Narsilion

Darkwave/Neo-Clássico  –  Espanha
Palco Igreja da Pena 

Oriundos da vizinha Espanha, os Narsilion foram a banda escolhida para dar início ao último dia do Entremuralhas e fechar o ciclo de actuações na Igreja da Pena. Diferentes de qualquer outra banda no cartaz, a sua sonoridade manifestamente neo-clássica encheu o ar com melodias calmas e profundas, que mergulharam o público num transe de puro relaxamento. O rufar dos tambores marcava o ritmo da alma, o piano e o violino davam um toque de suprema beleza, enquanto que a voz de Sathorys Elenorth ecoava fortemente pelas paredes da Igreja, em contraste com as vozes femininas que deslizavam suavemente pelo ar.
 
Fiquei sinceramente maravilhado pela actuação deste conjunto catalão e a julgar pela enchente que provocaram (a certo ponto era simplesmente impossível entrar mais alguém), não fui o único. A sua música não é única no mundo, nem sequer é o melhor do género, mas soube profundamente bem naquele momento. A intensidade que a banda deu à actuação transformou-o num momento mágico (mais um!) desta edição do festival.
 
Foi com alguma pena que vi a actuação deles chegar ao fim. Apesar do resto da noite prometer, naquele momento ia jurar que era capaz de ficar ali eternamente a ouvir tão doces melodias. Confesso que várias vezes simplesmente fechei os olhos e deixei a música entrar em mim. Mas o melhor ainda estava para vir nos próximos dois palcos!

Setlist

1. En Les Portes De L’Eternitat
2. Amaurëa
3. The Voice Of Sin
4. Montsegur
5. Senshi
6. The Quest Of Legacy
7. A New Beginning From The Land Of The Dreams
8. Lost Horizons
9. Pedraforca – Terra De Bruixes
10. En La Memòria Del Vent
11. Desperta Ferro
12. Beltan

 

Trobar De Morte

Medieval/Épico  –  Espanha
Palco Alma

Depois da brilhante prestação dos Narsilion, era a vez da segunda e última banda espanhola a actuar nesta edição do festival, os Trobar de Morte, pisarem o Palco Alma. Talvez a banda menos característica deste palco, eram ainda assim muito esperados pelos presentes. A sua sonoridade medieval, liderada pela bela voz de Lady Morte, ganhou muito fãs ao longo dos seus 12 anos de existência. Inspirados no misticismo da Idade Média ao longo dos seus três álbuns, a actuação da banda foi bastante variada, com os cinco membros da banda a tocarem cerca de dez instrumentos diferentes durante todo o espectáculo.
 
Num concerto que vagueou por músicas ora calmas, ora épicas, ora mais alegres, a banda foi muito bem recebida pelo público. Os muitos espanhóis que se deslocaram até Portugal para o Entremuralhas não faltaram à prestação dos seus conterrâneos e foram os mais efusivos nas palmas. Sempre com um sorriso sincero e simpático, Lady Morte encantou com a sua voz, enquanto que os restantes membros estiveram bem na sua prestação, praticamente sem falhas. A única surpresa menos positiva foi mesmo o encore, onde a banda optou por repetir o tema Cuncti Simus Concanentes, anteriormente tocado. Com três álbuns e um EP lançados, era de esperar que a banda nos presenteasse com um tema diferente.
 
Não tendo sido brilhantes, os Trobar de Morte fizeram bem a sua parte e mostraram o porquê do seu nome começar a ganhar algum relevo dentro do seu género. Com mais alguns anos de experiência em cima, esta banda pode vir a dar muito que falar no futuro.

Setlist

1. Intro: Beyond The Woods
2. The Harp Of Dagda
3. Rise And Fall
4. Excalibur
5. Natural Dance
6. Los Duendes Del Reloj
7. Morrigan
8. Ordo Militum Christi
9. Talisman
10. Cuncti Simus Concanentes
11. The Sorceress
12. Ancient Echoes
13. Aqualuna
(encore)
14. Cuncti Simus Concanentes

 

Arcana

Neo-Clássico/Pós-Industrial  –  Suécia
Palco Alma

 

A última actuação no Palco Alma estava destinada aos veteranos suecos Arcana, que presentearam Portugal com o único concerto marcado para 2011. Apesar de alguns problemas no voo e com o vocalista Peter Bjärgö algo febril, a banda não quis dar menos do que perfeição aos presentes. Se existe algo que mereça destaque na actuação dos Arcana, foi o profissionalismo na execução das músicas, tão nítidas e bem tocadas que por momentos ia jurar que estava a ouvir um álbum de estúdio.
 
