Desde já, agradecemos esta oportunidade de entrevista, deixo ainda os parabéns pelo excelente trabalho desenvolvido neste “Decadence In The Heart Of Man” EP, registo recomendado pela RuídoSonoro.

RuídoSonoro – Sucintamente, como se definem os Coldfear?

José Martins – Antes de mais, muito obrigado pela oportunidade proporcionada pela RuídoSonoro, os nossos cumprimentos para toda a equipa!

Muito basicamente Coldfear é um grupo de 5 amigos que se decidiram juntar para fazer música. Fazemos aquilo que gostamos, independentemente do género, tentamos conciliar os gostos musicais dos 5 e transmiti-los para a nossa música.

RS – Em cena desde 2005, com registo conseguido em 2009. Deve-se a vontade criativa da banda ou “imposições” do mercado?

JM – Deve-se apenas a vontade criativa. Fazemos o que fazemos por gosto e amor à camisola. É normal que queiramos mostrar aquilo que fazemos e por isso mesmo lançamos algo para o mercado, mas isso não implica que sintamos “pressão” desse lado para fazer algo nesse sentido. É imperativo para uma banda mostrar o seu trabalho, faz parte da evolução dela mesma. Não sei se querias referenciar o factor tempo, mas explicando isso, esse deve-se ao tempo que podemos dispensar para os Coldfear, visto que está bem longe de ser a nossa fonte de sustento e neste momento apenas funciona como um “part-time”. Não dedicamos tanto tempo quanto gostaríamos, mas é mesmo porque não o podemos fazer.

RS – Conta-nos como foi a experiência da gravação do EP.

JM – Foi a nossa primeira experiência em estúdio e correu bem. Existem sempre coisas que desconhecemos sendo um novo terreno, mas podemos concluir que foi uma experiência bastante enriquecedora com a qual aprendemos muito, coisas que devemos ou não fazer numa próxima gravação.

RS – Como tem corrido a promoção do EP?

JM – Da promoção que temos feito tem corrido bastante bem. Não temos dado tantos concertos como desejaríamos dar, devido a certas dificuldades, mas aos poucos vamos promovendo o EP e esperamos cobrir todo o território nacional até ao final deste ano.

RS – Qual tem sido o feedback que tem tido do EP. Passaram 5 meses, já deve dar para se ter uma noção do impacto? Positivo?

JM – Já temos tido bastante feedback e tem sido muito positivo, até mais do que estávamos à espera! (risos) O EP foi muito bem recebido e temos tido muito boas críticas, tanto pela media como pelo público. Na maioria das críticas dizem-nos que lançamos um óptimo cartão de visita, mas que a prova final será um longa-duração. Isto deixa-nos muito satisfeitos, mas também ansiosos para o nosso futuro álbum, pois jamais podemos desiludir e vamos sempre tentar superar as expectativas.

RS – Que expectativas tem a médio/longo prazo?

JM – A médio prazo planeamos dar o maior número de concertos possível, principalmente em território nacional, mas também, se possível, na vizinha Espanha. Estamos também continuamente a promover o EP através de entrevistas, reviews, etc, basicamente toda a promoção que consigamos fazer.

Estamos neste momento a trabalhar para o futuro álbum, que será lançado, em principio para o próximo ano, mas ainda não podemos adiantar qualquer tipo de datas. Ainda é muito cedo para falar sobre o novo disco, mas podemos adiantar que trará algumas surpresas relativamente ao EP.

RS – O que esperam que Portugal vos dê neste campo, isto é, como é sabido o esforço feito pelas bandas em termos de lançamentos e promoção é imenso, o que esperam do nosso país para a manutenção de excelentes bandas que apareceram nos últimos anos no mundo do Metal em Portugal? Os Coldfear incluídos.

JM – Desde já, obrigado pela crítica! De Portugal sinceramente não esperamos muito! (risos) Para quem anda no meio já à muito sabe que, apesar de muita falada e batida, a crítica social e o preconceito relativamente a este tipo de sonoridade é ainda presente e constante. É triste dizer isto, tendo em conta, como referiste o nível do metal nacional. Temos bandas que estão ao mesmo nível ou mesmo superior que algumas lá de fora e apoios nem vê-los. O que muitas bandas procuram é mesmo uma oportunidade, como foi por exemplo o caso dos Moonspell, que neste momento são mais conhecidos lá fora do que em Portugal e ainda tenho pessoas a dizerem-me que pensavam que os Moonspell não eram portugueses. O grande apoio que temos é a união existente entre bandas deste género a nível nacional! Ajuda mútua de quem luta pela mesma causa e mostrar que estamos cá e pretendemos ficar! Como um amigo nosso disse: “O metal nacional está vivo e recomenda-se!”.

RS – O que mudavam no underground português? Cultura pessoal ou a cultura institucional?

JM – Essa é difícil! (risos) Pensamos que os apoios deveriam ser maiores no que toca a editoras, bares, etc, isto é, as editoras tendem a ser bastante selectivas, o que é compreensível de certa forma, mas tendo em conta o nível de qualidade que existe hoje em dia, podiam abrir mais as portas e dar oportunidades a novas bandas. Relativamente aos bares, ainda existe o pensamento “É música muito pesada para o meu bar.” associado à ideia de que o público deste género é violento e vândalo.

Isto tudo e mais junto acaba por tornar muito difícil a promoção e divulgação duma banda. O tempo é o possível e não o ideal, os custos, a promoção, divulgação, gestão, é tudo feito pela banda. Somando isto tudo acaba por atrasar em muito a progressão e evolução duma banda levando-a muitas vezes a perder oportunidades que aparecem uma vez na vida.

Resta-me dizer agradecer esta oportunidade com os Coldfear e desejo de excelente continuação de promoção do EP Decadence In The Heart Of Man. Obrigado!

Entrevista realizada por Ricardo Raimundo

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