Ignis Fatuus Luna

Dança/Performance  –  Portugal
Palco Igreja da Pena

A segunda edição do festival Entremuralhas começou no palco da Igreja da Pena, para o qual não estava reservado um concerto neste primeiro dia, mas antes a um espectáculo de dança do ventre, protagonizado pelas portuguesas Ignis Fatuus Luna. Inspiradas na cultura gótica, no paganismo, ritualismo e misticismo, o seu espectáculo foi variado, mas não atraiu muito público, apesar do presente ter preenchido os lugares da Igreja.
 
Com uma plateia de cerca de 100 pessoas, as intérpretes foram dançando ao som de ritmos góticos, medievais e orientais, ora em actuações singulares, ora em grupos. Muito para além de simples dança do ventre, o espectáculo incluiu também imensos trajes diferentes e vários elementos cénicos, com destaque para o equilibrismo com espadas e um ritual com velas no final. Num misto de sensualidade provocante e misticismo envolvente, as Ignis Fatuus Luna jogaram com os movimentos do corpo e do cabelo para seduzir o público.
 
O espectáculo durou uma hora, mas apesar de ter sido variado não entusiasmou muito os presentes. Quem estava nos lugares mais atrás simplesmente não conseguiu ver as dançarinas quando elas actuavam junto ao chão. Foi uma abertura morna mas que teve os seus momentos de interesse e que se adequou perfeitamente ao ambiente criado pelo festival.

 

Irfan

Étnico/World Music  –  Bulgária
Palco Alma

Coube aos búlgaros Irfan a honrada e difícil tarefa de abrir as hostilidades, no que a concertos diz respeito, neste primeiro dia do Entremuralhas 2011. Talvez por serem a banda com menos tempo de actividade (10 anos) a actuar nos dois palcos principais e serem oriundos do outro extremo da Europa, este era o nome menos sonante a actuar no Palco Alma. A verdade é que estes senhores conseguiram provar que fama e vasta experiência não é tudo, ao conquistar por completo um público onde muito poucos os conheciam.
 
Algo tímidos no início, foi o contraste entre a bela voz cristalina de Hristina Pipova e o profundo timbre de Kalin Yordanov que se destacou logo, um dueto simultaneamente místico, relaxante e inspirador que nos acompanhou ao longo de todo o concerto. Com uma sonoridade a fazer lembrar os Dead Can Dance, os Irfan baseiam a sua música em histórias, mitos e lendas, essencialmente dos Balcãs e do Antigo Egipto. A banda não se limitou a tocar, interagindo muito bem com o público ao dar pequenas descrições dos temas abordados nas músicas. Das cerca de 150 pessoas que estavam no início, a audiência quase triplicou ao fim das primeiras 3/4 músicas, para grande prazer dos músicos que sorriam de satisfação em palco, ao mesmo tempo que o público se entusiasmava progressivamente.
 
Com uma setlist variada, que abrangeu os seus dois álbuns já lançados e também material do próximo trabalho, o momento alto do concerto foi a cover do raro tema Svatba dos Dead Can Dance, onde Denitza mostrou todo o potencial da sua voz, que ecoou nas muralhas do Castelo de Leiria. A actuação chegou ao fim uma hora depois de ter começado, sabendo a pouco e deixando grandes promessas para o futuro desta banda, que se rendeu por completo ao público e nos retribui efusivamente as palmas.

Setlist

1. Peregrinatio
2. Hagia Sophia
3. The Cave Of Swimmers
4. In The Gardens Of Armida
5. The Golden Horn
6. Borana
7. Otkrovenie
8. Svatba (Dead Can Dance Cover)
(encore)
9. ?

 

Sol Invictus

Neofolk/Cabaret  –  Inglaterra
Palco Alma

 

Depois da excelente abertura do Palco Alma pelos Irfan, foi a vez dos veteranos Sol Invictus actuarem, aquela que era a banda mais esperada neste palco a par dos Rosa Crvx. Sendo uma banda de culto com um estilo bastante próprio, os Sol não agradaram por completo a todos, mas decerto deliciaram os seus fãs. Afinal de contas, goste-se ou não, é impossível ficar indiferente ao poder da voz de Tony Wakeford, cujo timbre forte e profundo ameaçava deitar abaixo as muralhas!
 
