Texto por: David Matos

Fotografia por: Agata Urbaniak

 
 
 

Brainderstörm

Darkwave/Gothic  –  Portugal

Depois de ter assistido ao seu concerto de estreia no Entremuralhas 2011, foi com grande expectativa em relação à sua evolução que esperei por esta segunda oportunidade de ver os Brainderstörm ao vivo. O principal destaque foi o acréscimo do violinista Nuno Santos à banda, que intensifica a emoção das músicas e assenta que nem uma luva no som da banda. Diria mesmo que é um elemento essencial para levar a banda a uma dimensão maior. Em termos de presença em palco, a banda pareceu mais madura e segura de si mesma, apesar do concerto não ter corrido da melhor forma, longe daquilo que tinham planeado, devido a um soundcheck apressado.

Logo na música de abertura, que por sinal foi a única faixa nova em relação à setlist do Entremuralhas, se notou que havia problemas no som. A frustração foi visível no rosto de João Nascimento, mas os problemas continuaram durante todo o concerto e a banda fez os possíveis e impossíveis para dar um espectáculo de serviços mínimos. Missão mais que bem sucedida, tendo em conta que muitos dos que estavam a assistir não deram por nada. Com um profissionalismo exemplar, a banda deu um espectáculo de 50 minutos que mergulhou a plateia num estado de doce melancolia e serenidade. Os muitos que foram lá apenas para ver os S.C.U.M e não conheciam os Brainderstörm decerto ficaram surpresos pela qualidade que a banda leiriense demonstrou.

Para terminar, gostaria só de fazer uma crítica à sonoridade da banda, nomeadamente ao final das músicas. Praticamente todas elas acabam de forma semelhante, com um som arrastado de orgão interrompido quase bruscamente. Seria de grande valor para a banda apostarem em finais diferentes, que puxassem mais pelo público, que despertassem a plateia para as tão merecidas palmas. Não vejo a hora de ver os Brainderstörm outra vez, desta feita, espero, com o concerto em perfeitas condições.

Setlist

1. Into The Arms Of Our Silence
2. They Know What They Want
3. We Made Statues Of Our Hearts
4. Do As You Will
5. Time to Take Ourselves Back
6. Velvet Bloodine
7. Your Grave Is My Landscape

 

S.C.U.M

Post-Punk/Shoegaze  –  Inglaterra

O festival Fade In 2011 encerrou com os britânicos S.C.U.M, banda em grande ascensão no panorama europeu e com uma legião de fãs considerável tendo em conta a sua ainda curta duração. Jovens e ainda algo inexperientes em palco (excepto o vocalista, que parecia um autêntico furacão), mas com uma mestria considerável a nível instrumental, o concerto que deram em Leiria foi intenso e memorável, tendo no entanto pecado na sua curta duração: apenas 37 minutos.

A banda veio a terras lusas apresentar o seu primeiro álbum, Again Into Eyes. Esperava que eles o tocassem na íntegra, e assim deu a parecer tendo em conta que as primeiras seis músicas foram também as seis primeiras do disco, mas infelizmente saltaram três e acabaram com a Whitechapel (já lá vamos). A abertura com Days Untrue foi intensa e fez com que o público se manifestava efusivamente nas palmas, algo que aconteceu em crescendo com o desenrolar do concerto. A voz de Thomas Cohen era por vezes imperceptível, uma falha resultante da sua inquietude em palco, que o afastava do microfone nalgumas partes. Destaque para o trabalho magistral na bateria de Melissa Rigby, surpreendeu-me imenso a sua técnica e intensidade a tocar. Também de louvar foram as partes mais experimentais proporcionadas pelas máquinas sonoras de Bradley Baker e Samuel Kilcoyne, com alguns momentos a fazer lembrar Pink Floyd e King Crimson.

O grande destaque deste curto concerto vai para o tema final, Whitechapel, no qual o público se levantou das cadeiras e foi para a frente do palco dançar, um momento especial que deve ter agradado sobretudo à banda, que talvez não esperasse uma recepção tão calorosa e desinibida. Foi um final alegre, dançante e que juntou o público, mas deixou algo a desejar por o concerto ter ficado por ali. O vocalista ainda voltou a palco para agradecer todo o apoio e disse que não tinham mais nada para tocar. Alguém na plateia sugeriu que voltassem a tocar a Whitechapel, mas a banda acabou mesmo por dar finda a sua prestação. Decerto uma banda a acompanhar no futuro.

Setlist

1. Days Untrue
2. Faith Unfolds
3. Cast Into Seasons
4. Amber Hands
5. Summon The Sound
6. Sentinal Bloom
7. Whitechapel

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