo uma base de Thrash Metal, mas sem necessariamente soar a um Thrash puro. As músicas têm algum toque de groove. Temos muitas influências e cada um de nós tem influências distintas. Não somos unidos por um género mas sim por uma sonoridade, que podem ouvir no “Face The Storm”.

RUÍDO SONORO: Como nasceram os Dreadfire e que caminho percorreram até hoje?
DREADFIRE: Os Dreadfire nasceram de um projecto antigo (Platinum) que contava com Bruno Pereira (guitarrista), Tiago Pereira (baixista), Tiago Correia (baterista) e João Silva (vocalista/guitarrista). Começámos a gravar o EP com o Tiago Mesquita, ainda como sendo os Platinum, mas devido ao facto de o João ter ido estudar para o estrangeiro, e o Tiago Correia ter desistido da banda por ter falta de tempo, decidimos continuar com o projeto e arranjar novos membros e um novo nome.

Foi então que encontrámos o Pedro Soares, actual guitarrista e o Matt, actual vocalista. Depois de o EP estar concluído, finalmente encontrámos um bom baterista – o Alex. O caminho não tem sido fácil, por isso vamos aproveitar todos os concertos para dar o nosso máximo. Vamos lutar para que isto traga boas experiências ao vivo para nós e para quem nos ouve!

RUÍDO SONORO: O vocalista Matt e o baterista Alex são os membros mais recentes da banda. Como tem sido a sua adaptação?
DREADFIRE: O Matt está connosco desde Setembro e o Alex desde o final de 2011, no último ensaio do ano. Já não podemos utilizar o termo “em adaptação” ao Matt porque neste momento está mais do que totalmente integrado. A sua adaptação foi fácil porque ele fala bem português (diria por vezes “portunhol”) e o grupo ganhou muito com ele. Ele é um tipo impecável, inteligente, com uma excelente mentalidade e atitude.

Em relação ao Alex, ele tem feito progressos excelentes em semanas. A sua técnica e capacidade de tocar em banda (não tinha experiência prévia) melhorou imenso. A bateria das nossas músicas não é extremamente complexa, mas também não é simples e há que lhe dar valor. Em termos de integração no grupo, está muito bem mesmo, apesar de nos ter acusado de mentirosos por termos prometido pizza no anúncio e não a termos no dia da audição. Lá o levámos ao Pingo Doce de Olival Basto, onde a pizza é excelente. Aliás, gostaríamos de ser patrocionados pelas pizzas do Pingo Doce de Olival Basto (risos).

O Alex tem um grande sentido de humor e é bastante empenhado. Depois de tantos problemas com bateristas, penso que finalmente encontrámos um com que podemos contar!

RUÍDO SONORO: Face The Storm é o vosso trabalho de estreia. Sei que ainda é cedo, mas já têm ideias para o próximo CD ou preferem focar-se na promoção deste EP e só depois pensar no futuro?
DREADFIRE: Primeiro vamos pensar nas primeiras experiências dos Dreadfire ao vivo. Estamos mesmo ansiosos por tocar e queremos muitas pessoas e muita “violência saudável” e alegria nos nossos concertos!

Em relação a futuros trabalhos, não temos nada em mente ainda, vamos arranjando uns riffs aqui e ali e brincamos nos ensaios. Experimentamos. O que podemos dizer com alguma certeza é que o próximo trabalho será um álbum e não um EP. Somos ambiciosos e queremos sempre fazer mais e melhor.

RUÍDO SONORO: Qual a principal temática do EP?
DREADFIRE: A temática por detrás do tema “Face The Storm” é o suícidio que cometemos ao destruir o nosso ambiente. Atenção, não tem nada a ver com os movimentos verdes. Não estamos a destruir a Terra, não conseguimos. Ela não vai a lado nenhum a não ser que seja atingida por algo que venha fora dela. Estamos sim a destruir-nos a nós próprios, porque ela é mais forte que nós. No fundo, encontramo-nos num processo de suícidio em massa, do qual todos temos consciência disso mas nada fazemos.