Abrindo o concerto com os dois primeiros temas do novo trabalho, The Cruellest Month, depressa a banda mergulhou nalguns dos maiores clássicos dos seus 22 álbuns. Manifestamente menos interactivo com o público do que os Irfan, Tony limitou-se a curtos agradecimentos enquanto saltava de música para música, sempre com uma perfeição sonora e vocal invejável (não fossem constantes os pedidos dele para pequenos acertos no som nos primeiros temas). Com músicas de forte mensagem social e filosófica, melancólicas e envolventes, os Sol Invictus deram um concerto com pouco espectáculo e euforia, mas com muito para o público reflectir.
 
Depois do tema Believe Me no encore, o mais calmo e emotivo de toda a setlist, os Sol Invictus fecharam o concerto com o tema Angels Fall, acabando assim a sua singular prestação. O público não foi tão efusivo quanto no concerto anterior, alguns ficaram até com sabor a pouco, mas os Sol Invictus são assim mesmo, difíceis de apreciar e compreender como um todo para quem nunca explorou a sua discografia. Pessoalmente, fiquei mais que satisfeito, apesar de ter esperado mais interacção com o público por parte do Tony.

Setlist

1. Raining In April
2. Kill All Kings
3. Abattoirs Of Love
4. Media
5. We Are The Dead Men
6. Sawney Bean
7. An English Garden
8. Twa Corbies
9. Stay
10. Old London Weeps
11. Eve
12. The Blackleg Miner
13. Black Easter
(encore)
14. Believe Me
15. Angels Fall

 

Nitzer Ebb

EBM/Electro  –  Inglaterra
Palco Corpo

O primeiro dia acabava com a estreia do Palco Corpo pelos experientes Nitzer Ebb. Percursores do estilo músical EBM (Electronic Body Music), a banda, com quase 30 anos de existência, teve no final da década de 80 e início da década de 90 o seu período de maior actividade, tocando ao lado de nomes como Depeche Mode. Um hiato de cerca de 10 anos fizeram-nos cair no esquecimento, mas o seu regresso em 2006 reergueu parcialmente o seu estatuto perdido. Apesar de toda a sua história, eram uma banda ainda desconhecida para grande parte do público, que não sabia bem o que esperar desta actuação, estreia absoluta no nosso país.
 
Todo o concerto da banda foi alternado entre os seus singles de mais sucesso no passado, remasterizados, e temas do álbum mais recente, Industrial Complex. Abrindo com o famoso single de 1990 Getting Closer, depressa este conjunto britânico meteu o público a dançar. Com uma presença em palco enérgica e visualmente empolgante, com Bon Harris e Douglas McCarthy irrequietos em palco, a banda foi convencendo aqueles que não os conheciam e acabou por dar um concerto de grande nível e qualidade, como seria de esperar. Os Nitzer Ebb optaram por um som limpo, com poucos graves, mais próximo do som de estúdio, abdicando das potencialidades que um concerto ao vivo dá para tornar as músicas sonoramente mais poderosas. Apesar disso, foram irrepreensíveis, tendo grandes momentos em palco com clássicos como Let Your Body Learn, Control I’m Here e Join In The Chant.
 
Após hora e meia de ritmos industriais dançáveis, o primeiro dia chegou ao fim em festa, mas talvez devido aos nomes do cartaz se destacarem menos em relação aos dias seguintes, este foi também o dia com menos público em Leiria. Para a história ficaram as estreias em Portugal de Irfan e Nitzer Ebb, que com toda a certeza conquistaram novos fãs por terras lusas.

Setlist

1. Intro
2. Getting Closer
3. Down On Your Knees
4. Shame
5. Hearts And Minds
6. Let Your Body Learn
7. Once You Say
8. Lightning Man
9. Hit You Back
10. Blood Money
11. Payroll
12. Godhead
13. I Am Undone
14. Murderous
15. Control I’m Here
(encore)
16. Join In The Chant
17. Promises

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