O Festival

Texto por: David Matos
Fotografia por: Nuno Bernardo
Assistência técnica e no texto por: Nuno Bernardo e Rita Cipriano

O Vagos Open Air é um festival de Verão dedicado ao Metal que se realiza anualmente em Agosto na Lagoa do Calvão, Vagos, desde 2009. Apostando forte logo na primeira edição em tornar-se o maior e melhor festival de Metal em Portugal, o V:O:A teve um arranque absolutamente brilhante. Aquela edição de estreia vai ficar-me na memória como um dos melhores momentos da minha vida, com as recordações da cristalina voz de Simone Simons dos Epica, a magia e brilhantismo de Katatonia e Cynic, a brutalidade e profundidade dos Dark Tranquillity e a guerra viking dos Amon Amarth gravadas no tempo.

 
Apostando sempre em trazer nomes sonantes e de variados géneros dentro do Metal, o Vagos Open Air consegue agradar a todos os metaleiros, seja só por uma banda ou pelo cartaz inteiro; haverá sempre algo de interessante para todos os gostos. Este é um dos principais pontos fortes do evento, que não se destina a juntar somente fãs de Black ou de Death ou de Thrash, mas sim todos os metaleiros. Conseguem imaginar outro local onde, por exemplo, fãs de Anathema e Morbid Angel pudessem desfrutar música juntos?
 
Foi com imensa pena minha que não pude ir à edição de 2010, mas pude constatar pelas críticas que a qualidade do festival se manteve, com especial destaque para Amorphis, Ensiferum, Carcass e Meshuggah. Era por isso vital que esta terceira edição fosse igualmente brilhante, para que o nome do festival ficasse de vez registado no nosso subconsciente como um local único onde se reúnem os metaleiros de todo o país para viverem no nosso peculiar mundo de peso durante dois dias.
 
Foi com prazer que voltei à Lagoa do Calvão para esta terceira edição, fazendo-me acompanhar pela minha namorada e desta feita com a sempre difícil mas nobre missão de cobrir o evento, na qual tive ajuda dos outros três membros da Ruído Sonoro que me acompanharam. Encontrei o espaço que tinha deixado em 2009 tal e qual como me lembrava, num ambiente simultaneamente de paz, por entre as sombras das árvores e a presença da lagoa, e o ambiente quente e ruidoso típico de um festival, onde os desconhecidos se tornam irmãos e partilham os seus gostos musicais comuns.
 
Esta edição de 2011 ficou marcada por momentos inesquecíveis como foram os concertos de Opeth e Devin Townsend, pelo regresso ao activo dos portugueses Malevolence e também por alguns aspectos menos positivos, nomeadamente algumas falhas técnicas e de som. Não obstante, foi mais uma edição de sucesso que tenho todo o prazer em relatar, tentando ser o mais fiel possível às actuações de todas as doze bandas. Se não foram, espero que consigam ter uma ideia de como foi após lerem esta análise; se estiveram lá, penso que irão concordar com a maioria das minhas palavras.

 

Concertos

Aqui ficam os links para a análise a todos os concertos do festival, por dias:

DIA 1: Revolution Within – Crushing Sun – Essence – Anathema – Tiamat – Opeth
DIA 2: We Are The Damned – Malevolence – Kalmah – Ihsahn – Devin Townsend Project – Morbid Angel

 
 

Notas Finais

Como já referi, esta edição do Vagos também teve alguns problemas. Fora as questões técnicas durante os concertos, é também de referir as pobres condições sanitárias, que levantaram muitas vozes de queixa pela falta de higiene. Também a obtenção de água para quem quisesse simplesmente lavar as mãos ou os dentes era difícil, com uns quase inexistentes chafariz de água (não vi mais do que três) apenas na zona do acampamento mais próxima da lagoa.
 
A zona de merchandising também me deixou surpreendido pela negativa: depois da enorme tenda que vi em 2009, na qual encontrei muitos artigos de interesse, este ano fui surpreendido por umas barracas pequenas e com pouco material, onde a circulação era feita aos encontrões devido ao espaço ser extremamente pequeno. Como último aspecto negativo, saliento a demora na revista das pessoas antes de entrarem no recinto, com filas intermináveis à porta do mesmo e com os concertos a começar. Penso que o processo poderia ser mais rápido e simples, para o bem de todos.
 
Espero que tudo isto possa ser melhorado na edição de 2012. Para terminar em nota positiva, destaco o excelente comportamento cívico da maioria dos presentes (uma ou outra excepção, mas nada de grave). Destaco também a facilidade de acesso ao local e as muitas opções de comida e bebida tanto fora do recinto como dentro do mesmo. Também os lugares sentados à sombra na bancada lateral são de louvar, para quem quiser assistir aos concertos de final de tarde mas não se interessa o suficiente pela banda para estar de pé ao sol. Como último aspecto positivo, a alcatifa que cobre a parte do recinto em frente ao palco, que evita o pó e permite que todos desfrutem dos concertos sem começar a tossir ou espirrar, queixas que houve noutros festivais de Verão.
 
A edição de 2012 do Vagos Open Air está marcada para os dias 3 e 4 de Agosto. Conseguirão os responsáveis pelo evento manter a qualidade do cartaz na quarta edição do festival? Espero ver-vos por lá! Saudações metaleiras!

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