Revolution Within

Thrash Metal  –  Portugal

Depois de F.E.V.E.R. e Prayers Of Sanity terem aberto as duas edições anteriores do Vagos, a tradição este anao manteve-se com uma banda portuguesa, desta feita com os Revolution Within. Uma setlist curta, com apenas seis músicas, foi o suficiente para aquecer os ânimos, quanto mais não fosse pela grande energia em palco e interacção com o público por parte do conjunto de Santa Maria da Feira. Insistentes no apoio ao Metal nacional ao longo de toda a actuação, ninguém pode acusar estes senhores de não entreterem bem o público ao longo de um concerto e de não apelarem ao espírito de união da comunidade metaleira nacional.

Com três temas do álbum de estreia, Collision, e outros três possivelmente a constar no próximo álbum (com destaque pessoal para Without Recognition), a breve actuação dos Revolution Within, cheia de vigor e brutalidade, contou ainda com uma wall of death na última música, a pedido do vocalista Raça. Destaque também para o público, que apesar de ser ainda cedo e estar algum calor, apoiaram energicamente a banda, apoio esse mais vincado no tema Surrounded By Evil.

Setlist

1. Only The Stronger Will Survive
2. Silence
3. Evil(ution)
4. Surrounded By Evil
5. Without Recognition
6. Stand Tall


Crushing Sun

Death/Sludge Metal  –  Portugal

Seguiram-se os Crushing Sun, segunda e última banda nacional do dia. Após a actuação dos Revolution Within, a esta faltou claramente o que abundava na anterior: comunicação com o público. No entanto, esta falha foi compensada pelo profissionalismo da banda em palco, com uma execução brilhante de sete temas do álbum TAO (com excepção do último, Longoria, que foi lançado num trabalho anterior). Talvez devido à pouca intimidade da banda com aqueles que os viam, não houve tanta energia entre o público como na actuação anterior, mas nem por isso houve falta de vozes a louvar a prestação da banda, para muitos o melhor dos quatro conjuntos lusos a pisar o palco do Vagos Open Air 2011.

Com uma técnica e qualidade irrepreensíveis, a curta actuação dos Crushing Sun ficou marcada por temas como T’Hatcher (o favorito de muitos) e Love. A sonoridade Death Metal soube bem a uma multidão que só voltaria a ouvir este género na última actuação, dos Opeth. Destaque para a sonoridade única que a banda consegue criar em estúdio e recriar em palco, com elementos de Doom/Sludge e partes muito bem trabalhadas.

Setlist

1. Rain
2. Cantilever
3. T’Hatcher
4. 12379 Seconds
5. Love
6. 20 To 20000 Hertz
7. Longoria

Essence

Thrash Metal  –  Dinamarca

A primeira banda internacional do dia era uma incógnita para a maioria dos presentes. Com apenas seis anos de existência, um EP e um álbum, os dinamarqueses Essence são uma banda jovem, mas com uma sonoridade fiel ao Thrash Metal clássico. O enorme sucesso em torno do álbum de estreia, Lost In Violence, trouxe-os com todo o mérito ao palco desta terceira edição do Vagos. Se de uma banda tão jovem seria de esperar algum nervosismo, insegurança ou falhas, foi exactamente o oposto que se verificou. Liderados em palco pelo vocalista e guitarrista Lasse Skov, os Essence brilharam na presença em palco e conquistaram muitos fãs neste final de tarde na Lagoa do Calvão.

Com uma setlist de nove músicas, houve espaço para três temas novos (Arachnida, Children Of Rwanda e Gemstones) e ainda uma cover do mítico tema Raining Blood dos Slayer, que mostra bem qual o tipo de sonoridade que inspira os Essence. Numa actuação marcada pela boa disposição nos sorrisos e agradecimentos, a qualidade técnica da banda era algo que muitos não esperavam ver certamente, especialmente de um elenco tão pouco maduro. A abertura de baixo do tema Blood Culture, protagonizada por Tobias Nefer, foi um momento absolutamente encantador. Também o guitarrista solo Mark Drastrup brilhou nalguns solos, com destaque para o tema Shades Of Black.

