Banda: Linda Martini
Álbum: Casa Ocupada
Data de Lançamento: 1 de Novembro de 2010
Editora: Rastilho Records
Género: Alternative/Post-Rock
País: Portugal

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Membros

André Henriques – Voz, Guitarra
Cláudia Guerreiro – Baixo, Voz
Hélio Morais – Bateria, Voz
Pedro Geraldes – Guitarra, Voz

Alinhamento
01. Mulher-A-Dias
02. Nós Os Outros
03. Amigos Mortais
04. Elevador
05. S de Jéssica
06. Juventude Sónica
07. Ameaça Menor
08. Queluz Menos Luz
09. Belarmino Vs
10. Cem Metros Sereia

Os Linda Martini apresentam-se como uma das entidades mais curiosas, originais e revoltosas da nova onda de rock português. Desde o lançamento da demo, em 2005, a banda tem sido cotada com uma das maiores promessas nacionais com um pós-rock de cara lavada, que tanto bebe da fonte japonesa de Mono, da fonte irlandesa de God Is An Astronaut ou da fonte alternativa das bandas britpop e do indie mundial. As suas guitarradas foram adquirindo um som muito próprio ao longo dos anos, que passaram pelos lançamentos do álbum Olhos de Mongol, do EP Marsupial e do EP ao vivo Intervalo. Casa Ocupada é o segundo trabalho de longa-duração e segue analisado.

“Mulher-A-Dias” abre o retrato da temática do álbum, temática essa que atinge situações do quotidiano, de carácter social, conflituoso, individual e sexual. Esta primeira música já é single e o seu vídeo já se encontra online (pode ser visto aqui). “Mulher-A-Dias” confirma o estatuto do quotidiano referido logo pelo nome da faixa. Segue-se “Nós Os Outros”, faixa com título intrigante, em sentido contraditório mas perceptível no contexto. É a metáfora presente tanto no título como na letra que fazem delinear alguns traços da sexualidade contida no álbum, ainda de forma implícita mas denunciada. “Amigos Mortais” já se abre com alguma ligação ao anterior álbum, Olhos de Mongol, com uma introdução limpa e familiar para quem acompanha a banda. A sua letra revela algum conflito, alguma relação que careceu de dedicação. “Elevador” é dos pontos mais altos e intensos do álbum com uma linda melodia e guitarras soltas e espaciais. O baixo de Cláudia faz-se ouvir e o abuso, no bom sentido, de efeitos na amplificação remontam a uma visão abrangente de uma cena imaginada (ou virtual) para fundo do tema. “S de Jéssica” parece-se tratar/ganhar forma de um interlúdio instrumental algo calmo para contrastar com a intensidade de “Elevador”. Já “Juventude Sónica” é uma faixa bastante denunciadora do gene Radiohead no som dos Linda Martini. A juventude é sónica, não dura para sempre, mas há que adaptá-la a todas as idades e isso é reflectido exactamente nesta faixa – «Parecemos putos, não temos aulas amanhã!» “Ameaça Menor” é outro ponto de referência do álbum com destaque para a sentença «Tu nunca foste de voltar atrás», com umas guitarradas gritantes a acompanhar o coro vocal e alguma raiva é sentida, relembrando alguns temas do passado da banda. “Queluz Menos Luz”, com uma entrada bonita e com uma atmosfera habitual do conjunto, as guitarras vão-se derrapando entre si em ecos e acústicos, realizando um bonito instrumental, mas que ainda fica aquém ao que a banda nos habituou. “Belarmino Vs” é já um conhecido single, editado e lançado com vídeo (aqui) em Abril último. É a história de um pugilista português e conta a visão e o valor social do atleta. «Foste sempre pouco com medo de ser inteiro» e «És só mais um» prova em como Belarmino temia o seu potencial e capacidade física para competir, frequentemente com maus resultados. “Cem Metros Sereia” fecha e ocupa o que resta da casa. É uma faixa que merece enorme atenção pela explicidade da sexualidade presentemente, intensificada obviamente pelo uso da nossa língua em que as palavras são muito mais fortes e intencionais ao contrário do que nos reflecte outra língua.

Cerrem os dentes, venham jogar. Os Linda Martini podem não ser os génios maiores do pós-rock, mas sabem caber no próprio país e representar as nossas visões, hábitos e costumes. Não são a versão nacional de uns Mogwai, nem cópia de Radiohead nas guitarradas. São uma boa interpretação destas influências, unida à glória de Carlos Paredes e Amália Rodrigues – já que esta Casa Ocupada é uma casa portuguesa, com certeza.

Deixo o resto à vossa guarda,
Nuno Bernardo

Classificação: 81/100

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