Banda: Noctem
Álbum: Divinity
Data de lançamento: 20 de Abril de 2009
Editora: NoiseHead Records
Género: Black/Death Metal
País: Espanha

Membros

Beleth – Voz
Exo – Guitarras
Alasthor – Guitarras
UI – Baixo
Darko – Bateria

Divinity

Alinhamento

  • Atlas Death
  • In The Path Of Heleim
  • Realms In Decay
  • The Sanctuary
  • The Call Of Oricalco’s Horn
  • Across Heracles Towards
  • In The Aeons Of Time
  • Necropolis Of Esthar’s Ruins
  • Divinity
  • Religious Plagues
  • Under Seas Of Silence

Foi com enorme gentileza que os valencianos Noctem nos cederam os seu álbum de estreia, Divinity, fruto de oito anos de trabalho desenvolvido desde 2001. Neste período de tempo, lançaram as demos Unholy Blood e God Among Slaves em 2001 e 2007, respectivamente, bem como um álbum ao vivo em 2004. Podemos agora apreciar o primeiro álbum desta banda espanhola em todo o seu esplendor, a tão aguardada estreia; depois de algumas alterações na formação ao longo dos anos, os Noctem são agora uma banda de cinco elementos cujo som tem como base o Black e o Death em doses equiparáveis. As suas letras são apocalípticas, directamente revelando ódio e indirectamente misantropia, uma crítica à auto-destruição da nossa sociedade, submissa a falsos princípios.

Divinity abre com Altas Death, um instrumental de piano ao som de chuva, rápido e envolvente, uma bela introdução para a brutalidade que se segue com In The Path Of Heleim, um tema electrizante, com bons riffs de guitarra e bateria, que não sendo propriamente originais, são agradáveis de ouvir e dão uma boa impressão logo na abertura do álbum. Realms In Decay continua a um ritmo alucinante, um tema onde podemos ver bem a fusão do Black Metal nas partes mais rápidas com o Death Metal nas partes mais lentas e técnicas. Ao longo de todo o trabalho, também o gutural de Beleth dá para ver claramente essa mistura de subgéneros, alternando entre o gutural mais profundo do Death e o mais crú do Black, um belo jogo de vozes. O terceiro tema termina a um ritmo mais calmo, que logo é quebrado pela abertura explosiva de The Sanctuary, Death Metal no seu melhor. Esta é das músicas mais técnicas do álbum e consequentemente tem um dos instrumentais mais interessantes do Divinity.

The Call Of Oricalco’s Horn abre de forma majestosa, que embora não seja muito original é sem dúvida cativante. Destaque para a atmosfera criada por esta música, mas que nada acrescenta aos temas anteriores, uma repetição da brutalidade antecedente. O tema seguinte volta a ser mais do mesmo e apesar do bom instrumental dá a impressão que o álbum está a ficar demasiado repetitivo. Em boa hora vem por isso o instrumental acústico que se segue, In The Aeons Of Time, calmo e sinistramente belo, uma pausa para respirar que poderia ter vindo uma música mais cedo no álbum: mas antes tarde que nunca.

Necropolys Of Esthar’s Ruins é o tema que se segue, um dos meus favoritos do álbum; dos temas mais trabalhados de Divinity, com mais variações de ritmo que os outros, relançando o meu interesse pelo álbum. A música que se segue peca apenas por ser curta, mas não deixa de ser excelente: o tema homónimo do álbum, Divinity, numa versão orquestral que dá uma atmosfera magnífica. Sublinho de novo a brutalidade contagiante e a rapidez das músicas, que podemos apreciar mais uma vez no seu expoente máximo na abertura de Religious Plagues. Em contraste, este também é o tema com a melodia que mais gostei em todo o álbum; o ouvinte é presenteado a meio da música com um instrumental de bateria e guitarra acústica lindo, não esquecendo o magnífico solo no final, que tornam esta a minha faixa favorita do Divinity. Religious Plagues demonstra todo o potencial da banda e espero que criem mais temas como este no futuro: se todo o álbum fosse assim, a classificação subiria para algo a rondar os 90%.

A versão normal do álbum fecha com Under Seas Of Silence, mais uma grande tema, na linha do anterior, com uma bela melodia criada pelas guitarras. A música termina com minuto e meio acústico, calmo e relaxante, perfeito para libertar a alma de toda a brutalidade antecedente. A cópia do álbum que os Noctem enviaram ao Ruído Sonoro contém ainda uma faixa bónus, uma versão não orquestral da Divinity, ligeiramente menos interessante que a outra.

Numa apreciação geral, gostei muito do álbum, que mostra grandes referências para o futuro que devem ser exploradas pela banda. Se apostarem mais na diversificação de elementos como nos dois últimos temas (Religious Plagues e Under Seas Of Silence) e se se libertarem das suas influências (por momentos, dá a sensação que estamos a ouvir Cradle Of Filth; aliás, os Noctem têm duas covers deles no álbum ao vivo em 2004), poderão tornar-se numa grande banda, algo que falta em Espanha, um dos grandes países da Europa que menos tem mostrado no campo do Metal. Aguardo com grande expectativa o desenvolver do trabalho dos Noctem.

Saudações metaleiras,
David Dark Forever Matos

ClassificaçãoPerformance: 8,25
Musicalidade: 8
Originalidade: 7
Produção: 8,5
Atmosfera: 8
Capa: 10
Impressão geral: 8
TOTAL: 80,75%

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