As outras músicas do EP têm temáticas mais simples mas poderosas. “Light The Match” é sobre lutar contra quem tenta destruir as nossas ambições, “New Ground” é sobre ganhar coragem para mudar a nossa vida e a “Raised On Deceit” é sobre corrupção. Nesta última o Matt inspirou-se muito nos escândalos de corrupção de que eu (Pedro) lhe falei aqui em Portugal, como o buraco da Madeira ou do BPN. O Matt foi a cabeça por detrás de todas as letras do EP.

RUÍDO SONORO: Até que ponto o vosso produtor, Tiago Mesquita, influenciou a sonoridade e orientação atual da banda?
DREADFIRE: O Tiago Mesquita ajudou muito na orientação actual da banda, uma vez que veio trazer maior coesão e peso à sonoridade da banda. Foi um elemento importante para a gravação deste EP. As antigas músicas dos Platinum não se comparam ao que temos agora, a nossa sonoridade é bem mais pesada. Ironicamente, utilizou-se imenso material dos Platinum para a gravação do EP, mas foi lhe dado um maior peso e alguma complexidade.

RUÍDO SONORO: Pretendem voltar a trabalhar com ele no futuro?
DREADFIRE: Sim, penso que ainda temos muito por discutir no processo de criação de músicas. Ele tem uma resistência mental notável, e uma criatividade e fascínio pela arte de produzir e gravar incomum. Para além de ser uma excelente pessoa, se bem que por vezes é teimoso. Lembro me que, durante a pré-produção das vozes, eu e ele tivemos mais de um quarto de hora a discutir por causa de uma palavra no pré-refrão da “Raised On Deceit”. No fim, tivémos de recorrer ao seu amigo da porta ao lado, o Canadas da Poison Apple. Meia-hora depois chegou ao estúdio apenas para dizer que ambas as versões eram boas. No fim, as discussões foram positivas porque daí resultaram muitas ideias para o EP. Ele é muito perfeccionista e tem realmente muitas ideias e atitude. Tem experiência com todos os instrumentos, toca guitarra, baixo, bateria, e se for preciso até mexe com sintetizadores (podemos ouvi-los no fundo de algumas partes do EP).

RUÍDO SONORO: Vocês nunca tocaram juntos ao vivo, até porque o vosso baterista está na banda há muito pouco tempo. Para quando o concerto de estreia dos Dreadfire?
DREADFIRE: Ainda bem que perguntaste! Queremos aproveitar agora para lançar o apelo a todas as bandas que nos estejam a ler, se quiserem tocar connosco a partir de final de Fevereiro/princípios de Março, contactem-nos. Temos os contactos no Facebook. Assim que tivermos algo marcado, vamos anunciar tudo na nossa página, facebook.com/DreadfireBand.

RUÍDO SONORO: Quais são as vossas metas para 2012?
DREADFIRE: Tocar o máximo número de concertos e ter as melhores experiências ao vivo. Só vivemos uma vez e temos de aproveitar para partirmos uns quantos pescoços enquanto não somos velhos!

RUÍDO SONORO: Para terminar, digam o que significa para vós fazer parte de uma banda.
DREADFIRE: Fazer parte de uma banda é fazer parte de um grupo que luta todo pelo mesmo objectivo: diversão através da música. No fim, todos nós fazemos isto porque gostamos. Gostamos de tocar, gostamos de fazer música. Sejamos honestos, em Portugal a maioria das bandas toca por diversão. Com alguma seriedade à mistura, obviamente, mas há que encarar isto como um hobbie sério. Não estamos aqui para ganhar dinheiro, até porque isso é quase impossível. Até agora foi só despesa e penso que continuará a ser. Mas podem contar connosco que vamos estar aqui presentes e a tocar por aí, adoramos o que fazemos e esperamos vir a gostar mais ainda se os concertos correrem bem. Contamos convosco!

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