Banda: Darkside Of Innocence
Álbum: Infernum Liberus EST
Data de lançamento: 31 de Julho de 2009
Editora: (sem editora)
Género: Symphonic Black/Gothic Metal (Gnostic Metal)
País: Portugal

Membros

Pedro Bruno – Voz masculina
Sara Henriques – Voz feminina
André Reis – Guitarra
Paulo Roque – Guitarra
João Arcanjo – Baixo
Pedro Bandeira – Bateria

Infernum Liberus EST

Alinhamento

  • Act I – Inferno
  • Act I.I – Angel Of Sin
  • Act I.II – The Eve To A Colder Epoch
  • Act II – Once Upon Havoc And Despair
  • Act II.I – An Impending Commence For Decay
  • Act II.II – To Her Spawn In Full Submission
  • Act III – The Chosen Path Led Forth Devastation
  • Act III.I – … Of A Cursed Dawn Eclipsed
  • Act IV – To Bid Valia A Last Farewell
  • Act IV.I – A Howling Hymn For Aneon’s Awakening
  • Act V.I – In Nomine Dementia
  • Act V.II – Bloody Mistress

É inquestionável a evolução explosiva do Metal em Portugal nos últimos anos, com as bandas de renome a lançarem álbuns dignos da sua fama e imensos novos projectos a nascerem e a maravilharem-nos com os seus trabalhos de estreia. Aqui está mais um exemplo de um desses projectos emergentes, uma banda composta por seis almas oriundas de Sintra, cujo resultado de quatro anos de trabalho podemos agora apreciar no seu álbum de estreia, Infernum Liberatus EST.

O som dos Darkside Of Innocence é frequentemente associado aos Cradle Of Filth e com alguma razão: é notória a sua semelhança, mas é errado dizer que é a sua única fonte de inspiração, como já vi por aí. Em primeiro lugar, há que destacar o belo jogo de voz gutural com voz feminina, em quantidades equiparáveis. A atmosfera dos Darkside Of Innocence é intensa, com uma boa dose de melancolia e dor, um som que toca fundo e é facilmente assimilado e compreendido por quem já sentiu estas mesmas emoções com tamanha profundidade. A tudo isto juntam-se as letras das músicas e as notórias influências pessoais no seu som, que se torna único. Quem fizer download do álbum pode ler Gnostic Metal no género, o estilo que a banda diz praticar e é um termo que se adequa.

É importante salientar o facto de que este álbum foi totalmente editado pela banda e resulta do juntar de várias músicas feitas ao longo dos últimos quatro anos, pelo que o que se ouve é o trabalho puro e duro da banda, com todo o seu esforço de louvar para o trazer à luz do dia. Infernum Liberatus EST não existe em formato físico, mas podem fazer o download grátis dele tanto no MySpace da banda como na secção de downloads da Ruído Sonoro. Partimos agora para o álbum propriamente dito.

Infernum Liberus EST está dividido em cinco actos, cada um deles com uma introdução. O primeiro acto, Inferno, abre com uma tema negro ao som de uma tempestade e do bater de um coração, criando um clima de suspense positivamente sufocante. Terminando a introdução com uma parte narrada em tom épico, segue-se a primeira parte do acto, Angel Of Sin, onde o som explode com energia e fúria, cortada num belo refrão cantado pela voz suave e harmoniosa de Sara Henriques. Confesso que fiquei bastante impressionado com esta abertura e com a variedade de elementos ao longo de toda a música, algo que posso adiantar já ser uma marca da banda ao longo de todo o álbum. Ainda com o magnífico refrão da Angel Of Sin no ouvido, partimos para a segunda parte do acto, The Eve To A Colder Epoch, que abre com um original riff de guitarra. Segue-se mais uma parte furiosa, sempre com uma atmosfera envolvente de fundo. Esta música é mais agressiva que a anterior e a voz feminina é mais nítida e forte, criando maior impacto. Mantendo-se o ritmo elevado ao longo de toda a música, assim termina o primeiro acto.

Segue-se o acto segundo, que abre com Once Upon Havoc And Despair, uma introdução narrada com um ambiente místico e um som de violino arrastado, criando uma melodia melancólica de louvar. Mais uma vez, a introdução termina num tom épico mais elevado, ao qual se segue a primeira parte do acto, An Impending Commence For Decay. Este longo tema abre rápido e furioso, inesperadamente quebrado aos dois minutos por um piano melífluo que abre para uma parte calma e em tom solene e épico. Somos de novo surpreendidos aos cinco minutos por uma nova explosão de som, de carácter mais progressivo, sem nunca perder aquele toque de atmosfera épica. A música termina em ritmo rápido e transbordando agonia e desespero.

