Brainderstörm

Darkwave/Darkfolk  –  Portugal
Palco Igreja da Pena 

O segundo dia do Entremuralhas começou com uma estreia dupla: primeiro concerto no palco Igreja da Pena e primeiro concerto de sempre dos portugueses Brainderstörm. A Fade In concedeu a esta banda leiriense a honra de se estrear ao vivo no Entremuralhas 2011, um passo arriscado que se revelou certeiro. Com uma sonoridade maioritariamente darkwave e algumas influências de rock gótico, esta banda, sem qualquer trabalho editado ainda, deu-se a conhecer ao público e encantou por completo.
 
Havia quem não acreditasse que eles eram portugueses, quanto mais que este era a sua primeira actuação ao vivo, tal foi a qualidade das músicas e o profissionalismo em palco. Os erros cometidos pela banda foram quase imperceptíveis e poderiam ter sido dados por qualquer outra banda, mesmo experiente. A Igreja da Pena encheu-se de público que bateu palmas efusivamente, para visível satisfação da banda que parecia não estar a acreditar no quão bem a sua música estava a ser recebida. Uma setlist de 9 músicas completou uma hora de espectáculo, com destaque para o tema final Your Grave Is My Landscape, o mais bem recebido pela público e que se ouviu ser trauteado cá fora.
 
Com uma grande atmosfera em todo o concerto, os Brainderstörm estão mais do que parabéns. O voto de confiança da Fade In foi totalmente merecido e adivinha-se um grande futuro para este conjunto leiriense, se se mantiverem fiéis ao profissionalismo e rigor que demonstraram nesta sua brilhante estreia. Parabéns pessoal!

Setlist

1. Velvet Bloodine
2. They Know What They Want
3. Black Ribbon
4. A Wagon Filled With Clouds
5. We Made Statues Of Our Hearts
6. Time To Take Ourselves Back
7. Broken Hearts Lane
8. Do As You Will
9. Your Grave Is My Landscape

 

Sieben

Pop/Neofolk  –  Inglaterra
Palco Alma

À estreia dos Brainderstörm seguiu-se um espectáculo singular no Palco Alma. Foi a vez do músico inglês Matt Howden, conhecido no mundo artístico por Sieben, regressar a Portugal para voltar a maravilhar tudo e todos. Com um violino, a sua voz e um pedal de efeitos para captar loops, Matt, sempre divertido, criou ritmos a partir do zero e foi sobrepondo melodias, sempre num crescendo de intensidade e complexidade, por vezes insana para um homem só em palco.
 
Com um bem disposto e em bom português “Olá, boa noite! Tudo bem?”, Sieben começou a sua prestação que se baseou em temas de quatro dos seus oito álbuns, com especial ênfase para o mais recente, Star Wood Brick Firmament. Entregue de corpo e alma à música, Matt Howden proporcionou um momento inesquecível para todos os presentes. Não sei se deva destacar a capacidade de criar ritmos no tempo certo, se os dotes a tocar violino, se a voz calma que canta directamente na alma, ou se a fusão disto tudo com o espectáculo que foi a sua presença em palco, enérgica, vibrante, hipnotizante! O momento alto do concerto foi a cover da Transmision dos Joy Division, feita com classe e mestria, para delírio da plateia. Ogham The Sun e We Wait For Them foram outros dois temas muito bem recebidos pelo público.
 
Cansado mas desfeito em sorrisos de satisfação, Sieben despediu-se do Entremuralhas 2011 com um encore de duas músicas, dando espaço para os Rosa Crvx. Sem dúvida o concerto mais animado de todos no Palco Alma, divertido e mágico, que encheu por completo o recinto. Aconselho vivamente a quem tiver oportunidade que veja este senhor, é algo de muito, mas muito bom!

Setlist

1. Floating
2. Love’s Promise
3. Ogham Inside The Night
4. Build You A Song
5. Ogham The Sun
6. Transmission (Joy Division Cover)
7. Missolonghi Sky
8. We Wait For Them
(encore)
9. Donald
10. The Blade

 

Rosa Crvx

Gótico/Ritual  –  França
Palco Alma

Depois da brilhante actuação de Sieben, seguiu-se aquele que era talvez o concerto mais esperado de todo o Entremuralhas. A estreia absoluta em solo nacional dos franceses Rosa Crvx era aguardada há muito pelos fãs desta banda de culto que, ao contrário do Sieben (que ocupou o mínimo de espaço possível em palco), não só ocupou o palco inteiro com também usou uma plataforma no meio do público. O espectáculo visual começou mesmo antes do concerto: bastava olhar para aquele enorme carrilhão de 10 sinos em palco e para a bateria sem espaço para baterista, cheia de roldanas, para se ficar maravilhado.
 
