Não fazia muito frio na capital nesta noite de sábado. Estava então marcado o regresso de ULVER a Portugal, desta vez em Lisboa, praticamente um ano depois da estreia no Porto. A diferença entre salas foi logo digna de referência: o espaçoso palco da Casa da Música em muito difere do palco pequeno do Musicbox. As portas da sala foram abertas às 22h30 e então chegou a surpresa. Um palco entulhado de instrumentos, eliminando toda a capacidade de mobilidade da banda em palco. De qualquer forma, era noite de nos apresentarem “Wars Of The Roses”, o seu último álbum.

Dispensada banda de abertura (e ainda bem, imagina-se quando tempo se demorou a colocar tudo em palco), os ULVER foram introduzidos para uma surpreendente meia-sala. A quantidade de eventos neste mês para o “pequeno” público português denunciou-se pelas escassas pessoas presentes, especialmente em véspera de OPETH na outra margem do rio Tejo. E foi realmente caricato o momento de entrada da banda, de luzes apagadas, a batalharem com todas as forças para contornarem todos aqueles obstáculos para alcançarem as suas posições. Foram reservadas quatro faixas de rajada do seu último álbum, que ganham outra vida quando tocadas ao vivo. A intensidade é logo outra quando Daniel O’Sullivan se faz ouvir com o seu baixo ou guitarra, especialmente quando surge a improvisar – como por exemplo, logo antes de ‘Lost In Moments’, que o público recebeu calorosamente. Kristoffer fez questão de brincar com o tamanho do palco, dizendo que era bastante diferente da Ópera da Noruega (em alusão ao espectáculo que lá gravaram).

O som encontrava-se muito bom e a banda brindava-nos com uma performance muito boa, com um Kristoffer Rygg bastante afinado. Daniel O’Sullivan afirmou-se como um animal de palco, completamente imparável nos instrumentos de cordas e no teclado. Em ‘Darling Didn’t We Kill You?’ a banda assumiu controlo total da sala com arranjos e improvisações explosivas. Seguia-se então o momento do encore, mas dada à dificuldade dos músicos em sair do palco, Tore Ylwizaker e Lars Pedersen ficaram sentados a olhar para o público proporcionando uma gargalhada geral. Kristoffer Rygg, Daniel O’Sullivan, Kristin Boyesen e Ole Aleksander Halstensgård voltaram então para mais uma mão-cheia de temas. ‘For The Love Of God’ confirmou a suspeita de que as faixas do álbum “Blood Inside” resultam muito bem ao vivo, seguindo-se dois temas também muito marcantes. Reservado para o final estava uma cover dos The Troggs, ‘654321 (I Know What You Want)’, com uma boa dose de rock dos anos 60. ‘Eos’ foi digna de um segundo encore, de sala escura, apenas com a ascensão de uma lua cheia nos visuais de fundo. A profundidade e subtileza da faixa encantou todos os presentes.

Setlist

February MMX
Norwegian Gothic
England
September IV
Lost In Moments
Porn Piece Or The Scar Of Cold Kisses (Piece 2)
Island
Darling Didn’t We Kill You?
—–ENCORE #1—–
For The Love Of God
Little Blue Bird
Rock Massif
654321 (I Know What You Want) [The Troggs’ cover] —–ENCORE #2—–
Eos

Em suma, uma grande noite de uma banda que parece não cá voltar tão cedo, muito por culpa da meia-sala que protagonizaram em Lisboa. Ficou por explicar a ausência de Jørn H. Sværen, que até nem foi grande preocupação dada à qualidade do espectáculo. Provavelmente as opiniões dividiram-se entre o público (fãs dos primeiros álbuns, talvez), mas os ULVER souberam dar um concerto com uma atmosfera única, fazendo viajar os presentes.

Agradecimentos: SWR inc.

Texto por Sofia Correia e Nuno Bernardo.

Fotografias por Nuno Bernardo.

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