Prosseguimos com a segunda parte do acto segundo, To Her Spawn In Full Submission, que tem uma curta introdução bastante original. Sucessivas e inesperadas mudanças de ritmo e melodia dão enorme riqueza a este tema, um dos meus favoritos do álbum. A atmosfera varia imenso, variando entre o desespero e o orgulho, a magia e a calma, contando com um solo de guitarra bastante curioso perto do final.

Chegamos ao acto terceiro, The Chosen Path Led Forth Devastation, o mais curto do álbum. A uma abertura misteriosa ao som do crepitar de uma fogueira segue-se … Of A Cursed Dawn Eclipsed, que abre de forma surpreendentemente majestosa. Pode ser curto, mas não peca em nenhum aspecto: uma injecção de energia directamente nos nossos ouvidos. O acto quarto, To Bid Valia A Last Farewell, tem a mais bela introdução de todo o álbum, com um solo de guitarra simplesmente mágico! Não menos mágica é a abertura do tema A Howling Hymn For Aneon’s Awakening, onde um solo de guitarra volta a dar um toque soberbo. Evidenciando alguns sinais de progressividade, a música destaca-se pela profundidade solene que lhe é dada. A banda procura ser original e variar imenso ao longo de todo o tema e o objectivo foi atingido com sucesso. Várias partes na música poderia destacar, mas deixarei em aberto os seus mistérios a quem tiver curiosidade de ouvir o álbum.

Se até agora o Infernum Liberatum EST foi surpreendemente bom, tendo em conta ser um álbum de estreia e totalmente produzido pela banda, pasmem-se com a maravilha que é o acto quinto e último, Condemned To Bare A Plague Of Aeons. O tema In Nomine Dementia, totalmente em português, abre com uma longa parte narrada ao som de um ambiente profundamente melancólico, com a voz em tom de profundo desespero e raiva crescente. Apreciem a magistralidade da letra, pura poesia, digna de uma poeta de renome. A meio do terceiro minuto termina a parte narrada e segue-se algo cujo sentimento dificilmente pode ser descrito. Infinitamente profundo e melancólico, este tema rasga a carne e penetra fundo nas nossas almas, lembrando a essência do álbum Locus Horrendus dos Desire. São dez minutos de pura agonia que não deixaram ninguém indiferente, antes pasmados e presos ao som, mergulhados profundamente na sua densa e sufocante atmosfera, que depois de uma parte explosiva do outro mundo termina com uma doce melodia de piano.

Chegamos ao fim do álbum com Bloody Mistress, seis minutos que nada trazem de novo ao resto do álbum, não deixando por isso de ser um grande tema com toda a enorme variedade de elementos usados pela banda presentes. Peca no entanto por não dar o final que, presumo, seria mais apropriado ao álbum. Pedia-se aqui um final mais épico, talvez uma Outro. No entanto, é assim que termina este belo trabalho de estreia dos Darkside Of Innocence, cheio de variedade e com muitos elementos promissores a explorar no futuro, mas onde se nota que todas as músicas foram feitas em períodos diferentes e não criadas a pensar num álbum como um todo, algo que certamente não se repetirá no próximo trabalho.

Quanto aos elementos, a voz gutural do Pedro Bruno, explorada neste álbum em dois tons distintos, deverá continuar a ser feita da mesma forma e a voz da Sara Henriques, tão bem colocada ao longo do álbum, poderá ser ainda melhor aproveitada, explorando talvez mais a parte operática. As guitarras fizeram um belo trabalho e talvez no futuro se peçam mais solos épicos como na introdução To Bid Valia A Last Farewell. Nada a apontar ao baixo e quanto à bateria, espero apenas que a produção do próximo álbum lhe dê um som melhor, mais claro e forte. Aguardaremos o desenrolar do trabalho dos Darkside Of Innocence com fortes expectativas e esperemos que o seu potencial seja confirmado em álbuns futuros.

Saudações metaleiras,
David Dark Forever Matos

Classificação

Performance: 8,5
Musicalidade: 8
Originalidade: 8
Produção: 7,5
Atmosfera: 9
Capa: 9
Impressão geral: 8,5
TOTAL: 84,00%

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