O concerto começou com uma introdução instrumental de som industrial/ambiente e uma criança em estranhos trajes a executar movimentos repetidos, uma espécie de ritual moderno. Seguiu-se o tema Adorasti que mergulhou o público num ambiente ritualístico que se arrastou pelo resto do concerto. A voz de Olivier Tarabo é algo de arrepiante, penetra na alma, o piano de Claude Feeny é sinistro, o coro é um complemento negro, sufocante. Mas o mais impressionante nesta primeira música talvez fosse (para quem não sabia que assim era) ver a bateria a tocar sozinha, programada por computador, a famosa BAM dos Rosa Crvx. Seguiu-se o tema Invocation, que contou com as figurantes Juliette e Marianne, na plataforma no meio do público, a agitar duas bandeiras enormes com o nome da banda. Uma espectáculo visual único nestes primeiros momentos do concerto, mas o mais aguardado estava para vir. No quarto tema, Terribilis, Claude deixou o piano e tocou pela primeira vez o carrilhão de sinos, para maravilha dos que viam.
 
O resto do concerto desenrolou-se sempre com a mesma atmosfera que só os Rosa Crvx conseguem, que tão bem assentava naquele ambiente medieval do castelo envolto naquela noite por algum nevoeiro. A actuação da banda foi única e mágica, um momento marcante com um espectáculo visual e sonoro único no mundo. Faltava ainda um grande momento, que veio na 16ª música, Eli-Elo. As duas figurantes voltaram à plataforma, nuas e cobertas de lama e terra, para efectuar a dança da terra. Arrepiante! Foi O momento do concerto, por melhor que tenha sido tudo o resto.
 
Duvido que alguém tenha ficado indiferente aos Rosa Crvx. Não existe nada que se pareça com isto no mundo e posso garantir que só estando lá, sentir o ambiente, respirar aquela atmosfera negra de rituais antigos, ouvir aquelas palavras em latim, é que se consegue perceber o quão singular e mágico é o momento. Terminaram em grande as actuações do Palco Alma deste segundo dia, com as actuações mais únicas que já passaram por Portugal.

Setlist

1. Intro: Capteurs
2. Adorasti
3. Invocation
4. In Tenebris
5. Terribilis
6. Hel Hel
7. Tonitrvi
8. Aglon
9. Morituri
10. Ante-A
11. Venite+
12. Omnes Qui Descendunt
13. Svrsvm Corda
14. Proficere
15. Ab Irato
16. Eli-Elo (Danse De La Terre)
17. Misericorde
18. Vil

 

Eden Synthetic Corps

EBM/Industrial  –  Portugal
Palco Corpo

 

Eram esperados os Suicide Commando para fechar este segundo dia, mas os belgas foram obrigados a cancelar à última da hora. Johan Van Roy apanhou uma bronco-pneumonia e a Fade In teve em mãos um problema enorme para resolver em pouco tempo. Eis que o profissionalismo saltou ao de cima e, num espaço de algumas horas, sacaram um coelho da cartola. Quem melhor para substituir os Suicide Commando do que a melhor banda do género de Portugal, ainda para mais sendo de Leiria? Os Eden Synthetic Corps, mais conhecidos por ESC, tiveram a enorme responsabilidade de substituir a mítica banda belga nesta noite.
 
É certo que não foram nenhuns Suicide Commando, mas os ESC cumpriram a sua missão de forma brilhante. A sua actuação foi excelente e ficou a sensação de que se esta tivesse sido a banda escolhida logo de início para fechar o cartaz de um dos dias, seria perfeitamente normal. Profissionais e enérgicos, os ESC puxaram pelo público e puseram toda a gente a dançar ao som de músicas suas que se ameaçam tornar clássicos, tais como Eight Thousand Square Feet e Architecture. Se o peso de substituir os Suicide Commando alguma vez lhes passou pela cabeça, não se notou, tal foi o à vontade com que tomaram conta do palco. O público respondeu igualmente bem e conseguiram até ter mais público do que os Nitzer Ebb no dia anterior.
 
Para terminar a sua actuação, a banda optou por uma cover da mítica banda Kraftwerk, We Are The Robots. Uma brilhante solução de última hora que só revelou a fibra da Fade In. Chegava assim ao fim o segundo dia do festival, o mais mágico e único.

Setlist

1. Wrong Way
2. Waste Of Ammo
3. Angelshift
4. Needle Catwalk
5. Eight Thousand Square Feet
6. Correcting God’s Design
7. Totes Licht
8. Concrete
9. White Beast
10. Architecture
11. Matte
12. Reptile
(encore)
13. We Are The Robots (Kraftwerk Cover)

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