Banda: Men Eater
Álbum: Vendaval
Data de lançamento: 1 de Maio de 2009
Editora: Raging Planet
Género: Sludge/Stoner Metal
País: Portugal

Membros

Miguel “Mike Ghost” – Voz, Guitarra
Carlos Azeitona – Voz, Guitarra
João J. – Voz, Baixo
Carlos BB – Bateria

Vendaval

Alinhamento

  • First Season
  • Heartbeating Locomotiva
  • Man Hates Space
  • Quatero
  • Drunk Flies Drugged Souls
  • Last Season
  • 1200
  • Medusa
  • Novee
  • Coldest Tide
  • Queen Of A Million
  • Dead At Sea

A minha estreia em solo lusitano é feita através dos lisboetas Men Eater. A banda, que em 2006 lançou uma EP homónima, cedo mostrou que tinha umas ambições fora do habitual do que se faz em Portugal. Em 2007, com o lançamento do álbum de estreia “Hellstone”, confirmaram-se algumas das ambições e superaram-se expectativas. No entanto, novas e maiores expectativas se colocaram logo a seguir por ser um álbum de estreia. Em Portugal, ainda não é muito habitual verem-se bandas com uma extensa discografia porque cá as coisas são bastante diferentes do que em países nórdicos em que até são habituais lançamentos anuais. Dado isto, os anos passam e as credenciais e o potencial fica por confirmar até que o segundo álbum chegue. E como também é hábito por cá, o 2º álbum nunca vai muito além da estreia. É bom que os ventos lusitanos mudem e de há 2/3 anos para cá o metal português tem sofrido severas alterações. Inúmeros projectos emergiram, as cabeças ergueram-se e 2009 tem sido o Olimpo dos lançamentos nacionais. Após a estreia de Men Eater, chega-nos “Vendaval” e os ventos realmente mudaram!

“Hellstone” talvez pecasse à clara aproximação das influências de Mastodon ou Neurosis, mas “Vendaval” assume rapidamente uma nova sonoridade. Os Men Eater adquiraram um som próprio com uma personalidade muito rica, sem nunca perder de vista as suas raízes. ‘First Season’, a primeira música do álbum, já tem o vídeo gravado e disponibilizado nos meios de comunição. ‘Heartbeating Locomotiva’ e ‘Man Hates Space’ já mostram mais do potencial do grupo e rapidamente começam a cumprir as expectativas colocadas. ‘Drunk Flies Drugged Souls’ apresenta-se de um modo mais stoner que as anteriores, sendo também uma faixa de maior destaque. Até ‘Queen Of A Million’, Men Eater não apresenta muito mais para além do que já mostrou e quase podemos entitular estas faixas de fillers autênticos. Já a 11ª faixa é uma enorme atracção com rasgos de uma espécie de doom n’roll. O álbum termina com ‘Dead At Sea’, o tema mais lento de todo o álbum, com um óptimo trabalho de bateria e solos de guitarra semelhantes ao trabalho desenvolvido por Toni Iommi nos Black Sabbath desde a década de 70.

Apesar dos seus defeitos, o álbum não perde a força nem a solidez que faltou na estreia. Nem todas as bandas conseguem manter o nível ao 2º álbum, muito menos elevar o mesmo. No entanto, os Men Eater conseguiram. Os ventos lusitanos têm recentemente soprado para maiores capacidades de composição e realização e aqui fica mais um excelente resultado de produto nacional. Atenção para os Men Eater, que com o lançamento de “Vendaval” nos deixam com a sensação que este ainda é um meio-termo entre “Hellstone” e o que está para vir no futuro. É a evolução natural de um grupo ambicioso que dados os resultados do que têm lançado, parece cada vez mais não caber no pequeno Portugal em que vivemos. Há que manter a confiança e deixar a responsabilidade do metal português em todas as bandas que têm despontado nos últimos anos, que Portugal certamente irá crescer..e ainda bem, porque os Men Eater parecem ainda ter muitos trunfos por jogar.

Deixo o resto à vossa guarda,
Nuno Bernardo

Classificação: 90/100

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