A prestação da banda deixou uma boa impressão, com os temas novos a prometerem mais um álbum de grande qualidade para suceder Lost In Violence. O tema homónimo do álbum de estreia, um dos melhores da setlist, fechou a actuação, depois da cover da Raining Blood que levou o público ao rubro. Certamente uma banda a acompanhar, tanto em estúdio como ao vivo. Quase deram a sensação de terem tido aulas de presença em palco antes, tamanho foi o à vontade com que o fizeram.

Setlist

1. Pestilence
2. Arachnida
3. Children Of Rwanda
4. Blood Culture
5. Trace Of Terror
6. Gemstones
7. Shades Of Black
8. Raining Blood (Slayer Cover)
9. Lost In Violence

Anathema

Atmospheric Progressive Rock  –  Inglaterra

O espetáculo prosseguiu com o primeiro dos três grandes nomes da noite. Os britânicos Anathema pisaram o palco à hora marcada (tal como as todas as bandas até então) e abriram com um dos seis temas que tocaram do mais recente trabalho, We’re Here Because We’re Here. Metade da setlist com temas desse álbum e a outra metade com temas maioritariamente mais calmos, tornaram este concerto muito menos pesado do que o último que tinha visto deles, em 2005. Foi no entanto um “momento no tempo”, em que conseguiram cativar a atenção do público de uma maneira mágica e cheia de energia positiva, algo difícil numa plateia com preferências musicais maioritariamente mais pesadas.

Extraordinariamente profissionais em palco, e apesar da natureza suave das músicas, foram tão enérgicos que sugaram por quatro vezes a enérgia eléctrica. A primeira falha foi logo na segunda música, Summernight Horizon, que não foi retomada pela banda quando a energia voltou. Quatro temas do novo álbum volvidos e Vincent Cavanaugh apresenta-nos o nosso conhecido compatriota Daniel Cardoso, novo teclista dos Anathema ao vivo. Seguiram-se três temas de álbuns anteriores, já clássicos da banda, para prazer dos fãs que assistiam. Destaque para a voz de Lee Douglas, que como sempre foi brilhante no tema A Natural Disaster.

Foi no tema Empty, nono na setlist, que a energia do palco voltou a falhar, não uma, não duas, mas três vezes, para desespero dos presentes! Foi também o momento alto do concerto, quando a banda retomou o tema no seu auge. Com todo o seu profissionalismo e classe, os Anathema tornaram as dificuldades técnicas a seu favor, sem nunca largarem os sorrisos e simpatia para com o público. Um atitude louvável que só uma banda que trata o palco por tu poderia proporcionar.

Mais três temas e o concerto fechou com uma execução épica de Fragile Dreams. Um final magnífico que reflectiu bem todo o concerto, até nas falhas de energia, com mais uma mesmo no final do tema. Ficou no ar um misto de satisfação pelo concerto e insatisfação pelas falhas técnicas.

Setlist

1. Thin Air
2. Summernight Horizon
3. Dreaming Light
4. Everything
5. Closer
6. A Natural Disaster
7. Deep
8. A Simple Mistake
9. Empty
10. Flying
11. Universal
12. Fragile Dreams

Tiamat

Death/Gothic/Atmospheric Metal/Rock  –  Suécia

A actuação seguinte foi antecedida de vastos e intensos testes em palco para que não se repetissem os problemas técnicos verificados em Anathema, um procedimento que demorou hora e meia e que atrasou em quase uma hora o concerto dos Tiamat, para impaciência do público que já começava a dar sinais de aborrecimento. Foi então perto das 23 horas que a primeira banda sueca da noite pisou o palco, abrindo com o clássico Fireflower. Se os Anathema preferiram dar destaque aos temas mais recentes, os Tiamat, pelo contrário, deram um concerto a pensar nos grandes êxitos de toda a sua discografia.

