Banda: Thee Orakle
Álbum: Metaphortime
Data de lançamento: 16 de Março de 2009
Editora: Recital Records
Género: Symphonic Death/Doom/Gothic Metal
País: Portugal

Membros

Pedro Silva – Voz masculina
Micaela Cardoso – Voz feminina
Romeu Dias – Guitarra
Ricardo Pinheiro – Guitarra
Daniel Almeida – Baixo
Luís Teixeira – Teclado
Frederico Lopes – Bateria

Metaphortime

Alinhamento

  • Knowing Anguish
  • All Way Down
  • Ghost Memories
  • The Great Masterpiece
  • Quimera Metamorphosis
  • Never-Ending Dilemma
  • White Linen
  • Alchemy Awake
  • Unexpectable Conformity
  • Feeling Superior Knowledge

Voltando a pisar terras lusas, desta vez viajamos até Vila Real, onde nasceram os Thee Orakle em 2004. Estrearam-se no ano seguinte com uma demo homónima, a qual infelizmente nunca ouvi. O primeiro trabalho que pude apreciar deles foi o EP lançado em 2007, Secret, no qual o potencial da banda se fazia adivinhar em músicas como Queen Of Creation e Sea Of Life; muito se esperava na comunidade nacional de Metal underground pelo seu álbum de estreia, lançado no passado mês de Março. Falando por mim e pelos meus amigos com quem discuto Metal habitualmente, este Metaphortime superou todas as expectativas e presenteou-nos com um som de grande qualidade, raramente visto em Portugal. O Metal português tem vindo a crescer a passos largos nos últimos anos, especialmente neste 2009, contribuindo álbuns de estreia como este para a projecção do mesmo a uma nova dimensão, na qual não só estamos ao nível do resto da Europa como também conseguimos fazer melhor que muitos países. Os Thee Orakle foram buscar influências diversas para este trabalho, criando um som único e, ao contrário do que li algures, bastante português no espírito, apesar das influências multiculturais (afinal, não somos nós um país de turismo e imigração onde convergem pessoas de todas as culturas?).

Metaphortime abre com um belo instrumental acústico, Knowing Anguish, que abre caminho para All Way Down, tema no qual somos engolfados numa complexidade de pormenores musicais que acompanha todo o álbum de uma forma surpreendentemente bem construída. O gutural de Pedro Silva é pesado, profundo e bastante claro, deixando transparecer sem dificuldade de percepção as letras, que acompanham os temas na sua essência a complexidade. Em contraste com o gutural temos a magnífica voz de Micaela Cardoso, limpa e cristalina, dando um toque de subtileza em todo o álbum, ora mais suave, ora mais poderosa, mas sempre a encaixar de forma perfeita na música. O ritmo marcante no Metaphortime é rápido, mas temos algumas passagens mais lentas, como no caso da terceira faixa, Ghost Memories, onde durante alguns segundos se cheira a Opeth. O trabalho de Frederico Lopes na bateria é de louvar: não só técnicamente irrepreensível, a capacidade de improviso e as mudanças de ritmo são absolutamente geniais.

Aos três temas iniciais segue-se aquele que é para mim o melhor tema do álbum; o título The Great Masterpiece descreve exactamente aquilo que a faixa é: uma obra-prima! A voz da Micaela não poderia estar melhor, bem como o gutural cortante acompanhado pelas guitarras e os seus solos técnicos e ricos. Ainda com a melodia desta faixa na cabeça, segue-se Quimera Metamorphosis, cujo refrão é daquelas melodias que me dão prazer de ouvir inúmeras vezes seguidas. Temos também uma passagem mais técnica nesta música, que termina com um dos mais belos solos de todo o álbum, que começa lento e aumenta progressivamente o ritmo, sendo acompanhado por uma bateria mais uma vez sem falhas. Sei que estou a ficar repetitivo, mas é disso mesmo que este álbum se trata (no bom sentido), uma repetição de melodias e pormenores técnicos sempre diferentes e sempre magníficos. É por isso que volto a destacar mais um, desta feita na Never-Ending Dilemma, a passagem acústica com guitarra e piano, acompanhada pela voz mais suave da Micaela e que termina com um curto solo inesquecível: uma daquelas músicas que quanto mais se ouve mais se gosta, nunca cansam.

Não poderia falar deste trabalho sem referir as suas influências de música oriental, que são mais evidentes nas faixas White Linen e Alchemy Awake. A primeira tem também um refrão absolutamente divino: “Descending from heaven / With moon watching by / Work wonders / Light of night” fica na cabeça de qualquer um. Unexpectable Conformity é o culminar da originalidade e técnica da banda, a minha segunda faixa favorita do álbum, digna de uma banda já com história (mas lembrem-se, isto é apenas o álbum de estreia!). Para aqueles que continuam a achar o som da banda pouco português, oiçam a faixa que encerra o Metaphortime: Feeling Superior Knowledge, um belo instrumental acústico de guitarra portuguesa.

Termino com um destaque para a grande produção do álbum. Todos os instrumentos se ouvem na perfeição, mesmo com tamanha complexidade, incluíndo o baixo que muitas vezes se perde nas gravações: felizmente, não é o caso aqui. Com um começo assim, tudo se pode esperar destes Thee Orakle. Uma coisa é certa, a continuarem a este nível e com as melhorias que certamente terão com o passar do tempo, serão num futuro próximo um dos grandes nomes do Metal nacional e quem sabe o impacto que poderão ter no estrangeiro. Os meus sinceros parabéns: continuem!

Saudações metaleiras,
David Dark Forever Matos

ClassificaçãoPerformance: 8,75
Musicalidade: 9
Originalidade: 8,75
Produção:
9
Atmosfera: 9
Capa: 9
Impressão geral: 9,5
TOTAL: 90,25%

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