Confortavelmente instalados numa esplanada à beira-rio, a Ruído Sonoro sentou-se à conversa com Inês Freitas, a simpática vocalista da banda Burn Damage, que nos falou da banda e de alguns projectos pessoais.

 

Ruído Sonoro: Quando é que surgiram os Burn Damage? E quando é que se deu a tua entrada para a banda?

Inês Freitas: Os Burn Damage existem há cerca de 3 anos. Começaram com um vocalista, e eu entretanto conheci o baterista, que me pediu para colaborar com ele num projecto à parte dos Burn Damage. Entretanto, devido a razões exteriores, o antigo vocalista teve de sair e, por volta de Maio deste ano, acabei por me juntar à banda e fiquei só eu como vocalista.
Somos quatro membros, o Nuno na guitarra, a Sílvia no baixo, o Alex na bateria e eu na voz.

RS: E como estão actualmente em termos de projectos?

IF: Temos cerca de 9 originais, e continuamos a fazer novos sons. Vamos ficar com cerca de 11, 12 músicas nossas, e esperamos conseguir gravar alguma coisa. Já temos algumas gravações, e vamos agora avançar com concertos. Estamos sempre a ensaiar, temos sempre, no mínimo, um ensaio por semana. Vamos ver também se participamos nalguns concursos de bandas, não só para tentar ganhar alguns prémios a nível de gravação (que isto com a crise está complicado), mas mais a nível de divulgação, que é importante.

RS: Como é que definirias o som dos Burn Damage?

IF: Burn Damage é uma mistura de Thrash, com imensas influências de Hardcore e Death.

RS: O que é que aconteceu ao teu outro projecto, os Chaos of Insanity?

IF: Ficámos sem dois membros essenciais, então decidimos fazer uma paragem por tempo indefinido, e entretanto apareceu o convite do Alex e juntei-me aos Burn Damage. Foi positivo, porque algumas das pessoas que já seguiam os Burn Damage não estavam à espera de uma evolução a nível de sonoridade tão grande, pelo menos pela ideia que me dão. Ficou mais pesado, as músicas são rápidas. É o chamado sempre a abrir! [risos]

RS: Achas que essa evolução no som teve a ver com a tua entrada?

IF: É o que me dizem, só as outras pessoas é que podem dizer isso. São as críticas que tenho tido, e sim, têm sido críticas positivas.

RS: Pensas que existiu uma adaptação por parte do resto da banda ao teu tipo de vocal?

IF: Eles já tinham alguma influência Death, porque o antigo vocalista, o Gonçalo, que tem uma grande voz, cantava limpo, mas também cantava por uma vertente mais pesada. Mas quando eu entrei, como já estava habituada à minha última banda, avisei-os logo de que cantava assim, de uma forma um bocadinho mais arrojada. Eles começaram a tocar umas cenas improvisadas, a fazer um teste à voz, e eu comecei a cantar. Eles gostaram, e acharam que ia contribuir bastante para trazer peso para a música deles.
Algumas pessoas que já conheciam os Burn Damage dizem que gostam mais agora, que está mais pesado. Estão diferentes.

RS: Algumas pessoas chamam-te a Angela Gossow portuguesa. Que comentário é que fazes em relação a isso?

IF: [risos] Quem me dera estar ao nível dessa senhora! Mas ela é, sem dúvida, uma grande inspiração para mim, ela tem uma grande voz.
Mas sim, tenho como principal inspiração Arch Enemy e a Angela Gossow, mas se aqueles que dizem que sou a Angela Gossow portuguesa têm razão ou não, não sei. Apenas as pessoas é que podem dizer. Se acharem que sim, fico muito contente e muito orgilhosa, mas como é óbvio eu não quero ser nenhuma fotocópia porque acho que é essencial cada um ter o seu próprio ritmo, a sua própria maneira de transpor a música para o público. Mas o vocalista dos Amon Amarth também é uma grande influência para mim.

RS: E influências para os Burn Damage? O que é que vos inspira?

IF: Temos uma grande influência de Pantera, Sepultura, e de outras bandas que apenas os outros membros saberão dizer. Já disse quais são as minhas a nível vocal, e eles têm as deles porque nós temos gostos diversos. Tanto gostamos do Metal mais pesado, como daquele Grunge que toda a gente conhece. Por exemplo, o Alex gosta imenso de System of a Down, e inspira-se muito neles. Mas regra geral são essas bandas mais old school que nos inspiram. Obviamente que nem sempre as pessoas notam, porque nós temos a vantagem de querer fazer uma cena muito própria.

Entrevista por Rita Cipriano, datada de Outubro de 2011.

Fotografias por João Ouro. Fonte: Land of Serpents

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