Banda: Ensiferum
Álbum: From Afar
Data de lançamento: 9 de Setembro de 2009
Editora: Spinefarm Records
Género: Folk Metal
País: Finlândia

Membros

Petri Lindroos
– Voz gutural, guitarra
Markus Toivonen – Voz limpa, guitarra, coros
Sami Hinkka – Voz limpa, baixo, coros
Emmi Silvennoinen – Teclado, coros
Janne Parviainen – Bateria

From Afar

Alinhamento

  • By The Dividing Stream
  • From Afar
  • Twilight Tavern
  • Heathen Throne
  • Elusive Reaches
  • Stone Cold Metal
  • Smoking Ruins
  • Tumman Virran Taa
  • The Longest Journey (Heathen Throne Part II)

Após uma ausência forçada da Ruído Sonoro, estou de volta para vos falar de mais álbuns dignos de referência. Desta feita, apresento-vos aquele que, a meu ver e de muitos outros com quem tenho trocado impressões, será um dos melhores álbuns de Metal do ano. Falamos do mais recente trabalho dos finlandeses Ensiferum (não fosse a Finlândia um dos países onde se faz melhor música de peso).

Foi em 1995 que este projecto viu a luz do dia, sendo que dos membros fundadores apenas Markus Toivonen subsiste na banda. Ensiferum signfica “o Portador da Espada”, mas esta banda é portadora de mais do que uma “espada”: desde o álbum de estreia homónimo em 2001 que eles provaram serem também portadores de uma lufada de ar fresco e qualidade soberba no Folk Metal, tanto na sua técnica invejável como na sua originalidade.

Iron e Victory Songs, os álbuns que se seguiram, em 2004 e 2007 respectivamente, confirmaram-nos como uma grande potência do género e em ambos pudemos notar uma melhoria em todos os aspectos. Esse aperfeiçoamento progressivo culmina agora em From Afar, que não deixará ninguém que com ele se depare indiferente.

From Afar abre com um belo tema acústico instrumental, com cerca de quatro minutos; By The Dividing Stream é alegre e transborda paz, fazendo lembrar a natureza e criando desde cedo uma atmosfera que irá acompanhar todo o álbum: um misto de ambiente épico e medieval com energia, alegria e solenidade. Segue-se o tema homónimo do álbum, que explode em fúria de uma forma impressionante. Inevitavelmente mergulhamos no mundo dos Ensiferum, onde reina um poder enérgico positivo que nos faz recuar no tempo até à Idade Média. É de louvar o trabalho de composição da música, cheia de pormenores: os coros, o piano, os efeitos sinfónicos, os riffs originais da guitarra, as mudanças de ritmo, a parte de narração perto do fim, tudo elementos que se repetem ao longo do resto do álbum, sempre diferentes mas nunca menos interessantes.

Toda a atmosfera e energia do tema anterior são transportadas para Twilight Tavern, que abre com um riff de guitarra rápido e alegre, como aliás é toda a primeira parte da música, com todos os pormenores técnicos acima mencionados mais uma vez a fazerem-se ouvir. O refrão em coro é genial e dá vontade de cantar com a banda. Mas eis que surge a primeira surpresa do álbum: a música pára e ouve-se um coro feminino a cantar uma melodia bela e suave, que tão bem assenta na música! A música volta a aumentar progressivamente de ritmo, até que no final essa progressão acentua-se e a faixa termina com uma explosão de som magnífica!

O álbum conta também com dois temas superiores a dez minutos, a parte um e dois de Heathen Throne, onde a qualidade de composição dos Ensiferum é elevada a um patamar inigualável no Folk Metal: são estes dois temas que dão maior profundidade ao From Afar. Esta quarta faixa, a primeira parte de Heathen Throne, tem um início progressivo que termina aos dois minutos e meio com uma pequena introdução acústica para um dos refrões mais épicos que já ouvi. Esta é uma das passagens mais lentas de todo o álbum, infinitamente bela, onde somos inundados por uma sensação de união com a natureza e com a verdadeira essência do Homem. Mas Heathen Throne não fica por aqui: aos seis minutos temos um refrão inesquecível, ao qual se segue mais uma parte progressiva de louvar e que termina com a repetição do refrão inicial, mas desta vez a um ritmo muito mais elevado. Heathen Throne fecha com um solo lento épico, de levar lágrimas nos olhos.

A quinta faixa, Elusive Reaches, é a mais curta do álbum (sem contar com a pequena introdução para o tema final). Pouco mais há a acrescentar neste tema, na sua maior parte instrumental, com um grande solo de guitarra e mais um refrão que fica no ouvido. From Afar continua com Stone Cold Metal, onde a contagiante alegria de Twilight Tavern parece voltar, mas com um ambiente mais solene, que impõe respeito. É no entanto aos três minutos que a faixa se destaca, surpreendendo tudo e todos: um leve assobiar, acompanhado de fundo por uma guitarra acústica e por um ambiente em tom crescente, que ao fim de um minuto muda de ritmo e um piano rápido dá vida à música, a passagem mais alegre de todo o álbum; o ritmo vai aumentando, com alguns partes sinfónicas inesperadas e, depois de uma narração, uma explosão de som linda, com mais um grande solo: épico!

Continuamos a nossa viagem medieval com Smoking Ruins. Este é talvez o tema mais semelhante ao que os Ensiferum tinham feito em Victory Songs, lembrando um pouco a faixa The Wanderer. É também a música menos característica em From Afar, não tendo nenhuma parte que se destaque, mas funciona perfeitamente como um todo. Aproximamo-nos do tema final do álbum, precedido pelo coro de introdução cantado em finlandês, Tumman Virran Taa. Se até agora o álbum vos agradou, pasmem-se com The Longest Journey (Heathen Throne Part II)! Muito poderia dizer deste tema épico, talvez o melhor alguma vez feito pelos Ensiferum, mas vou deixar apenas algumas palavras soltas para vos abrir o apetite: uma abertura lenta e solene, uma progressividade e diversidade de elementos que terminam com um longo final, infinitamente belo.

Assim termina From Afar, um dos melhores álbuns de sempre de Folk Metal e absolutamente recomendado até para quem não gosta do género. Raramente se tem em mãos uma obra tão rica e que tanto prazer dá ouvir, ao transmitir-nos emoções e energias positivas, que nos preenchem, que nos elevam a um mundo superior: o mundo dos Ensiferum!

Saudações metaleiras,
David Dark Forever Matos

Classificação

Performance: 10
Musicalidade: 10
Originalidade: 9
Produção: 10
Atmosfera: 10
Capa: 10
Impressão geral: 10
TOTAL: 98,50%

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