Os escandinavos Arcana são absolutamente únicos naquilo que fazem. Para quem os acompanha há cerca de uma década como eu, não pude deixar de ficar satisfeito com a setlist escolhida, que incluiu os seus maiores clássicos. Depois da habitual abertura com o tema Chant Of The Awakening, com o profundo timbre de Peter Bjärgö a brilhar na voz, foi a vez de Ann-Mari Thim e Cecilia Bjärgö brilharem nos vocais femininos. Com uma afinação perfeita, ajudada pela excelente acústica do Palco Alma, o leque de músicas desenrolou-se como um conto de amor, dor e melancolia. A meio do espectáculo tivemos ainda o prazer de ouvir um tema em primeira mão, ainda sem título, a constar no próximo álbum da banda.
 
A par de Rosa Crvx, os Arcana foram a actuação mais consistente neste palco e receberam uma ovação enorme do público. A banda também revelou enorme simpatia pelo público, com constantes agradecimentos e sorrisos sinceros. Foi com pura magia nórdica que o Palco Alma fechou em 2011!

Setlist

1. Chant Of The Awakening
2. Hymn Of Absolute Deceit
3. Cantar de Procella
4. Invisible Motions
5. Lovelorn
6. Innocent Child
7. (nova música)
8. Love Eternal
9. Autumnal
10. The Ascending Of A New Dawn
11. Imprisonment Of The mind
12. Like Statues In The Garden Of Dreaming
13. Withdrawal
(encore)
14. A Wave Of Bitterness

 

Diary Of Dreams

Synthpop/Gothic Rock  –  Alemanha
Palco Corpo

 

O Entremuralhas 2011 chegava ao fim com a actuação dos Diary Of Dreams. A banda mais esperada no Palco Corpo prometia acabar a noite em grande e dar aos presentes um final de evento inesquecível. A sua sonoridade ao vivo era de longe a mais pesada de todo o cartaz e a vasta experiência deste conjunto germânico veio ao de cima com uma actuação invejável, quanto mais não fosse pela voz profunda e incomparável de Adrian Hates.
 
Os Diary Of Dreams abriram o concerto com um dos seus maiores clássicos, The Wedding, que deixou logo o público a dançar em êxtase. Revelando uma grande presença em palco, a banda continuou com um dos três temas do novo álbum (Ego:X) que a banda escolheu para esta setlist (Undividable, Splinter e Echo In Me). De salientar que todos eles foram muito bem recebidos pelos presentes. A partir daí o concerto foi, até perto do final, uma mistura desses três temas com alguns dos seus maiores clássicos (King Of Nowhere, The Plague) e duas baladas profundas (She And Her Darkness e The Darkest Of All Hours), que deram um ambiente mais melancólico à bela noite leiriense. O primeiro conjunto de músicas chegou ao fim com outro dos seus maiores clássicos, Kindrom, no qual o público esteve ao rubro, não acusando o desgaste de três dias de festival. Depois da habitual saída de palco, os Diary Of Dreams voltaram para o primeiro encore, no qual tocaram Menschfeind e Chemicals, temas que dispensam apresentações e não poderiam faltar na setlist.
 
Teria sido um final de noite magnífico, mas o público queria mais e, rendidos às palmas da plateia que recusava arredar pé, os Diary Of Dreams voltaram a palco para fechar a sua actuação com mais um tema, depois de agradecerem a todos pelo apoio e enaltecerem o nosso país no que toca a pessoas, ambiente, paisagem e… comida! Muitos esperavam talvez o clássico The Curse, mas o tema eleito foi Traumtänzer, uma escolha inteligente que deu um toque mágico à noite. Não poderia ser melhor a última recordação do Entremuralhas 2011 do que a linda melodia do refrão desta música. Chegava assim ao fim a edição de 2011 do Entremuralhas.

Setlist

1. Intro
2. The Wedding
3. Undividable
4. King Of Nowhere
5. Nekrolog 43
6. She And Her Darkness
7. The Chain
8. Splinter
9. The Darkest Of All Hours
10. Choir Hotel
11. Hypocryptickal
12. Odyssey Asylum
13. Echo In Me
14. The Plague
15. Kindrom
(encore 1)
16. Menschfeind
17. Chemicals
(encore 2)
18. Traumtänzer

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