Esta era uma noite que prometia “peso” comedido na mítica Incrível Almadense e as expectativas eram muitas por diversos factores. Por um lado e como banda principal no cartaz desta noite estavam os OPETH, passados poucos meses de um excelente concerto no festival de Vagos, os fãs da banda ansiavam ver como seria a encenação que a banda daria ao vivo na apresentação do seu mais recente trabalho de estúdio, o álbum “Heritage“.

Esta noite que marcava a passagem da Heritage Tour 2011 tinha tudo para marcar os presentes. As portas abriram quinze minutos depois do previsto, com as filas normais, já que o espectáculo havia esgotado há mais de um mês atrás e isso diz muito do que se podia esperar desta noite. Ainda faltavam dez minutos para as horas anunciadas do primeiro concerto (21hrs) e as luzes esvaíram-se dando entrada a Daniel Gildenlöw, Fredrik Hermansson, Johan Hallgren, Léo Margarit e Daniel Karlsson. A ansiedade dos fãs da banda era muita, já que se perspectivava um concerto memorável mesmo estando em background de OPETH e as expectativas não ficaram defraudadas, muito longe disso.Do outro lado e com espaço reduzido no cardápio estavam os PAIN OF SALVATION, banda Sueca que acompanha os seus conterrâneos OPETH nesta tour. Os PAIN OF SALVATION só por uma vez haviam pisado em solo luso e já lá vai uma década, parecendo impossível perceber tal espaço temporal perante a qualidade desta banda.

A entrada em palco ficou marcada logo pela apresentação de uma música do mais recente trabalho da banda, o “Road Salt Two” e que demonstrou o poder em palco do extasiante Gildenlöw, muito bem acompanhado por músicos de craveira, diga-se. Os PAIN OF SALVATION seguiram a um novo ritmo, percorrendo desta feita o álbum “The Perfect Element, Part I” tocando “Ashes”, demonstrando um pouco de retrospectiva musical a que sempre se impuseram. O concerto continuou com mais três faixas do recente trabalho e digamos que ao vivo, soam a algo épico. A energia e o  entusiasmo dos executantes são dignos de uma sequela à qual as suas músicas encaixam perfeitamente como banda sonora. Já que estávamos numa noite de “acalmia”, a música “1979” é o plano perfeito do propósito, introspectiva até aos limites mas de sonoridade deslumbrante, encaixando perfeitamente na “pausa” de meio de concerto. Revisitando “Scarsick”, segui-se a “Kingdom of Loss”, dando abertura a um final que não dava vontade nenhuma que chegasse. Foi então que chegou a vez de dar voz à primeira parte de Road Salt, interpretando “Linoleum” e “No Way”, duas músicas muito intensas que o público soube aproveitar, dando à banda o que ela merece, o reconhecimento da sua mestria em palco. Foi o culminar de um espectáculo que deixou um gosto amargo, simplesmente porque a banda que ali estava merecia e merece bem mais dos nossos palcos do que apenas ser banda de suporte.

SETLIST
Softly She Cries
Ashes
Conditioned
1979
To the Shoreline
Kingdom of Loss
Diffidentia
Linoleum
No Way

Mikael Akerfeldt e companhia voltaram a Portugal para fechar estar noite que tivera sido aberta de maneira exímia.

Começando com temas do novo álbum “Heritage”, que se tornam menos enfadonhos ao vivo, mais pesados e que ao mesmo tempo subentendem a influência dos 70s que tanto criou estranheza aos ouvidos dos fãs habituados a uns OPETH pesados e complexos, por meio de piadas e trocadilhos de Akerfeldt e com direito a versões acústicas de temas mais antigos, a noite foi-se passando.

Os temas mais pesados fizeram falta? Fizeram, sem dúvida alguma… Mas quem “assinou” para este concerto já sabia ao que ia e não seria possível dizer que o rendimento dos suecos não esteve no nível devido. Talvez os defeitos que pudessem ser apontados recaíssem sobre o som e a organização do tempo: A guitarra e a voz de Akerfeldt não estavam no volume correcto, o que tornava por vezes dificil acompanhar as faixas mais “sing-along”. Porém, talvez isso tenha ajudado a que o público oferecesse à banda o final do tema “Closure” como nunca o tinham ouvido – entoado a plenos pulmões pelos fãs. E, embora não seja menos importante que a música, a interacção com o público, tão natural de Akerfeldt, poderá ser considerada desmedida – com menos brincadeira poderiamos ter sido brindados com um dos temas requisitados pelo público (temas como Ghost of Perdition, Master’s Apprentices, Deliverance).

Embora possa ser considerado um defeito deste tipo de concerto a opção de um set acústico, o público aderiu bastante bem – talvez porque para este set tenham sido escolhidas algumas das músicas menos recentes. De maneira efusiva os recebemos e de maneira efusiva obtivemos resposta – tanto quanto possível, fizemos jus à fama dos públicos portugueses e os suecos fizeram jus ao seu posto já adquirido.

SETLIST
1.The Devil’s Orchard
2.I Feel The Dark
3.Face of Melinda
4.Porcelain Heart (with drum solo)
5.Nepenthe

Acústico:
6.The Throat of Winter
7.Credence
8.Closure

9.Slither
10.A Fair Judgement
11.Hex Omega

Encore:
12.Folklore

Texto
Ricardo Raimundo (PAIN OF SALVATION)
Diogo Oliveira (OPETH)

Fotografia
Manuel Casanova

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