Irrepreensíveis na sua actuação, os primeiros 4/5 temas foram marcados por pontuais falhas no som de alguns instrumentos (muito altos ou muito baixos), com a ameaça das falhas de energia a pairar no ar, mas felizmente a partir daí o concerto desenrolou-se sem problemas.

É indescritível o quão bem sabe ouvir os Tiamat a tocar de seguida clássicos como Cain, Whatever That Hurts, Divided, Vote For Love e Brighter Than The Sun. É de levar qualquer fã ao êxtase! Não houve um único tema menos bom na setlist, até a Until The Hellhounds Sleep Again, a música que tocaram do álbum mais recente, encaixou bem em tudo o resto.

Todo o concerto foi no mesmo tom de profissionalismo, com Johan Edlund a mostrar o porquê de ser um ícone por si só. Com a sua voz profunda e sinceros agradecimentos ao público, conduziu o concerto com uma postura séria e adequada à setlist. A fechar, Gaia foi a despedida que não poderia faltar, um dos temas mais marcantes de toda a discografia deste gigante sueco.

Setlist

1. Fireflower
2. Children Of The Underworld
3. Cain
4. Whatever That Hurts
5. Divided
6. Vote For Love
7. Brighter Than The Sun
8. Until The Hellhounds Sleep Again
9. Phantasma De Luxe
10. Cold Seed
11. Wings Of Heaven
12. The Sleeping Beauty
13. Gaia

Opeth 

Extreme Progressive Metal  –  Suécia

Na multidão do Vagos, uma em cada três t-shirts era dos Opeth, ou assim parecia. Foi por isso sem surpresa que os veteranos suecos deram à edição de 2011 do evento a maior enchente dos dois dias. Com meia hora de atraso em relação à hora marcada, mas sem grande atraso tendo como marco o final do concerto dos Tiamat e em conta os problemas técnicos anteriores, Mikael Åkerfeldt e companhia subiram ao palco para dar início ao mais memorável espectáculo do dia. Depois da introdução, os Opeth abriram a setlist com The Grand Conjuration, que levou a multidão ao delírio. Já cá fazia falta um bom som de Death Metal, depois das actuações mais leves de Anathema e Tiamat!

Bem disposto e sempre muito falador, Åkerfeldt anunciou a primeira das duas baladas que banda tocou. Com Face Of Melinda, In My Time Of Need e Burden na lista de baladas mais tocadas ao vivo pela banda, foi esta última a deixada de fora em Vagos. Depois da sempre bela Face Of Melinda, foi a vez do tema The Lotus Eater voltar a dar peso e agressividade ao concerto. Mais uma vez, depois da tempestade veio a calma, com a já mítica balada In My Time Of Need a ser cantada como o hino dos Opeth.

Mikael Åkerfeldt sugeriu aos presentes que talvez estivessem demasiado cansados e fosse melhor irem para as tendas, abrigarem-se da chuva e “falar” com as namoradas, mas o público rejeitou a ideia. Veio por isso aquele que é o tema mais badalado dos Opeth, Master’s Apprentice, pura genialidade de composição num tema que sabe ainda melhor ao vivo e levou consigo o frio e a chuva miúda que se faziam sentir na Lagoa do Calvão. Depois de um belo solo de guitarra, seguiu-se outro dos temas de maior destaque na discografia da banda, The Drappery Falls. Épico!

A banda partiu então para um dos seus temas favoritos. Tal como Mikael disse, a banda gosta mais deste tema do que os fãs, por isso tocam-no para eles próprios. Antes do final, um discurso de despedida do vocalista para arrancar mais umas gargalhadas, seguidas de uma ameaça da Welcome To The Jungle dos Guns N’ Roses, que depressa se transformou em Deliverance, tema com que finalizaram a actuação. Sem sombra de dúvidas, um dos maiores ícones do Metal mundial, tanto em estúdio como em palco.

Setlist

1. The Grand Conjuration
2. Face Of Melinda
3. The Lotus Eater
4. In My Time Of Need
5. Master’s Apprentices
6. The Drapery Falls
7. Hex Omega
8. Deliverance

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