Em feriado dos finados, abriram-se as portas da Incrível Almadense para acolher um evento de culto ao death metal. Os suecos AMON AMARTH estavam de regresso a Portugal depois das actuações no Coliseu de Lisboa (em 2007, como primeira parte de DIMMU BORGIR) e na primeira edição do VAGOS OPEN AIR (em 2009). Com eles vieram os gregos SEPTIC FLESH de forma a completar a digressão europeia dos suecos em promoção ao último álbum, “Surtur Rising”. Portugal, no entanto, não pôde contar com a terceira banda desta digressão – os AS I LAY DYING – dando assim mais tempo de acção às duas restantes.

As portas abriram à hora marcada (por volta das 20h) e as longas filas para entrar foram preenchendo a sala aos poucos, que já estava completamente lotada quando, com cerca de 20 minutos de atraso, os SEPTIC FLESH subiram ao palco. A banda liderada por Spiros Antoniou começou em força por apresentar um dos temas mais marcantes do álbum lançado este ano, “The Great Mass”. A vertente mais violenta do conjunto foi arrancando sucessivas movimentações no centro da sala, com um moshpit muito activo. Muitos ali estavam para ver esta banda, manifestando-se com cânticos e com múltiplos horns à medida que Spiros puxava pelo público, de forma bastante comunicativa e entusiasta. A ausência de teclados e da voz limpa (tocados em cassete) fizeram a exibição perder alguma cor, mas o som bem equalizado e misturado compensou alguns fãs. Alguns porque a qualidade do som saído das colunas parecia variar consoante a localização na sala. Destaque para o tema ‘Persepolis’, que teve direito até a um wall of death proposto pelo baixista. O baterista Fotis Benardo encerrou então o concerto sozinho em palco, marcando as batidas da recta final de ‘Five-Pointed Star’.

Setlist

The Vampire From Nazareth
Communion
We, The Gods
Pyramid Gods
The Great Mass Of Death
Anubis
Persepolis
Five-Pointed Star

A sala estava um inferno. E numa noite fria, a Incrível Almadense ia-se despindo para a chegada dos AMON AMARTH. Assim que os suecos deram início ao espectáculo, com um som bem mais elevado, o aperto aumentou consideravelmente e respirar quase parecia tarefa impossível para o público mais baixo. Os cânticos da melodia de ‘War Of The Gods’ foram constantes e a entrada não poderia ter sido mais épica. Os ânimos voltaram a subir quando o vocalista Johan Hegg anunciou o gigante Surtur como ‘Destroyer Of The Universe’, que destruiu metaforicamente a sala. A partir daqui, o crowdsurfing e o moshpit tornaram-se constantes. A boa disposição do vocalista ficou marcada quando o mesmo anunciou o tema ‘Live Without Regrets’ por engano, depois da banda ter tocado… a própria ‘Live Without Regrets’! Gargalhadas, é claro. Johan Hegg pediu desculpa e acrescentou mais algumas piadas à brincadeira, referindo que a faixa era tão boa que até podia ter sido tocada duas vezes. Johan já tinha encantado o público pela sua interacção com palavras em português e, em Almada, voltou a acontecer – como bom conhecedor do nosso calão, sucessivamente exclamou ‘bora lá c******’ no início dos temas. Um dos momentos mais altos foi mesmo a conhecido ‘The Pursuit Of Vikings’, cuja melodia se gritou por todos os cantos da sala. Johan apareceu com uma máquina de filmar de forma a registar o público a entoar o refrão, múltiplas vezes. Após esse tema, o concerto foi perdendo alguma magia e energia à medida que as faixas se iam sucedendo. A homogeneidade do som da banda desgastou a euforia dos fãs, que voltaram à acção quando ‘Ride For Vengeance’ se iniciou. As épicas ‘Embrace Of The Endless Ocean’, ‘Asator’ e ‘Death In Fire’ contribuíram para uma grande recta final, onde Johan Hegg dava por si em qualquer ponto do palco, afastando a ideia de frontman. A verdade é que o vocalista até atrás da bateria andou, libertando os guitarristas e o baixista na frente do palco. A forma de comunicar da banda foi mesmo um dos pontos fortes do concerto, típico de quem sabe mesmo dar espectáculo. O encore ocorreu de forma estrondosa, com a simulação de trovões pelas luzes de palco. ‘Twilight Of The Thunder God’ apresentou-nos Thor, o deus do trovão, com uma explosão de energia vivida na audiência. ‘Guardians Of Asgaard’ foi um fecho perfeito, com toda a gente a cantar as suas melodias e refrão em alto e bom som. A banda despediu-se então do público com a bandeira portuguesa nas mãos de Johan Hegg, que fez questão de a meter direita. Parece haver já uma forte ligação da banda sueca ao nosso público, que se mostrou incansável em gritar PORTUGAL quando a bandeira estava aos ombros do vocalista.

Setlist

War Of The Gods
Runes To My Memory
Destroyer Of The Universe
Live Without Regrets
Live For The Kill
The Pursuit Of Vikings
For Victory Or Death
Varyags Of Miklagaard
Slaves Of Fear
A Beast Am I
Ride For Vengeance
Embrace Of The Endless Ocean
Free Will Sacrifice
Asator
Death In Fire
——ENCORE——
Twilight Of The Thunder God
Guardians Of Asgaard

Mais um grande evento promovido pela Prime Artists, que aproveitou a ocasião para anunciar os dois primeiros para a próxima edição do festival Vagos Open Air. Foi uma grande noite numa sala a rebentar pelas costuras, que parece ter afastado a ideia de crise que se vive no país. Não é por acaso que muita gente se queixou de se sentir como “sardinhas em lata”. Mas isso deve ser algo que a grandeza dos AMON AMARTH justifica, conseguindo arrastar tanta gente para Valhalla durante hora e meia de concerto.

Agradecimentos: Prime Artists

Texto por Nuno Bernardo e Sofia Correia.

Fotografias por Nuno Bernardo.

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