A Ruído Sonoro esteve à conversa com Matthias Krause, o homem por detrás do projecto alemão de Neofolk Vurgart, numa entrevista cedida gentilmente por este, no início deste mesmo ano.

 

Ruído Sonoro: Fala-nos um pouco acerca da tua banda, Vurgart. Quando é que surgiu?

Matthias Krause: Os Vurgart foram “fundados” em 2006 (altura em que surgiu o nome).  Nessa altura ainda não existia uma ideia concreta para uma banda/projecto. A origem foi outra: nos momentos mais calmos, relaxados e melancólicos, pegava na minha guitarra e começava a tocar alguma música improvisada. Ao deixar a minha mente vaguear, a música transformava-se em algo muito pessoal, sem uma estrutura musical normal. O mais engraçado é que a ideia de gravar qualquer coisa teve início com o aniversário de um grande amigo meu, que na altura passava muito tempo comigo. Cerca de 95% música do CD chamado “Momente” é improvisada.
Em 2008, seguiu-se o segundo CD, “Gedanken”. O estilo era muito semelhante – calmo, melancólico e dominado por guitarras acústicas – mas mais desenvolvido. Apesar de existir ainda muita improvisação, a música era mais estruturada. Ao mesmo tempo a ideia cresceu e direccionou-se mais para o Neofolk, e nasceram as primeiras músicas/ideias. A diferença principal é, obviamente, a focalização nos vocais, que não se encontravam presentes na música anterior. Desde então, os Vurgart contribuíram apenas com músicas para três compilações, mas o próximo álbum será lançado o mais cedo possível.

RS: Sei que anteriormente estiveste envolvido num projecto de Black Metal. Qual foi a razão que te levou a abandonar o Black Metal, e tomar um caminho mais direccionado para o Neofolk?

MK: Não se tratou de uma coisa a seguir à outra. Estive sempre envolvido em mais do que um género, como ouvinte e como músico. Obviamente que alguns géneros foram predominantes em determinadas alturas. Portanto, não mudei o meu estilo musical, mas apenas encontrei outro que anexei aos restantes. Apesar de não ser muito activo no que diz respeito, por exemplo, ao Black Metal, isso não significa que não volte a ele.
Já agora, gosto mais de ver algumas similaridades do que olhar para as diferença. Apesar da superfície musical ser muito diferente, penso que temos algumas semelhanças aqui. O facto de muitos dos ouvintes de Black Metal estarem, mais ou menos, dentro do Neofolk chama a atenção, no meu ponto de vista, para esse mesmo pressuposto.

RS: Penso que existe realmente uma percentagem significativa de ouvintes de Black Metal que estão também inseridos no Neofolk . Talvez as similaridades de que falas expliquem isso.

MK: Existem, obviamente, diferentes géneros de Neofolk e diferentes géneros de Black Metal, mas em ambos podes encontrar pessoas interessadas em temas como a religião (as religiões pagãs são uma similaridade óbvia), misticismo, filosofia e transcendência em geral. Muitas vezes existe uma “meta/nível” por de trás da música e das letras. Talvez isso seja uma das razões importantes para isso.
Não tão óbvias são as semelhanças entre alguns parâmetros. A monotonia como um mecanismo estilístico e uma certa simplicidade, podem ser encontradas tanto no Neofolk como no Black Metal.

RS: Qual é a principal inspiração para a tua música? E influências?

MK: Na altura em que comecei este projecto era a natureza, por mais incrível que pareça,  a minha principal fonte de inspiração mas, como podes ver pelo título do meu primeiro CD, “Momente”, a música era muito inspirada por certos momentos e estados de espírito.
Estas influências continuam a ser importantes hoje em dia para a minha música, mas surgem mais como uma inspiração para uma música, do que todo o seu ser. Para além disso sou inspirado por alguma poesia (principalmente alemã).  É óbvio que a inspiração vem de muitas coisas – um filme, um livro, uma boa conversa, uma metáfora que ouvi…
Na maioria dos casos, esta inspiração torna-se de certa forma abstracta.
As influências vêm de quase todos os estilos de música. Falando do Neofolk em particular, os artistas que mais me influenciaram foram provavelmente, e continuam a ser, os três com os quais travei conhecimento com o Neofolk: Of the Wand and the Moon, Forseti e Sonne Hagal.

RS: Como o Neofolk não é um estilo muito conhecido no nosso país, será que poderias aconselhar algumas bandas para quem não conhece o estilo?

MK: Todas as bandas da “primeira geração” encontram-se mais ou menos activas, mesmo que algumas delas tenham alterado o seu estilo significativamente. Aqueles que não as conhecem, deviam ouvir Nebelung e Orplid da Alemanha, Neutral da Rússia e Sieben da Inglaterra. Os Sonne Hagal estão a gravar o seu novo álbum, que será muito bom, e os Of the Wand and the Moon irão lançar o seu novo álbum brevemente.
Tive o prazer de o ouvir e apaixonei-me instantaneamente por ele. Para além destas bandas, gostaria de recomendar os Solblot da Suécia, que tocam um som muito tradicional e puro com grandes melodias, e os Jännerwein da Áustria que têm também um som um pouco tradicional, mais orientado para o folk. Ambas as bandas vão lançar um álbum este ano e ambas valem a pena ser ouvidas.

RS: Actualmente, tocas como live member nos Sonne Hagal, um dos maiores nomes no Neofolk, e também, obviamente, com Kim Larsen dos Of the Wand and the Moon. Como tem sido partilhar o palco com eles?

M.K.: Estas foram as bandas que me deram a conhecer o Neofolk, por isso podes imaginar que foi muito importante para mim, e uma grande honra, tocar com eles. Entretanto tornaram-se bons amigos meus e mal posso esperar por todas as vezes em que nos vamos encontrar e subir ao palco.

RS: Algum novo projecto para o futuro?

MK: Para além dos Vurgart tenho outros projectos, mais ou menos activos. Os Vurgart contribuíram recentemente com uma música, “Die Blume”, para uma maravilhosa compilação chamada “Maere”, que eu queria realmente mencionar aqui. Trata-se de um projecto muito especial, com a contribuição de 15 bandas, como In Gowan Ring, Ainulindale, Elane e Neun Welten. Para mais informações podes visitar o site http://www.maere-music.com
Entretanto o novo álbum está progressivamente a ganhar forma, e verá a luz do dia em 2011. Será o primeiro álbum Neofolk e será totalmente diferente dos dois CDs anteriores. Estou muito entusiasmado porque pus muito trabalho e inspiração nele, e até agora estou muito satisfeito com o resultado.

RS: E como está a progredir? Já começaram as gravações?

MK: O novo álbum está a desenvolver-se muito bem. O processo de escrita está quase terminado e a comecei agora simultaneamente o processo de gravação. A presença de alguns convidados no álbum irá depender da sua disponibilidade. Estou optimista quanto a ter as gravações prontas nos próximos meses e depois iremos ver como será lançado.

RS: Estás a pensar em fazer algum concerto em Portugal?

MK: Até agora “só” toquei algumas músicas dos Vurgart com os Sonne Hagal, mas estou a planear uma “live-band”. Obviamente que seria óptimo tocar em Portugal, por isso os organizadores interessados podem entrar em contacto comigo, ou com os Sonne Hagal.

 

 

Entrevista de Rita Cipriano.

Fotografia da autoria de Nikolai Drozdov.

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