Banda: Ecos
Álbum: Sofrimento a Céu Aberto
Data de Lançamento: 9 de Dezembro de 2010
Editora: Não tem
Género: Experimental/Ambiental/Noise
País: Portugal

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Membros

Ricardo
Ruben
Rui

Alinhamento
01. primeiraparagemnumavidavulgar: esperança
02. esvai-seosanguequeimam-seoscircutosdevora-seacarne
03. 24horasdeixadasporviver
04. sofrimentoacéuaberto
05. omeucorpoéumtemplodedores
06. emnóscorreadordemaisumacidadecinzenta
07. ultimaparagemnumavidasemrumo: nãoháluzaofundodotúnel

Num país de projectos e ambições ímpares, também a música experimental/ambiental digital tem lugar dentro das nossas fronteiras. E não só as fronteiras continentais, pois o projecto ECOS está sediado em Lisboa e Funchal. A utilização da língua portuguesa em música alternativa tem sido constante, mas este trio fá-lo de forma instrumental. Num misto de calafrios, pesares e suspiros involuntários da nossa parte, sabemos que o fazemos na nossa língua, por falta de controlo emocional. Surpreendente e inovador.

O ambiente é negro e claro, turbilhento e calmo. Mais que isso, é o contraste entre partes. Chega a ser feio de bonito e vice-versa. Não é de fácil escuta, mas a sua compreensão pode ser gratificante. Entre os gritos de sofrimento que podem ser escutados e os elementos minimalistas encontrados, há uma bela progressão ambiental. “Sofrimento a Céu Aberto” tem também a particularidade de todos os seus afluentes lhe serem fieis. O título encaixa, o nome das faixas (com a ajuda de uma barra de espaços) também se justificam e melhor ainda a capa, que nos remete ao cenário em que nos imaginamos ao som de ECOS. Álbum este que é limitado a 50 cópias, da módica quântia de 10 euros (não importa portes adicionais) cada. Não só o seu custo favorável, mas também a exclusividade de cada uma da meia-centena de cópias contar com uma foto-polaroid diferente, obtidas algures na cidade de Lisboa.

A “velha” e comum descrição faixa-a-faixa não se aplica a este álbum, pois as suas sete músicas bem podiam ser apenas uma sem quaisquer pausas ou interrupções para se respirar. O som ofegante e desconfortável é imagem de marca do projecto. O trio, com este registo, revela-se bastante promissor e deve manter os olhos postos em novos trabalhos nos próximos anos. Se a demo “Nébula de Almas Difusas” despertou curiosidade e talento, o potencial total surge agora. Uma aposta do futuro.

Oiça o álbum, a elevado volume. De preferência, em quarto escuro. Procure-se na sua vida, vulgar ou sem rumo, e deixai 24 horas por viver, sofra a céu aberto, e as vozes ecoarão pela cidade. É disto que os ECOS são feitos.

Deixo o resto à vossa guarda,
Nuno Bernardo

Classificação: 80/100

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